O ex-governador Zeca do PT, em seu primeiro mandato (1999-2002), adotou a jogatina como política de governo. Lei estadual, da época, oficializou a liberação do jogo de azar em Mato Grosso do Sul. “A Secretaria de Justiça e Segurança Pública sempre encarou os caça-níqueis como política de governo e não como política de segurança. Ainda hoje há casas de jogo do bicho nas ruas”, afirmou ontem o delegado Marcelo Vargas Lopes, que no governo passado foi titular da Delegacia Especializada de Ordem Polícia e Social (Deops), que, no papel institucional, deveria reprimir o jogo.
Citado nos grampos da Polícia Federal, Marcelo Vargas nega envolvimento com a máfia dos jogos e credita a acusação à “raiva desse povo” e acredita que esteja sendo “alvo de retaliação, com certeza”. As investigações da Polícia Federal mostram envolvimento de policiais, que recebiam dinheiro para proteger a jogativa. Em alguns casos, os próprios policiais eram tidos como sócios e até donos de máquinas caça-níqueis, como do coronel Ivan de Oliveira, que em gravação diz ser proprietário de 12 máquinas.
Gravações da Polícia Federal, autorizadas pela Justiça, mostra que os bicheiros não temiam a ação policial. Ari Silas Portugal, que aparece nas investigações como sócio do deputado estadual coronel Ivan (PSB), conversa, por telefone, com um funcionário no dia 8 de março e sugere envolvimento do delegado Marcelo Vargas. “Está do nosso lado,”, diz certo de que suas máquinas não serão apreendidas e diz para o funcionário manter a casa de videobingo aberta. “Fala para ele deixar aberto lá, na nossa ninguém vai mexer não.” E explica: “Ele conhece o cara, tá no lugar do cara que tá do nosso lado. Os caras acho que não pagou lá... Mas não é para deixar levar nada. Só se tiver mandato da Federal, Civil não é para deixar levar não, nem Militar.” Para a Federal, “ele” é Ivan, “o cara” é o delegado da Deops Fernando Augusto Soares Martins - preso na Operação Xeque-mate - e “o cara que tá do nosso lado” é Vargas.
O delegado Marcelo Vargas disse ontem que conversou com o coronel Ivan de Almeida, mas nega seu envolvimento com a máfia do jogo. “Realmente conversei com o coronel Ivan várias vezes, mas foram contatos profissionais.” “Durante todo esse período em que fui titular da Deops, existia uma lei estadual que permitia a exploração das máquinas, inclusive a concessão para uma empresa de Campo Grande, que firmou convênio com a Lotesul”, declaro o delegado. “Era um problema de fiscalização, segundo as orientações de governo. Não era responsabilidade da Deops.”
O delegado lembra que, com base na lei estadual do bingo, o governo Zeca do PT abriu uma licitação e contratou a Jana Promoções, do empresário Jamil Nami - cujo filho, Jamil Nami Filho, foi preso pela Xeque-Mate. “A polícia não tinha competência para fechar bingos”, afirma. Marcelo Vargas diz que a “política de governo” ligada ao jogo ainda vigora: “Ou não existem banca de jogo do bicho na cidade?”
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