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SAÚDE & BEM - ESTAR

Câncer de mama: a pior metástase é o abandono!

10 outubro 2020 - 07h15Por Uisney Gomes Portella

“A mulher tem na face dois brilhantes
Condutores fiéis do seu destino
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes”.

O trecho da música “Mulher nova, bonita e carinhosa” dos compositores Zé Ramalho e Otacílio Guedes, eternizada na voz da cantora Amelinha, é uma das mais belas homenagens às mulheres. Realmente, há algum encanto nos olhos femininos, não consigo explicar, apenas me permito sentir e admirar! Concordam?
 
Apesar de encantador, ser mulher traz consigo desafios. Falo, por exemplo, de peculiaridades como o ciclo menstrual e a maternidade, que particularizam o universo feminino. Além disso, as últimas décadas têm mostrado um preocupante fenômeno: o aumento nos casos de câncer de mama. O Instituto Nacional do Câncer (INCA), registrou 66.280 novos casos desse tipo de doença em 2020. O mais assustador é que a instituição registra aumento de 2% de casos a cada ano (Fonte: https://www.cancerdemamabrasil.com.br). Pode parecer pouco, mas se projetarmos esse índice em dez anos teremos um número altíssimo de novos casos.
 
Não é objetivo desta matéria explorar os fatores que contribuem para o aumento de casos. Para isso, temos fontes confiáveis de pesquisa na internet. Meu objetivo é conversar com homens e mulheres sobre essa doença, sobretudo em relação às consequências psicológicas para quem foi diagnosticado(a) – lembrando que homens também podem desenvolver câncer de mama – e familiares. Isso mesmo, familiares. O câncer produz efeitos psicológicos relevantes em toda família, desde a expectativa da confirmação do diagnóstico. Quero chamar a atenção para a necessidade de acompanhamento psicológico, em todas as fases dessa árdua batalha. Vamos conversar sobre esse assunto?
 
O APOIO PSICOLÓGICO É NECESSÁRIO A PARTIR DO DIAGNÓSTICO
 
O momento do diagnóstico provoca grande aflição na paciente com suspeita de câncer de mama. É uma verdadeira montanha-russa emocional. Num extremo, temos a expectativa pelo resultado negativo. Quase posso sentir o “peso tirado das costas”, por aquelas que recebem essa notícia através do laudo da mamografia, ressonância ou qualquer outro meio utilizado para realizar o exame. Por outro lado, a confirmação da doença é desconcertante. Há quem diga que “não conseguiu ouvir mais nada depois do resultado”. Ninguém deseja receber uma notícia dessas: você está com câncer! 
 
Passar por isso sozinha não é bom. Muitas mulheres relatam uma “demora para cair a ficha”. Como profissional da área da saúde mental, entendo que o desejo de iniciar o tratamento o mais rápido possível toma conta da paciente. Afinal, quem não quer se ver livre dos nódulos? Contudo, dentro das possibilidades, o acompanhamento psicológico não deve ser negligenciado. O câncer exige demais das emoções. O câncer de mama, especificamente, segue alguns protocolos de tratamento mais agressivos, que redundam em retirada de tecidos mamários. Imaginem essa realidade numa pessoa já fragilizada pelo diagnóstico e tratamento. Não é nada fácil!
 

O poeta romano Juvenal, em sua Sátira X, dizia “mens sana in corpore sano”, o que é traduzido como “uma mente sã num corpo são”. Com isso, podemos entender que a batalha do corpo contra a doença deve ser suprida pela mente. Portanto, o fortalecimento psicológico é uma excelente ferramenta para proporcionar melhores condições de enfrentamento da doença. Uma atitude positiva frente às adversidades é muito importante. Não estou dizendo que não haja altos e baixos. Pelo contrário, somos humanos e estamos sujeitos a emoções que repercutem diretamente em nosso funcionamento psicológico. O que desejo destacar é não perder a batalha primeiro na mente, fragilizando ainda mais o corpo.

