Os mais de 5 mil empregados em postos de combustíveis de Mato Grosso do Sul querem mais segurança no exercício de suas atividades e não apenas contra os constantes assaltos registrados tanto na Capital como no interior, como também com sua saúde, já que o trabalho, principalmente dos frentistas e profissionais de pista correm risco de contaminação por produtos químicos liberados pelos combustíveis, especialmente o benzeno, responsável pela morte do frentista Gilberto Filiu, em junho do ano passado em Dourados. O alerta é de Gilson da Silva Sá, presidente do Sinpospetro/MS (Sindicato dos Empregados em Postos de Serviço de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de MS).
O Sinpospetro tem solicitado o apoio do Ministério do Trabalho e Emprego em Mato Grosso do Sul – MTE, para marcar mesas redondas com donos de postos para faze-los cumprir acordos coletivos e legislação vigente sobre vários aspectos no ambiente de trabalho. “Precisamos avançar nos quisitos proteção e segurança de nossos companheiros que trabalham nesses ambientes onde correm risco de contaminação”, argumentou Gilson Sá.
O sindicalista informou que tem solicitado essa mesa redonda na sede do MTE para conscientizar os empresários de que é preciso cumprir os acordos e a legislação sob pena de serem autuados por conta disso.
###DESCUMPRIMENTO – De acordo com o Sinpospetro, donos de postos de combustíveis não cumprem principalmente os seguintes acordos e legislações vigentes: - Seguro de vida em grupo (cláusula 22ª da Convenção Coletiva de Trabalho); - Não fornecem uniformes aos empregados; - Não tomam providências para que o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) analise, detalhada e corretamente os riscos aos quais estão, de fato, expostos os trabalhadores, tais como: ergonômicos – trabalho em benzeno e outros hidrocarbonetos aromáticos), evitando-se orientações gerais ou medidas de controle inespecíficas.
Donos de postos precisam também, segundo o Sinpospetro, providenciar para que as informações sobre os riscos ocupacionais existentes nas atividades exercidas pelos trabalhadores da empresa estejamcorrelacionadas entre si dentro do PPRA e do PCMSO. Além disso, esses riscos devem estar detalhadamente assinalados nos Atestados de Saúde Ocupacionais (ASO).
“Os empresários precisam providenciar também – informa Gilson Sam – ordens de serviços de segurança e saúde do trabalhador que contenham informações detalhadas e específicas sobre como os empregados devem proceder para se evitar acidentes de trabalho e doenças profissionais, com especial atenção para Medidas Preventivas de exposição ao Benzeno, nas operações de Descarregamento de Combustíveis, bem como na medição de volume de tanques”.
Além desses itens, segundo o presidente do Sinpospetro, existem outros itens que não estão sendo cumpridos pelas empresas. Ao pedir a mesa redonda com cada empresário, a entidade sindical pede também para que o ministério solicite dos postos comprovantes de entrega de uniformes e EPIs, apólice de seguro e outros documentos necessários para garantia da segurança e saúde dos trabalhadores em postos de combustíveis. “Esperamos que dessa forma, individual, cada empresa seja cobrada para cumprir a legislação e os acordos firmados com os trabalhadores”, afirmou Gilson Sá.
###MORTE EM DOURADOS
O atestado médico feito pela médica Mariana Oliveira Barcelos, de Dourados, confirmou o agravamento da saúde do frentista Gilberto Filiu – morto em junho do ano passado por intoxicação - que tinha sérios problemas de saúde devido à intoxicação principalmente do benzeno, produto químico encontrado nos combustíveis.
De acordo com o atestado, “o paciente Gilberto Filiu apresentou exposição ocupacional ao benzeno durante 29 anos e está em acompanhamento médico neste serviço e em serviço médico especializado devido à insuficiência hepática, agravada pela intoxicação crônica ao benzeno (benzenismo). Em decorrência da patologia, apresenta ainda distúrbio plaquetário, hemocromatose e humor deprimido. Deverá permanecer afastado da exposição ao benzeno para diminuir o risco de agravamento do quadro clínico atual e de desenvolvimento de neoplasias”.
O presidente do Sinpospetro, Gilson da Silva Sá não quer que casos como esse voltem a se repetir em Mato Grosso do Sul. Por isso ele pede mais empenho das empresas nas medidas de proteção à saúde dos trabalhadores.
Deixe seu Comentário
Leia Também
Tese da AGU obriga autor de feminicídio a ressarcir pensão do INSS

Brasil marca presença no Festival de Berlim 2026 com dez produções audiovisuais

Polícia prende acusado de homicídio, mas comparsa segue foragido

Ator de 'O Poderoso Chefão', Robert Duvall morre aos 95 anos
Homem é 'fechado' ao sair de rodoviária, rendido por bandidos e tem carro roubado

Pobreza afeta desenvolvimento de bebês desde 6 meses, mostra pesquisa

Travesti tenta tirar arma de PM em abordagem e acaba atingida com três tiros
Parceria de Luisa Stefani vai para as oitavas de final em Dubai

Dourados está em alerta de chuvas intensas até terça-feira

Segunda noite terá cinco escolas encerrando desfiles na Passarela do Samba em Corumbá
Mais Lidas

Vítima registra ocorrência após descobrir dívida de R$ 72 mil ao tentar financiamento imobiliário

Pescadores constroem rampa para barcos em busca de belas paisagens, esporte e até "dinossauros"

Dourados terá comércio aberto durante o Carnaval; bancos e setor público param
