Começa a funcionar nesta segunda-feira (24), no Rio, o gabinete de crise do Ministério da Saúde para auxiliar os governos estadual e municipais no combate a dengue e no atendimento à população contaminada pela doença. Uma reunião à tarde entre representantes do ministério, das Forças Armadas e dos governos locais irá definir as prioridades de ação.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão estará na cidade para eventos sobre aids e tuberculose, mas a participação dele no encontro não está prevista até o momento.
“O problema maior é organizar a atenção básica. O que inclui de fornecimento de camas a plaquetas [componente do sangue indispensável para as transfusões]”, afirma o secretário-adjunto nacional de Vigilância em Saúde, Fabiano Pimenta. “Mas as prioridades estão sendo estudadas e serão definidas na reunião desta segunda, em parceria.”
De acordo com o Ministério da Saúde, enquanto no restante do país houve uma queda de 40% na incidência dos casos de dengue neste início de ano, a capital fluminense superou em mais de 100% o número de casos em comparação ao mesmo período em 2007. Uma das falhas apontadas pelo ministério é a baixa implementação das equipes de saúde da família, que cobrem hoje apenas 8% da população do município.
Durante viagem a Washington, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que as Forças Armadas “estão dispostas a ajudar” no combate à dengue e no tratamento dos infectados com a doença. Jobim levantou a possibilidade de os hospitais de campanha participarem da ação, como há dois anos, durante a intervenção federal na saúde no estado.
O secretário de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, já admitiu que o estado vive uma epidemia de dengue. Entre quarta e quinta-feira, em apenas um dia, foram notificados dois mil casos de pessoas contaminadas pela doença.
Os governos locais ampliaram o número de leitos nos hospitais para receber pacientes e reforçaram as ações de prevenção. A população foi orientada a usar calças e blusas de manga comprida para evitar picadas do mosquito transmissor da dengue. O hemocentro reforçou o apelo por doadores de sangue.
Moradores protestaram sábado e domingo contra o que classificam como falhas na prevenção da doença e atendimento aos pacientes. A Secretaria de Saúde de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, confirmou neste domingo a morte de um menino de 12 anos de idade com suspeita de dengue.
A última morte confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde foi de uma menina de 14 anos, moradora na Praça Seca, na zona oeste, em um hospital de Jacarepaguá. A dengue ainda pode ter causado a morte de um bebê de sete meses, que estava internado no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo. Também está sendo investigada a morte de uma mulher grávida de oito meses, que teria contraído a doença.
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