Pesquisadores brasileiros se debruçam sobre microscópios e tubos de ensaio na esperança de encontrar uma cura para a dengue. No Rio, a Fiocruz se prepara para testar uma vacina em macacos. Em São Paulo, o Butantan já comemora os primeiros resultados em humanos. A previsão é que, em quatro anos, a vacina esteja disponível.
"Controlar os focos de reprodução do mosquito é difícil, mas desenvolver uma vacina também não é fácil. Já testamos uma vacina monovalente em macacos e ela funcionou muito bem. O próximo passo é testar uma tetravalente (contra os quatro vírus) em macacos", adianta o pesquisador Ricardo Galler, vice-diretor de desenvolvimento tecnológico de Bio-Manguinhos, da Fiocruz.
A Fiocruz não está sozinha na tarefa de erradicar o vírus da dengue. Em São Paulo, o Butantan fechou parceria com o Instituto Nacional de Saúde, dos EUA. Só o Programa para Tecnologia Apropriada na Saúde, do dono da Microsoft, Bill Gates, doou US$ 55 milhões para acelerar a produção de uma vacina antidengue.
"Há quatro anos, o Butantan acompanha o desenvolvimento da vacina tetravalente do Instituto Nacional de Saúde. Ela foi testada em macacos e em humanos e é a que tem a melhor probabilidade de funcionar. A vacina demonstrou eficácia e segurança em voluntários que receberam mais de um subtipo do vírus, o que poderia desencadear o risco de dengue hemorrágica", avalia o diretor do Butantan, Isaías Raw. Segundo especialistas, até o momento, no Brasil, circulam os subtipos 1, 2 e 3 da dengue.
O vírus 4, freqüente na Ásia, ainda não chegou ao País. Ao ser infectada uma vez, a pessoa fica imune para o resto da vida contra o subtipo que a infectou. Mesmo assim, ela ainda pode ser contaminada pelos demais subtipos. Em outras palavras: uma pessoa pode pegar dengue quatro vezes.
"Se fizéssemos uma vacina com os subtipos 1, 2 e 3, até poderíamos resolver o problema de imediato. Mas, se o vírus 4 infectasse a população já exposta aos vírus 1, 2 e 3 da vacina, poderíamos causar um grande aumento na incidência da forma hemorrágica da doença. Se fazer uma vacina que funcione em todo o mundo já é difícil, imagine fazer quatro ao mesmo tempo", esclarece o pesquisador Ernesto Marques Júnior, da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore, nos EUA.
Multinacionais estão na briga
Pelo menos duas grandes multinacionais, a francesa Sanofi-Pasteur e a britânica GlaxoSmithKline, estão na vanguarda das pesquisas com vacinas antidengue. A desenvolvida pela Sanofi-Pasteur é a primeira a entrar na fase final de testes. Na fase anterior, a da segurança, cerca de 100 voluntários jamais expostos à dengue receberam a vacina e produziram anticorpos contra os vírus. Na próxima fase, a que comprova a eficácia da vacina, os testes serão realizados em países como México, Vietnã e Filipinas.
No Brasil, a expectativa do Butantan é que a produção, 100% nacional, seja suficiente para atender ao País inteiro. E, em caso de excedente, ainda oferecê-la para África e América Latina. Por ser uma vacina nova, não é possível garantir quantas doses serão necessárias para imunizar o paciente. "Calcula-se que o ideal sejam duas com, pelo menos, seis meses de diferença. Como o período de maior transmissão começa em janeiro, o correto seria tomar a primeira dose em maio e a segunda em novembro", avalia Galler.
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