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Valério diz que distribuía dinheiro ao PT a pedido de Delúbio

16 julho 2005 - 10h04

O empresário Marcos Valério, apontado como o operador do "mensalão", disse que atuava a pedido do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Ele falou em entrevista ao Jornal Nacional e por meio de nota divulgada à imprensa.Nelas, reconheceu ter organizado um esquema para financiar o PT. Disse que negociou empréstimos milionários e repassou "integralmente" o dinheiro ao partido ou a pessoas indicadas pelo ex-tesoureiro. "Foram vários empréstimos. As empresas foram os tomadores e os sócios, avalistas. As empresas repassaram ao Partido dos Trabalhadores."O empresário disse que decidiu abrir o jogo porque não tinha interlocutores no PT. "Quando vi que as coisas estavam tomando uma proporção totalmente equivocada, tive de conversar, mas perdi a interlocução [já que Delúbio não é mais o tesoureiro do PT]."Ele negou saber do mensalão, suposto esquema de pagamento de mesada a deputados da base aliada. "Posso adiantar que nunca foi relacionado a nenhum "mensalão"".O empresário, que se negou a revelar o valor total dos empréstimos contraídos, disse que vai cobrar do PT a dívida. "Vamos tentar negociar com a nova direção do Partido dos Trabalhadores. Foram empréstimos legais, junto ao sistema financeiro privado."Disse que não falou sobre esses emprétimos em seu depoimento à CPI, no dia 6 de julho, porque "as pessoas que pediram [os empréstimos] é que tinham de se pronunciar". Ele disse que fez os empréstimos em nome de suas empresas porque ele e seus sócios confiavam em Delúbio.À tarde, o novo tesoureiro do PT, deputado José Pimentel (CE), disse que o PT que "honrará todos os seus compromissos financeiros" e que a dívida do partido, até o final do ano passado, era de R$ 20,4 milhões.Valério e DelúbioA entrevista e a nota de Valério foram veiculadas quatro dias depois de o empresário ter se encontrado com Delúbio, segundo o Painel da Folha de S.Paulo, e um dia após ter ido ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, oferecer colaboração nas investigações em troca de benefícios futuros como réu em uma eventual ação penal. A oferta feita ao procurador-geral foi recusada.Antonio Fernando de Souza disse à Folha de S.Paulo que considerou "inoportuno" fechar esse acordo porque as investigações ainda estão em fase preliminar. Para o procurador-geral, não se sabe o grau de envolvimento do publicitário nem quanta informação ele poderia dar para auxiliar as apurações."Ele ofereceu [colaboração], mas eu não aceitei, porque achei inoportuno. A investigação está apenas no início. Não está definida a extensão do envolvimento dele", disse Antonio Fernando à Folha de S.Paulo.Segundo a Procuradoria Geral, a iniciativa do depoimento de Marcos Valério partiu do próprio empresário. Além de propor o acordo, ele teria dado explicações sobre as atividades de duas das empresas das quais é sócio -DNA e SMPB- no governo e entregue documentos.O procurador-geral disse que não poderia dar detalhes sobre a conversa nem falar sobre o teor dos documentos porque a investigação corre sob sigilo.PTMinutos antes de o Jornal Nacional começar, o PT aproveitou espaço do partido na televisão para a divulgação de um comunicado em que afirma que o PT, "assim como seus militantes, não teme a verdade" e que tomará medidas mais transparentes para a administração do partido. Também pouco antes do início do JN, Valério divulgou nota oficial. Segue a íntegra:"O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza torna público que: 1) em atenção a pedidos do senhor Delúbio Soares, então secretário nacional de finanças do Partido dos Trabalhadores, contraiu vários empréstimos bancários em nome das agências de publicidade SMP&B e DNA, no período de 2003 a 2005; 2) as referidas operações de crédito, bem como toda a movimentação financeira originária daquelas operações, obedeceram sempre às normas vigentes para o sistema financeiro nacional; 3) os recursos originários dos financiamentos foram transferidos, sempre segundo a legislação que regula o sistema financeiro, para o Partido dos Trabalhadores, a título de empréstimos, e depositados na rede bancária para pessoas indicadas pelo então secretário de finanças do PT, senhor Delúbio Soares. 4) todos os pedidos de socorro financeiro feitos pelo senhor Delúbio Soares baseavam-se, de acordo com o próprio secretário do PT, na necessidade de saldar dívidas relacionadas a campanhas eleitorais. O empresário Marcos Valério reafirma que não tem conhecimento e, muito menos, qualquer envolvimento com a suposta prática do que tem sido denominado de "mensalão"."

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