Durante reunião administrativa da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga o uso indevido dos cartões corporativos do governo federal, o deputado federal Vic Pires Franco (DEM-PA) disse agora há pouco que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua comitiva gastaram US$ 8,71 mil (R$ 14,8 mil) com alimentação e bebidas a bordo do Airbus presidencial em viagem, entre os dias 23 e 24 de setembro de 2007, a Nova York.
A revelação feita pelo oposicionista irritou parlamentares da base aliada, que reclamaram do vazamento de informações que podem ser consideradas sigilosas do Palácio do Planalto. Vic Pires se recusou a revelar a fonte da informação, mas ressaltou que não havia nenhum indicativo no documento ao qual teve acesso de que o dado era sigiloso. O deputado paraense afirmou que o funcionário encarregado e contratar e pagar as contas (ecônomo) do Planalto reservou US$ 50 mil para despesas da viagem e devolveu US$ 15 mil.
Após as declarações do oposicionista, o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), correu ao plenário da comissão para protestar contra a divulgação dos dados da Presidência. “Será que a régua para medir o bom uso do dinheiro público é medir a comidinha servida no avião? Um gasto coberto por sigilo não quer dizer que ele não seja fiscalizado. Para isso, tem o TCU, a CGU e o Ministério Público Federal. Temos de discutir temas importantes para o país. Não podemos ir de tapioca em tapioca, de comidinha em comidinha”, reclamou Fontana. O petista também criticou a abertura de uma segunda CPI para tratar do assunto no Senado. “Não vamos colocar dinheiro público na lata do lixo”, protestou.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), promete ler hoje o requerimento apresentado pela oposição determinando a instalação de uma CPI formada apenas por senadores. Questionado por Vic Pires se os dados sobre a alimentação do presidente também eram sigilosos, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Félix, respondeu que apenas as informações que dizem respeito à segurança do presidente, do vice e de seus respectivos familiares não poderiam ser divulgadas. No caso da alimentação, explicou, é mantido sob sigilo quem faz e quem transporta a comida.
Integrante da base governista, o deputado federal Carlos Willian (PTC-MG) defendeu a identificação do responsável pelo vazamento das informações. Willian insinuou que as informações poderiam ter partido de um arquivo particular do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
A declaração do deputado mineiro constrangeu o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional Alberto Cardoso, que assistia, no plenário, como convidado, à reunião da CPI. Cardoso, que estava sentado ao lado de Vic Pires Franco, deixou a comissão em silêncio. O deputado paraense disse que convidou o ex-ministro a se sentar no local, mas que não foi ele quem repassou as informações. “Nós não nos conhecíamos. Eu tive de me apresentar a ele como deputado”, afirmou.
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