Os benefícios do acompanhamento psicológico, a partir do diagnóstico, vão muito além do acolhimento. Eles passam pelo entendimento de que, apesar da doença, ainda existe um ser humano que ama, tem desejos, sentimentos e, principalmente, tem capacidade estabelecer e realizar projetos de vida. A mensagem que deixo é a seguinte: aproprie-se da sua humanidade, o câncer não pode destruir isso em você. Sua história de vida, seus relacionamentos, seus laços familiares, tudo isso faz parte de quem você é, e foi construído antes de qualquer doença. Você não é o câncer!

UMA DOENÇA TERRÍVEL QUE ATINGE EMOCIONALMENTE TODA A FAMÍLIA

Não há como negar: o diagnóstico de câncer abala emocionalmente toda a família! A luta contra a doença requer muito apoio e união. Pais, irmãos, filhos, esposo, esposa, amigos, enfim, ninguém deseja que uma pessoa querida receba a notícia que está com câncer! Parece um pesadelo. É como ser atingido por um tsunami de emoções que sufoca, aperta o peito e atormenta dia a dia, até o sonhado momento em que se entra em remissão da doença. 

Inegavelmente, as relações sociais ficam comprometidas, a rotina familiar, de repente, se vê dependente da programação do tratamento médico. Não há nada de errado nisso, pois, o apoio deve ser mútuo e incondicional para que os efeitos sejam minimizados. Por outro lado, o tratamento é um período com inquestionável sobrecarga emocional. Há um medo natural da perda do ente querido, sentimento de impotência diante da situação e, possivelmente, uma desorganização psicológica paralisante, em alguns familiares. Por isso, o apoio psicológico é fundamental para TODA a família, não só para a pessoa doente. 

Lembre-se, é um período muito difícil para todos que amam a pessoa acometida pelo câncer. Receber apoio psicológico se reverte em poder de dar apoio, com a qualidade, a paciência e o amor, tão preciosos à pessoa que está lutando contra essa terrível doença. Posso descrever como uma necessidade de FORTALECER-SE PARA FORTALECER! 

MARIDOS, NÃO ABANDONEM SUAS ESPOSAS!

Gostaria que não fosse verdade! Isso é o que eu digo antes de narrar duas experiências que tive. A primeira, no estado do Rio Grande do Sul, testemunhei um marido que, ao saber do diagnóstico de câncer de mama da esposa, “decidiu” assumir o relacionamento extraconjugal. O pior de tudo é que ainda decidiu requerer a guarda das duas filhas. O resultado foi o agravamento do estado de saúde da esposa. Imaginem, diagnosticada com câncer, passando por divórcio litigioso e tendo que brigar pela guarda das filhas. 

A segunda experiência caso foi aqui no Mato Grosso do Sul. Eu e minha esposa conhecemos a mãe de uma coleguinha de escola de minha filha. Uma mulher muito simpática, mas tinha um olhar triste. Pouco tempo depois, soubemos que aquela mulher tinha passado por mastectomia radical nos dois seios e estava passando por quimioterapia. Soube, pouco tempo depois que se tratava da esposa de um sujeito que trabalhava na mesma instituição que eu.

Alguns meses se passaram e notamos o aumento na tristeza daquela senhora. Minha esposa passou a conversar mais com ela. Visitou-a algumas vezes e estabeleceram um forte laço de amizade. Lembro como se fosse hoje, o telefone tocava e minha esposa saía rapidamente para casa da amiga. Lá, cozinhava polenta, que ela gostava e era a única coisa que conseguia comer. Aquela mulher estava numa depressão severa, fraca, magra e sozinha. O marido fazia de tudo para permanecer no trabalho e não atendia telefonemas de casa. Quando estava em casa brigava com a fragilizada esposa.

