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EDUCAÇÃO

Pesquisa propõe didática para ensino de matemática para alunos surdos

29 novembro 2017 - 08h59Por Da Redaçao

Comunicar-se por meio das mãos, utilizando sinais. É assim, por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras) que as pessoas surdas se comunicam. Contudo ainda há muitos desafios em torno da inclusão dessas pessoas também no meio educacional, onde os alunos precisam aprender o português (como segunda língua), além das outras disciplinas. Vendo as dificuldades dos alunos no ensino de matemática, Camila Romeiro, mestre, pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), decidiu propor práticas diferentes nas aulas de matemática de uma escola regular numa turma com alunos surdos.

Foram inseridas atividades utilizando o aplicativo GeoGebra aos alunos de uma turma de 1º ano do Ensino Médio, de uma escola de Ponta Porã, em que fazem parte dois alunos surdos. O GeoGebra é uma ferramenta matemática dinâmica que combina conceitos de geometria e álgebra. A sequência didática foi aplicada utilizando também vídeos do Youtube que explicavam o funcionamento do programa em Libras.

Um dos alunos respondeu bem as atividades, pois era alfabetizado em Libras e demostrou tentativas, obtendo erros e acertos. Já o outro aluno copiava perfeitamente os exercícios, mas não tentava executá-los, também tendo dificuldade em entender os sinais em Libras.

Para Camila, o principal problema diagnosticado durante o trabalho executado no Mestrado Profissional em Educação Científica e Matemática foi a dificuldade da comunicação entre o professor da sala e os alunos. “Porque quando não se tem a mesma língua é como uma barreira, um muro que dificulta o seu acesso a outra pessoa. E isso dificulta o acesso, toda questão de conteúdo de dúvidas, se o aluno está entendendo ou não, a questão da interação vai ficar prejudicada. Então esse é um fator muito importante, tanto para o bem ou o contrário”, destacou.

Ela ressalta que as leis vêm sendo muito divulgadas, contudo ainda há muitas dúvidas nas ações dentro das escolas e por parte dos professores.

“É uma necessidade muito urgente na escola que se fale sobre a questão da inclusão, a inclusão da pessoa surda. Como é a necessidade da pessoa surda? Como o professor também vai conseguir se adaptar e flexibilizar a sua ação para essa necessidade? E isso, especificamente, dentro da matemática, que já é um contexto diferente, até mesmo para os alunos ouvintes que não tem nenhum tipo de necessidade especial, já é algo que merece mais atenção”, acrescentou Camila Romeiro.

Na banca de avaliação, que ocorreu na sexta-feira (24), esteve presente a professora Drª Flaviane Reis, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que é surda, além de duas intérpretes de Libras que realizaram a tradução durante toda a apresentação e arguição.

“A pesquisa tem uma grande importância, porque irá contribuir na formação de professores e para o aprendizado da pessoa surda.  A questão do intérprete em sala de aula não significa que resolve o problema da inclusão, pois é preciso estimular o professor a aprender a língua de sinais e ter interação com o surdo. E também é necessário enfatizar que não precisa ensinar o surdo de uma maneira diferente da do ouvinte, mas criar uma estratégia, por meio da Língua Brasileira de Sinais, para se ensinar com interação visual”, observou Flaviane Reis.

O professor, Sonner Arfux de Figueiredo, membro da banca avaliadora do trabalho, ressalta a inovação que a pesquisa traz. “Trabalhar a matemática utilizando um recurso tecnológico com alunos surdos dentro de uma sala regular é inovador. Então isso é importante, porque traz uma discussão não só no âmbito da pessoa surda, da legislação, mas para dentro da universidade: como que se vai discutir a formação do conceito matemático com o aluno surdo?”, questionou.

O professor Lucélio Ferreira Simião, disse que a orientação da pesquisa foi um desafio, pois não fazia parte do seu referencial de estudo, “mas aceitamos, porque recebemos alunos com deficiência na Universidade e é preciso repensar a nossa prática docente. Isso favorece a inclusão, então é uma oportunidade de podermos refletir sobre a nossa prática docente, se esta prática atende a especificidade desse aluno surdo que tem uma outra língua como a sua principal língua de comunicação”.

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