O assassinato de Gabriel Gomes, de 25 anos, baleado dentro de uma padaria, passou a ser usado por criminosos em um golpe de extorsão contra moradores de Cassilândia, na região Leste de Mato Grosso do Sul. Pelo menos duas vítimas procuraram a Polícia Civil nesta terça-feira (1º), após receberem ligações de homens que se apresentavam como integrantes do PCC e exigiam dinheiro sob ameaça de matar familiares.
Segundo o site Campo Grande News, em um dos casos, uma vítima de 41 anos relatou que recebeu uma ligação por volta das 3 horas. Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito afirmou ser “disciplina” da facção criminosa e disse que, por causa do assassinato ocorrido recentemente na padaria, o grupo precisava arrecadar dinheiro para pagar advogados.
Inicialmente, a vítima disse que poderia contribuir com R$ 200. O criminoso, então, teria adotado tom agressivo e afirmado que a cobrança seria de R$ 10 mil por família, mas que poderia reduzir o valor para R$ 5 mil.
Durante a ligação, o golpista citou nomes de familiares da vítima e ameaçou matar todos caso o pagamento não fosse realizado. Como não conseguiu fazer a transferência durante a madrugada, a vítima passou a receber inúmeras ligações após amanhecer.
Com medo das ameaças, foram realizados cinco Pix, que totalizaram R$ 6.314. O dinheiro foi enviado para uma conta bancária indicada pelos criminosos. Após as transferências, a vítima procurou a Delegacia de Polícia Civil de Cassilândia e registrou o caso.
Outra ocorrência foi registrada envolvendo uma vítima de 21 anos. Conforme o registro policial, por volta das 13h40, o companheiro dela recebeu uma ligação de um homem que também se apresentou como “disciplina” do PCC.
O criminoso novamente mencionou o homicídio ocorrido na padaria e afirmou que o “comando” estaria cobrando de cada família valores entre R$ 3 mil e R$ 7 mil.
Assustado, o homem realizou três transferências via Pix, nos valores de R$ 999, R$ 999,77 e R$ 999,95, totalizando R$ 2.998,72.
Mesmo após os pagamentos, o autor permaneceu na ligação e passou a exigir mais R$ 4 mil. Ao ser informado de que não havia mais dinheiro disponível, o golpista teria ameaçado matar toda a família.
As transferências foram feitas por meio da conta da vítima de 21 anos. Diante das ameaças e dos prejuízos financeiros, ela procurou a Polícia Civil e registrou boletim de ocorrência.
Crime na padaria virou argumento para ameaças
O homicídio usado pelos golpistas como argumento para pressionar as vítimas ocorreu no domingo (30), dentro da padaria, em Cassilândia. Gabriel foi atingido por três tiros na cabeça enquanto aguardava atendimento no balcão do estabelecimento.
A vítima foi socorrida e encaminhada para atendimento hospitalar em Três Lagoas, mas não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada na tarde de terça-feira.
Dois homens foram presos durante as investigações do homicídio. Um deles confessou participação no ataque e declarou à polícia que o crime estaria relacionado a uma disputa entre facções criminosas.
Agora, além da investigação sobre o assassinato, a Polícia Civil também apura os golpes praticados por criminosos que passaram a explorar o medo provocado pelo caso para exigir dinheiro de moradores sob graves ameaças contra suas famílias.
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