PAULO PEIXOTO
O governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, quer ver o presidenciável petista Luiz Inácio Lula da Silva aderindo à sua vanguarda "cor-de-rosa". Ou seja, que amplie suas alianças políticas para chegar ao Planalto em 2002 e, mais do que isso: garantir a governabilidade se ganhar a eleição.
O que Zeca quer de Lula é, na prática, o que ele faz em Mato Grosso do Sul. Zeca governa com o apoio de uma parte do PSDB e outra do PMDB, partido de seu principal rival, o prefeito de Campo Grande, André Puccinelli, pré-candidato ao governo estadual.
A teoria política aplicada por Zeca e seu grupo tem a seguinte premissa: para se reeleger, o PT precisa conquistar parte do eleitorado ainda resistente ao partido. Para isso, precisam agregar à frente de esquerda formada em 1998 - com PDT, PSB, PPS e PC do B-, se não os partidos de "centro", algumas de suas lideranças.
"Nenhum partido governa só, e o voto [no Brasil] não é ideológico. A aliança é necessária para ter governabilidade e fazer reformas profundas", disse o governador. "Essa é a grande oportunidade do Lula. Ele não pode errar."
A postura "light" de Zeca e a sua "relação de aproximação e respeito" com Fernando Henrique Cardoso, segundo ele mesmo, já dura quase dois anos. "Muito devo à sua pessoa", disse Zeca a FHC, na quinta-feira passada. Isso fez dele uma referência para FHC, que disse que a oposição deve se espelhar em Zeca para dialogar e ajudar o governo nas crises.
Essa proximidade com FHC e as articulações para a reeleição, que já começaram, fez a esquerda petista de Mato Grosso do Sul ficar com o pé atrás. Minoria no Diretório Estadual, essa ala vai tentar aprovar na convenção regional de setembro a tese de que quem define ações administrativas é o governador, mas quem define alianças e acordos políticos é o partido.
"Há uma autonomia excessiva em relação à linha política. Algumas alianças comprometem a linha programática", disse o ex-secretário da Educação do governo até a quinta, deputado estadual Pedro Kemp. Sua saída foi uma espécie de demissão combinada.
Kemp, da esquerda do PT-MS, disse que Zeca pediu que ele voltasse para a Assembléia para evitar um desgaste para o partido, já que dois suplentes brigavam na Justiça pelo direito de assumir a cadeira. Mas o motivo real, para Kemp, é outro: "Já é a disputa do diretório". Nos bastidores, o grupo de Zeca trata a saída de Kemp como uma demissão feita pelo governador. Com isso, ele tenta unificar seu grupo, que se dividiu na disputa pelo diretório.
Nos dois anos e seis meses do governo petista, FHC visitou o Estado seis vezes. Isso já está suscitando uma indagação da população ao governador quando ele sai às ruas, segundo o próprio Zeca: se ele é o candidato de FHC no Estado. A Agência Folha refez a pergunta a Zeca. "Não sei. Nem sei se sou candidato à reeleição."Fonte Agência Folha.
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