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Saúde para negros será discutida em seminário

20 agosto 2004 - 07h07

Uma das cinco gestoras de todo o País convidadas a participar do primeiro Seminário Nacional de Saúde da População Negra, a coordenadora de Política de Promoção da Igualdade Racial de Mato Grosso do Sul, Ana Sena, afirma que o evento vai contribuir para a definição de políticas públicas de saúde diferenciadas para combater a desigualdade racial.“Já há uma mudança de concepção em relação à saúde. O próprio Ministério da Saúde reconhece que é necessário uma política específica para atender a população negra que, segundo todos os diagnósticos até aqui apresentados, é a mais prejudicada”, disse Ana Sena. Ela anunciou que entre o final de setembro e início de outubro, Mato Grosso do Sul vai realizar seminário regional para dar continuidade às idéias que estão sendo debatidas no evento.O foco das discussões é a necessidade de quebrar a concepção universalista que até aqui vem norteando a política de saúde e que coloca o negro no mesmo padrão de atendimento dispensado aos demais segmentos da população. O ministro da Saúde, Humberto Costa, que ontem abriu o seminário, criou um comitê que se encarregará de discutir alternativas de saúde para corrigir as desigualdades. Segundo diagnóstico apresentado no evento, existem algumas doenças que ocorrem com maior incidência na população negra. Uma delas - resultado do histórico processo de discriminação racial - é a hipertensão, associada a problemas psicológicos e psiquiátricos. A outra é a anemia falciforme, uma doença hereditária, caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos que, uma vez desenvolvida, provoca fortes dores nos ossos e articulações, causadas pela obstrução dos vasos sanguíneos. Os portadores da doença são mais propensos a infecções em geral. As crianças, por exemplo, são atingidas com maior incidência por pneumonias e meningites. A anemia falciforme não tem cura, mas pode ser controlada se for corretamente diagnosticada. O sistema nacional de saúde tem poucas informações sobre a anemia falciforme. A doença pode ser detectada no recém-nascido através do chamado teste do pezinho que, segundo Ana Sena, já vem sendo realizado em Mato Grosso do Sul, um dos poucos estados a dar tratamento diferenciado para a população negra. “Nós já estamos distribuindo gratuitamente os medicamentos que se usa para combater a anemia falciforme”, afirma a coordenadora de Política de Promoção da Igualdade Racial de Mato Grosso do Sul. Ana Sena lembra que, além da falta de recursos humanos capacitados para identificar a doença, uma boa parte da própria população negra desconhece a doença.O seminário, que conta com a participação de 350 gestores, abrirá debate nacional destinado a traçar em todo o País um quadro realista sobre a situação da população negra, uma medida necessária para a alterar as políticas públicas de combate à desigualdade racial. “O mais grave é a falta de saneamento básico nas comunidades quilombolas, favelas e nas áreas rurais ocupadas pela população negra”, diz Ana Sena. A discriminação se estende, entretanto, para outras áreas, como educação, mercado de trabalho e demais indicadores utilizados para medir o índice de desenvolvimento humano. “Vamos fazer esse diagnóstico também em Mato Grosso do Sul, através de um trabalho que una todas as secretarias”, garante Ana Sena. A grande alavanca desse processo, segundo ela, será o seminário regional, que terá a parceria do Ministério da Saúde. O seminário está sendo realizado na Academia de Tênis de Brasília e termina amanhã.  

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