Quase 100 horas após o sequestro, a família do agricultor Almir de Brum da Silva, de 32 anos, ainda não conseguiu contato com os criminosos. Filho do brasileiro Valmir de Brum, Almir foi levado por homens armados na tarde do último sábado, dia 21 de fevereiro, quando trabalhava na colheita de soja na Colônia Yerutí, nos arredores de Curuguaty, povoado paraguaio na fronteira com Mato Grosso do Sul.
Nesta quarta-feira (25), a esposa e a mãe do agricultor divulgaram comunicado direcionado aos sequestradores pedindo uma prova de vida. “Com muita dor e desespero, pedimos mais uma vez que nos enviem provas da vida de Almir. Todas as noites, seus filhos perguntam quando o papai vai voltar”, disse Dolly Rocío Giménez, a esposa.
Segundo o site Campo Grande News, o governo paraguaio suspeita que o sequestro tenha sido praticado pelo grupo guerrilheiro EPP (Exército do Povo Paraguaio) por causa de panfletos encontrados no local, onde também havia um bilhete destinado ao pai de Almir. O teor não foi revelado.
O comissário Nimio Cardozo, chefe antissequestro da Polícia Nacional, confirmou que os criminosos não fizeram nenhum contato com a família. “Não há pedido de resgate, não há nenhuma negociação”, afirmou.
A família de Almir de Brum pediu para policiais e militares se afastarem do caso, como os sequestradores teriam exigido no bilhete encontrado no local do crime. Entretanto, Cardozo disse que as investigações e as buscas continuam. “Respeitamos a decisão da família, mas não podemos parar de trabalhar”.
Ontem, a Fiscalia, órgão equivalente ao Ministério Público brasileiro, decretou o bloqueio das contas bancárias de familiares do agricultor para evitar pagamento do resgate em negociações sem acompanhamento da polícia.
A área de onde o agricultor foi levado fica perto da reserva natural Campos Morombí, que tem 25 mil hectares de densa vegetação entre os departamentos de Canindeyú (fronteira com Mato Grosso do Sul) e Caaguazú.
O Comando de Operações de Defesa Interna divulgou comunicado informando que vigora no Paraguai uma lei garantindo pagamento de recompensa em guaranis (a moeda do Paraguai) para quem informar sobre o paradeiro de terroristas do EPP. Os valores em reais variam de R$ 238 mil a R$ 796 mil.
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