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Miliciano foi morto com tiros de fuzil e carabina após resistir à prisão

12 fevereiro 2020 - 20h35Por G1

O miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega morreu após ser atingido com um tiro de fuzil e outro de carabina disparado por dois policiais militares da Bahia. É o que informa o registro de ocorrência que relata a morte do criminoso, no último domingo, dia 09 de fevereiro.

Segundo peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) da Bahia, dois tiros também foram disparados por Adriano, em reação à tentativa de prisão, e teriam atingido o escudo de um dos PMs. Nenhum policial se feriu na ação.

"Olhando preliminarmente enxergamos duas marcas provenientes de impactos relevantes. As equipes agora analisarão se existem fragmentos de chumbo ou cobre, presentes em projéteis", explicou o diretor do DPT, Élson Jefferson Neves da Silva.

Pescoço e ombro atingidos

Segundo Élson a necropsia no corpo de Adriano atestou duas perfurações por arma de fogo. Uma entre o pescoço e a clavícula e outra no tórax.

O registro de ocorrência foi feito no Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), da Bahia.

De acordo com o relato do tenente da PM Juarez Moreira Santana, no início da manhã de domingo (9), um grupo de policiais se aproximou da cerca de arame farpado do sítio onde o miliciano estava escondido.

Do lado de fora, avistaram um homem com as mesmas características de Adriano, como havia sido descrito por um morador da região,– que não se identificou por medo de represálias.

Neste momento, segundo o tenente, Adriano viu a aproximação dos policiais, "sacou uma pistola de cor preta" e entrou no imóvel, contou o policial.

A casa de um quarto foi cercada. Do lado de fora, o tenente conta que anunciou a Adriano a ação policial: "determinando que o indivíduo saísse do imóvel". "Entretanto, não foi atendido", diz o registro.

Três policiais foram destacados para entrar na casa: o tenente Santana e os soldados identificados como Derick e Gama.

Derick usava um escudo balístico para proteger o trio, além de uma submetralhadora e uma pistola, de calibre nove milímetros. De acordo com o depoimento, ele não atirou contra Adriano.

O tenente vinha atrás com um Fuzil Automático Leve (FAL) e uma pistola. O soldado Gama trazia uma carabina e uma pistola.

No relato, o tenente conta que o soldado Gama arrombou a porta com um instrumento conhecido como ariete. A partir deste momento, Adriano, armado com uma pistola, segundo o depoimento, começou a atirar.

O tenente e o soldado Gama revidaram. Um com o FAL e o outro com a carabina. A quantidade de disparos feitas contra Adriano não está relatada no documento. Dois tiros o atingiram.

O miliciano, acusado de ser um dos integrantes do chamado Escritório do Crime e investigado nas chamadas "rachadinhas" do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, estava num espaço que liga a sala aos quartos e banheiro, onde caiu ferido.

Ainda de acordo com o depoimento, após o confronto, Adriano aparentava estar vivo, foi socorrido e morreu num hospital da região.

O Instituto Médico Legal da Bahia liberou na terça-feira o corpo para a família de Adriano. O laudo da perícia relata anemia profunda, politraumatismo e perfuração.

Nesta quarta, a Justiça proibiu a cremação, pedida pela família, por alegar que faltavam documentos.

Flávio Bolsonaro se manifesta sobre morte

O hoje senador Flávio Bolsonaro se manifestou pela primeira vez sobre a morte do ex-capitão numa postagem na internet.

A manifestação foi feita depois da notícia da decisão impedindo a cremação.

Quando era deputado estadual, Flávio homenageou o ex-PM duas vezes. Na época, Adriano já respondia por crimes (veja o histórico abaixo).

O parlamentar também empregou a mãe e a ex-mulher de Adriano no gabinete na Assembleia Legislativa do Rio. As duas também são investigadas no esquema das rachadinhas.

Histórico de Adriano

Maio de 2003 – um técnico de refrigeração foi morto durante uma operação policial na Cidade de Deus. Quase 17 anos após o homicídio, o inquérito ainda não foi concluído. Os acusados são dois policiais militares que, na época, pertenciam ao mesmo batalhão: Adriano da Nóbrega e Fabrício Queiroz, que anos depois ficaria conhecido pela suposta participação no esquema das "rachadinhas" da Alerj.

Outubro de 2003 – o deputado estadual Flávio Bolsonaro fez a primeira homenagem ao então tenente Adriano da Nóbrega. Uma moção de louvor em que destacou que o militar desenvolvia sua função com "dedicação" e "brilhantismo".
Janeiro de 2004 – Adriano foi preso por outro crime: a morte de um guardador de carros que, na véspera do assassinato, tinha denunciado um grupo de milicianos.

Junho de 2005 – o deputado Flávio Bolsonaro fez nova homenagem a Adriano da Nóbrega, com a mais alta honraria da Alerj. O homenageado não compareceu à Assembleia para receber a Medalha Tiradentes porque continuava preso.

Outubro de 2005 – Adriano foi condenado pelo homicídio em júri popular. Quatro dias depois da condenação, o então deputado federal Jair Bolsonaro fez um discurso na Câmara dos Deputados em defesa de Adriano. Bolsonaro contou que compareceu ao julgamento do PM, segundo ele, um "brilhante oficial".

2007 – Adriano recorreu da sentença e foi absolvido em novo julgamento. No mesmo ano, o ex-colega dele no Batalhão de Jacarepaguá, Fabrício Queiroz, já expulso da polícia, passou a trabalhar no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Queiroz indicou a ex-mulher de Adriano da Nóbrega, Daniele Mendonça, que foi contratada como assessora do gabinete.

Setembro de 2008 – Adriano da Nóbrega voltou a ser preso, por um atentado ao pecuarista Rogério Mesquita, inimigo de bicheiros.

Dezembro de 2013 – Adriano foi expulso da PM do RJ por envolvimento com o jogo do bicho, mas não foi condenado por este crime na Justiça.

Abril de 2016 – A mãe de Adriano, Raimunda Magalhães, foi nomeada assessora de Flávio Bolsonaro.

Dezembro de 2018 – começou a investigação sobre as rachadinhas na Alerj. De acordo com o Ministério Público, Adriano era um integrante da organização criminosa que agia no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro. E recebia parte de recursos vindos da "rachadinha". Segundo as investigações, o esquema seria operado pelo amigo de Adriano dos tempos da PM, Fabrício Queiroz.

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