Comemoramos todos os anos, no dia 19 de Abril, o Dia do Índio. Esta data comemorativa foi criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540. Interessante que somente depois de 443 anos após a chegada dos portugueses que os indígenas foram homenageados com o seu dia, como resultado do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México.
Isto nos remete a uma reflexão importante, pois demonstra o tratamento e a importância que os povos indígenas tiveram historicamente para o “homem branco”, que por séculos foram perseguidos, agredidos e dizimados. Fazendo um recorte, o grande poeta Oswald de Andrade, já dizia: “Quando os portugueses descobriram o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade”.
Este artigo, não se resume a uma simples homenagem aos povos indígenas, já que Dourados tem o privilégio de ter a maior reserva do Estado, mas de fazer uma reflexão sobre a realidade das nossas aldeias e os problemas que afligem as comunidades indígenas, como a violência, a fome e a falta de terras, bem como destacar os avanços alcançados e os desafios a serem enfrentados.
Tive a oportunidade de acompanhar as ações da Prefeitura dentro das aldeias e de fazer parte da CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar as causas da desnutrição das crianças indígenas. Pude perceber que nestes quase sete anos e meio da Administração Tetila ouve grandes avanços e conquistas como a diminuição do número de óbitos de crianças com casos avançados de desnutrição.
Tenho acompanhado também as atividades da Prefeitura, onde 2.460 pessoas passaram a integrar as ações da agricultura familiar, bem como a preparação de 1.400 hectares de terra para o plantio de milho, mandioca, amendoim, feijão e arroz. Na infra-estrutura, construção de 600 casas, construção reforma e ampliação de escolas, Centro de Referência de Assistência Social – CRAS, distribuição de rede de Água e Energia, entre outras conquistas.
Alguns projetos que estão gerando uma boa perspectiva aos indígenas, como os projetos de mandala, para produção de hortaliças e investimentos da Prefeitura na construção de 34 açudes para produção de peixes, cessão de equipamentos (ferramentas) para os índios trabalharem suas lavouras e na manutenção de cinco tratores com os respectivos tratoristas, um técnico e dois funcionários administrativos para atuarem na Reserva e tantas outras atividades.
Este mês ainda nos dias 24 a 26 de abril o projeto “Ka`agwy Renopou`ã” (Florescer na Mata), desenvolvido nas Aldeias Panambizinho, e Bororó, em Dourados, será apresentado durante o X Congresso Internacional de Cidades Educadoras, que acontece em São Paulo, no Palácio das Convenções do Anhembi.
Todas estas interferências da administração municipal e do governo federal foram substanciais, no entanto, muitos indígenas não terão o que comemorar no se dia, pois o acúmulo, pois a dívida acumulada ao longo do tempo pelos sucessivos governos em todas as esferas, tornam estas ações insuficientes para resolver tantos problemas. O mais grave deles é a falta de terras para plantar e para o desenvolvimento do artesanato, da dança e enfim da sua cultura.
Muito já foi feito e muito há de se fazer para que o 19 de abril possa verdadeiramente ser comemorado, não só pelos povos indígenas, mas por todos que sonham e lutam por uma vida mais digna e justa para os índios.
Elias Ishy de Mattos
Vereador de Dourados
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