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CRIMES BÁRBAROS

Com cinco casos, número de feminicídios cresce em Dourados na pandemia

29 julho 2021 - 14h31Por Thalyta Andrade

Dados da Deam (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Dourados obtidos pelo Dourados News revelam o registro de cinco crimes de feminicídio em pouco mais de um ano e meio de pandemia.

O número já supera 2019, quando o coronavírus ainda não circulava pelo país e teve apenas um registro de morte e cinco tentativas.

Conforme o levantamento, em 2020, no começo das restrições, foram três assassinatos somados a outras três tentativas. Já em 2021, até o momento, são dois casos de cada.

O mais recente foi o da detetive particular Zuleide Lourdes Teles da Rocha, morta aos 57 anos com um tiro na cabeça, no dia 19 de junho deste ano, no bairro Vival dos Ipês, em uma emboscada articulada pelo próprio marido (relembre aqui).

A reportagem conversou com a delegada titular da Deam de Dourados, Paula Ribeiro. Questionada sobre o índice de certa forma mais letal em meio a pandemia, ela explicou que considerando o tamanho da cidade o cenário é estável estatisticamente.

“Considerando que Dourados é o segundo maior munícipio do Estado, com uma população de mais de 200 mil habitantes, os números registrados de feminicídios nos últimos anos se revelam baixos se comparados a outras cidades com o mesmo contingente populacional. Isso se deve, entre outros fatores, a atuação conjunta das instituições estatais como a Polícia, Ministério Público, Defensoria Pública, Poder Judiciário e da rede de enfretamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, composta por representantes de diversos setores da sociedade. Isso permite um amparo jurídico e psicossocial às vítimas de violência. Contudo, apesar do baixo número, importante termos em mente que a vida de todas importam, sendo responsabilidade de todos atuar na defesa e evitar que novos feminicídios venham a ocorrer na nossa sociedade”. 

O que se enquadra como feminicídio

Inserido no Código Penal brasileiro em 2015, pela Lei nº 13.104, o feminicídio é uma qualificadora do crime de homicídio. O objetivo foi trazer ao cenário criminal um maior rigor na punição a autores de violência letal contra mulheres por sua condição de gênero.

“São violências as quais, conforme previsão legal, se verificam quando o crime envolve violência doméstica e familiar contra a mulher, isto é, quando é cometido no âmbito da unidade doméstica, familiar ou em qualquer relação íntima de afeto. Ou ainda quando a morte é provocada por menosprezo ou discriminação à condição de ser mulher, o que pode ocorrer ainda que não exista qualquer vínculo entre agressor e vítima. Assim, no feminicídio, há a violência perpetrada por razões de gênero, manifestada pela misoginia e pela objetificação, o que o diferencia, portanto, do homicídio comum”, explicou a titular da Deam de Dourados.

Com pandemia, vítimas de violência tiveram acesso dificultado para denúncias

Muitos dos crimes de feminicídio geralmente se iniciam em uma rotina de violência doméstica que acabam levando ao assassinato da vítima. Com a pandemia e o isolamento social, os casos de agressões no âmbito domiciliar, principalmente contra vítimas mulheres, se multiplicaram, segundo destacado por Paula. 

“O aumento do convívio familiar, atrelado ao desemprego, a intensificação do trabalho doméstico [home office], bem como o consumo de álcool e drogas colocou as mulheres em situação de maior vulnerabilidade social frente a violência doméstica”. 

No entanto, os números de certa forma ‘mascaram’ e não refletem essa realidade, tendo em vista que o acesso a autoridades ou a redes de apoio foi dificultado.

“Acontece que com o confinamento, restrição do transporte público, fechamento de escolas e comércio, toque de recolher, entre outros, as mulheres encontraram maiores dificuldades em procurar a rede de enfrentamento e de comparecer a Delegacia Especializada para registro de boletim de ocorrência. Muitas não tiveram como solicitar medidas protetivas de urgência, o que levou a redução nas estatísticas de registros de boletins. Assim, no início da pandemia, foi possível observar uma considerável redução da procura de ajuda por essas mulheres, mas em contrapartida houve um expressivo aumento das prisões em flagrante de infrações em âmbito doméstico, bem como das denúncias anônimas pelo Disque 180 e Dique Direitos Humanos”, finalizou a delegada.
 

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