A reforma agrária está paralisada não apenas em Mato Grosso do Sul, mas em todo o Brasil. Só que ela não pode parar, precisa andar urgentemente, avalia Geraldo Teixeira de Almeida, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul – Fetagri/MS, que teceu duras críticas à senadora Kátia Abreu, presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), que elogiou a presidenta Dilma Rousseff pelo ritmo (lento) da reforma agrária no País.
“A senadora precisa se conscientizar que a distribuição de terras no Brasil não é apenas para resolver problemas sociais, mas econômico também, pois as famílias assentadas são capazes de produzir muito alimento para o consumo interno e até para exportação”, comentou Geraldo Teixeira.
O sindicalista contou ainda a morosidade da reforma agrária está ocorrendo em todo o País. Entretanto, Mato Grosso do Sul é quem mais sofre com esse problema que se agravou quando surgiram denúncias de corrupção dentro do próprio instituto de reforma agrária (INCRA) no Estado, há mais de dois anos.
Na quarta-feira, começa em Campo Grande uma reunião com membros da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), para tratar de diversos assuntos, inclusive esse, da morosidade da reforma agrária no Estado e no País. O encontro, de 28 a 30 de novembro, será no auditório Vicente Palloci, no Bairro Universitário na Capital.
Críticas da Senadora - Ao comentar reportagem publicada ontem pelo Estado, que revelou a queda acentuada do número de assentamentos feitos no governo da presidente Dilma Rousseff – trata-se do pior desempenho em dez anos – e que isso provoca descontentamentos em seu partido, o PT, a senadora afirmou: “A reforma não é uma padaria, que produz pão sem parar. Um dia tem que acabar. No Brasil já está na hora de olhar com mais atenção para os pobres que foram levados para os lotes rurais e não conseguiram melhorar de vida”.
Kátia Abreu contestou o argumento, defendido pelo Núcleo Agrário do PT, de que o elevado índice de concentração de terras no País justificaria uma intervenção pesada do governo na execução da reforma. “Isso não tem respaldo na realidade. Juntos, Canadá, Estados Unidos, Austrália e Argentina têm 2,7 milhões de proprietários rurais. No Brasil nós temos 5,1 milhões. Na média, as propriedades rurais naqueles países têm 220 hectares, enquanto aqui é de 67 hectares.”
O atual modelo de reforma, baseado quase exclusivamente na distribuição de lotes, segundo a senadora, é anacrônico e atende a grupos interessados em se manter no poder no Incra. “Nosso maior problema não é a estrutura fundiária, mas sim o fato de boa parte dos pequenos proprietários rurais não ter acesso a educação, assistência técnica, saúde, segurança jurídica. Suas dificuldades são iguais às dos outros pobres do País.”
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