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Venda de trabalhos acadêmicos é um mercado promissor

04 junho 2005 - 12h53

Trabalhos acadêmicos, principalmente de conclusão de curso, em geral, pressupõem muita pesquisa, dedicação e conhecimento. Entretanto, em muitos casos, para conseguir a aprovação, que serve como porta de entrada para o universo profissional, apenas um ato é necessário: pôr a mão no bolso e alimentar uma indústria de fraudes. Em Campo Grande, fazer trabalhos para acadêmicos é um mercado promissor, que parece não enfrentar crise. Basta um ‘giro’ pelos corredores das universidades ou uma olhada displicente nos classificado de jornais para encontrar anúncios de digitação de trabalho. “Na verdade, ninguém coloca faço trabalhos e monografia. O anúncio de digitação funciona como porta de entrada, a pessoa entra em contato e aí começa a negociação. Para uma monografia, o mínimo que cobro são R$ 600, mas os valores podem chegar a R$ 2 mil, para trabalhos de pós-graduação”, explica Vânia(), professora universitária. Com mais de 10 anos experiência na atividade, ela comenta que é assustadora a quantidade de pessoas despreparadas. “Muitas só conseguem a aprovação devido aos meus trabalhos. Em geral, elas escrevem muito mal e desconhecem totalmente a abordagem do assunto, pelo qual, posteriormente, recebem nota dez”, assinala.Vânia vai além de elaborar o conteúdo, presta uma espécie de assessoria, onde acompanha passo a passo a realização do trabalho. “Em alguns casos escolho o tema, faço o titulo e preparo o pré-projeto que será apresentado para o professor orientador”. Ela vai além, e ainda ensina o aluno a apresentar o trabalho. Valendo-se da didática acumulada como professora, orienta o aluno sobre o tema da ‘sua’ monografia. São verdadeiras aulas, onde a pessoa recebe noções básicas sobre o trabalho que vai finalizar a sua vivência acadêmica.Na opinião de Lúcia(), formada em Direito e Educação Física, a atividade é rentável. “Por hora cobro R$ 10, o que ajuda, e muito, no orçamento doméstico”, salienta. No momento, ela já está elaborando quatro monografias, mas acredita que no próximo semestre aumente a quantidade de trabalhos.Apesar de ser uma prática comum e quase todo mundo no meio acadêmico ter informações sobre pessoas que já tenham se valido desse expediente, as universidades afirmam desconhecer a prática. Na UFMS (Universidade federal de Mato Grosso do Sul), a pró-reitoria de graduação afirmou não ter conhecimento de casos de fraude. Na Uniderp, a assessoria de imprensa informou que o setor de ouvidoria não ouve denúncias relacionadas ao assunto.Para Vânia, os professores fazem ‘vista grossa’. “São no mínimo quatro anos de convivência, é impossível não perceber quando um aluno mediano apresenta um trabalho brilhante”, argumenta.Eliana (), graduada em história pela UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), se diz arrependida de ter utilizado, no primeiro ano da faculdade, os serviços de ‘digitadores’. “Éramos em um grupo de cinco pessoas, cada uma pagou R$ 95, para no final tirarmos nota sete”, relata. “Se for para tirar a média, prefiro fazer sozinha”, acrescenta.Apesar da prática ser antiga, o Código Penal Brasileiro não tipifica como fraude a reprodução do texto, já que conta com a autorização do autor. Porém, do ponto de vista ético, a utilização desse expediente deixa no ar uma interrogação quanto à qualidade e a credibilidade de profissionais que, anualmente, as universidades destinam ao mercado de trabalho. Para a acadêmica de Letras Bruna de Sá Rocha, de 18 anos, uma alternativa é os professores passarem a exigir trabalhos mais originais. “De certa forma, o trabalho teria que ser condicionado as particularidades do aprendizado em sala de aula. Se a pessoa não participar das aulas não teria condições de trabalhar o tema”, pondera.() Os nomes das entrevistadas foram alterados a pedido.

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