O inevitável aconteceu. Aquela nossa amiga, que sentimos saudades até hoje, sucumbiu ao abandono. ESTA É A PIOR METÁSTASE DO CÂNCER DE MAMA: O ABANDONO! Na semana passada falei sobre relacionamentos tóxicos. Cada pessoa é livre para decidir se segue ou não no relacionamento nocivo. Não se trata disso. Estamos falando de abandono da mãe de seus filhos, da companheira que antes era formosa à vista e, agora, PRECISA DE APOIO E AJUDA! Por isso, faço um apelo: não abandonem suas parceiras no momento em que elas mais precisam de vocês! Sejam humanos, antes de serem maridos!
Dois homens, duas mulheres com câncer de mama, duas histórias de abandono. Gostaria que fossem as únicas. É importante ressaltar que nenhum deles foi meu paciente. Infelizmente, fizeram parte da minha vida pessoal, bem antes de me formar em psicologia. Como psicólogo tenho o dever ético de não expor, em hipótese alguma, algo que fora dito dentro do consultório. Por isso, fico à vontade de comentar sobre esses acontecimentos, ainda que tenham sido marcantes em minha vida.

A BATALHA É ÁRDUA, MAS HÁ VENCEDORAS!

Não posso “dourar a pílula”, a batalha contra o câncer é árdua, combatida dia após dia. Como psicólogo afirmo que não há nada de errado em se sentir cansada! Como disse anteriormente, somos humanos. Por vezes, precisamos que alguém nos acolha, nos sustente. Sentir medo é normal. O medo serve para nos conter frente às ameaças. Ele cobra de nós uma estratégia para enfrentar o desconhecido. Faz com que organizemos nossas forças para lutar ou fugir. 

Somente na batalha se estabelecem vencedores e vencidos. O câncer não é uma sentença de morte. Há vencedoras! Histórias de vida que inspiram e incentivam. São mulheres reais, que passaram pelo tsunami do diagnóstico, pelas incertezas e pelo medo. Aconselho a essas mulheres que encham o peito e gritem aos quatro ventos: “EU VENCI O CÂNCER DE MAMA! 

Por isso, não há sequer um amanhecer que não deva comemorado. É possível vencer o câncer. Veja...


A Presidente da Associação de Combate ao Câncer da Grande Dourados – ACCGD, Maria Aparecida Palmeira, carinhosamente Cida Palmeira, acrescenta: “Encontrei pessoas muito especiais para minha vida, que me deram suporte para continuar firme e forte e poder ajudar outras pessoas na luta contra o câncer. Estou como presidente da Associação com a missão de ajudar pessoas! Outubro Rosa é o movimento de conscientização e mobilização mundial, para lembrar as mulheres da prevenção do câncer mama. #perguntapraela; pra quem você ama: Você já fez seus exames anuais? Você conhece suas mamas? Você conhece os fatores de risco?”

Agradeço enormemente a colaboração da Associação de Combate ao Câncer da Grande Dourados – ACCGD. Confesso que, enquanto escrevia esta matéria, fui tomado de grande emoção por registrar o depoimento dessas mulheres que venceram a batalha contra o câncer de mama. ESTE TEXTO NÃO SERIA O MESMO SEM ESSAS EXPERIÊNCIAS DE VIDA, QUE ENCORAJAM OUTRAS GUERREIRAS E DEMONSTRAM A FORÇA DE SER MULHER! Minha sincera homenagem a vocês guerreiras! O outubro é rosa, mas a prevenção deve ser o ano inteiro! Você não está sozinha!

Viver é um dom! Viver bem é uma possibilidade mais próxima do que se imagina. Agende sua sessão de terapia. Estou disponibilizando condições diferenciadas nesse período conturbado para a sociedade douradense e das regiões próximas. Aguardo seu contato.

Telefone: (67) 99660-8147

Facebook: Uisney G. Portella Psicólogo

https://uisneypsico.com.br

Rua Toshinobu Katayama 1350, Sala 7, Galeria Planalto, Vila Planalto, Dourados - MS

 

 

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