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Polícia Federal investiga caso de indígenas atacados em acampamento de Iguatemi

08 setembro 2011 - 14h24

"Estávamos rezando, de repente chegaram dois caminhões cheios de homens, chegaram atirando, ordenaram para queimar barracas e roupas e amarrar todos índios. Saímos correndo, em direção diferente. A 300 metros do local vimos as barracas queimando e muito choro. Faroletes e lanternas estão focando pra lá e cá, as crianças e idosos não conseguiram correr. Os meus olhos enlagrimando (sic) escrevi este fato. Quase não temos mais chance de sobreviver neste Brasil”.

Esse é o relato de um indígena da etnia guarani-kaiowá, líder de um grupo que vivia acampado às margens de uma estrada vicinal no município de Iguatemi. Conforme denúncia, os indígenas foram atacados por homens armados no último dia 23 de agosto, por volta das 20h. O ataque deixou vários feridos, principalmente crianças e idosos, que não conseguiram correr. O acampamento foi totalmente queimado, assim como os pertences dos índios e o estoque de comida.

O Ministério Público Federal (MPF) de Dourados pediu abertura de inquérito na Polícia Federal em Naviraí para investigar o crime. Conforme o MPF, foram encontrados dezenas de cartuchos de munição calibre 12 anti-tumulto (balas “de borracha”) e há indício de formação de milícia armada. O órgão trata o caso como genocídio, já a violência contra os indígenas teria sido motivada por questões étnicas.

####Indígenas ainda correm risco

De acordo com o MPF, mesmo depois do ataque, os indígenas retornaram ao mesmo acampamento, pois não têm para onde ir. Cerca de 70 mil índios de diversas etnias aguardam a demarcação das terras em cumprimento a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo MPF e a Fundação Nacional do Índio (Funai) em 2007, e que até hoje não foi cumprido.

A área reivindicada pelo grupo guarani-kaiowá é conhecida como Puelito Kue e já foi estudada pelos antropólogos da Funai. O relatório, cuja publicação é uma das fases da demarcação de terras indígenas, está em fase final de redação.

#### Outros ataques

A nota divulgada pelo MPF diz ainda que houve dois outros eventos violentos envolvendo a comunidade indígena. Em 14 de Setembro de 2003, um grupo tentou retornar à área. Dois dias depois homens armados invadiram o acampamento e expulsaram os indígenas.

Em 8 de dezembro de 2009, um novo caso contra o grupo. Segundo depoimento prestado ao MPF, os índios foram amarrados, espancados e colocados num caminhão, sendo deixados em local distante do acampamento. O indígena Arcelino Oliveira Teixeira desapareceu sem deixar pistas. O corpo nunca foi encontrado.

Confira abaixo fotos do acampamento após o ataque
###### (Informações: Assessoria MPF/MS)

 

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