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CAPITAL

Três PMs são presos após denúncia de agressão

20 janeiro 2016 - 16h05



Após denúncia de agressão, três policiais militares de Campo Grande foram presos em flagrante pela Corregedoria da corporação. O fato teria ocorrido contra um adolescente de 15 anos durante uma abordagem policial na avenida Júlio Castilho, na tarde de terça-feira (19).

De acordo com informações do G1 MS, o tenente-coronel José Gomes Braga, corregedor-adjunto da PM, disse que os policiais prestaram depoimento e negaram a abordagem relatada na denúncia. O adolescente tem registros de atos infracionais.

A Associação de Cabos e Soldados da PM e do Bombeiro de Mato Grosso do Sul (ACS) considera as prisões "arbitrárias e injustas", segundo o presidente Edmar Soares da Silva. Ele disse ao G1 que a equipe não abordou o adolescente que fez a denúncia e negou qualquer tipo de agressão ou excesso na abordagem policial.
"Essa denúncia não é verdade. Consideramos falsa comunicação de crime. E vamos provar isso. Nosso advogado está acompanhando o caso e, até o momento, ele não encontrou nos autos nenhuma prova ou testemunha de que os policiais agrediram, agiram da forma denunciada ou tivesse apreendido esse adolescente", ressaltou.

Os policiais presos foram encaminhados para o presídio militar de Campo Grande e o auto de prisão em flagrante será remetido ao juiz militar, porque os militares estavam em serviço. O juiz deve decidir pela manutenção ou relaxamento da prisão.


Relatos do fato

Segundo o corregedor-adjunto da PM, a família do adolescente denunciou que ele foi agredido por policiais durante uma abordagem e depois deixado na saída para Rochedo. O garoto reconheceu três dos quatro militares da equipe como agressores. O quarto integrante da viatura não foi apontado pelo adolescente e não foi preso.
Para a Corregedoria, o adolescente contou que estava na garupa de uma motocicleta, pilotada por outro garoto, quando uma viatura da PM se aproximou deles. O adolescente disse que foi abordado pela polícia e desceu da motocicleta, mas o piloto fugiu.

Segundo o garoto, a equipe policial seguiu o piloto, mas não conseguiu alcançá-lo e depois voltou ao local da abordagem, onde o garoto estava. Ele disse que foi colocado na viatura e levado pelos policiais para outro local, onde foi forçado a falar quem seria o piloto que fugiu.


Ainda conforme a Corregedoria, no depoimento o garoto contou que foi agredido por três dos quatro policiais que tentaram forçá-lo a dar informações sobre o piloto da moto. Ao ser questionado sobre o endereço do outro rapaz, o menino disse que passou o próprio endereço e que foi levado até o local no camburão da viatura, situação irregular em casos de adolescentes, segundo a Corregedoria.

"No local [da casa], uma vizinha constatou que o garoto estava no camburão e os pais dele foram acionados pela vizinha, que também disse ter visto o adolescente gritar", relatou o tenente-coronel.

Em seguida, a viatura deslocou do endereço repassado pelo adolescente, pouco antes da chegada dos pais, que tentaram seguir a viatura e depois ligaram para o 190 para pedir informações sobre o motivo pelo qual o filho estava no camburão.

O garoto disse para a Corregedoria que foi deixado pelos policiais na saída para Rochedo e voltou sozinho para casa. Depois de contar o caso para o pai, eles foram até a Corregedoria. O adolescente estava com hematomas e lesões pelo corpo, segundo o corregedor-adjunto.

Contrapartida

A Associação de Cabos e Soldados, que representa e dá amparo jurídico aos policiais presos, disse que a guarnição confirmou que viu uma motocicleta com dois jovens em atitude suspeita, no mesmo local e horário relatado na denúncia, e deu ordem de parada, mas o veículo não acatou e fugiu.

A equipe disse que não conseguiu alcançá-los e acabou perdendo o veículo de vista durante a perseguição. Em rondas pelo local, a viatura localizou outra motocicleta com características parecidas com a moto que fugiu, fez a abordagem e constatou que o piloto estava com a documentação em dia.

Conforme a ACS, o homem abordado foi liberado e informou aos policiais que outro rapaz, com moto parecida com a dele, era conhecido na região por fazer arruaças e baderna. Com as informações recebidas, a polícia chegou até o endereço do suspeito apontado e não encontrou o rapaz indicado, por isso, a viatura voltou para o batalhão, onde a mãe do adolescente apareceu em seguida.

Ela procurava pelo filho que afirmou ter sido visto no camburão da viatura. "Os policiais negaram que tivessem abordado o filho dela e abriram o camburão para mostrar que não tinha ninguém dentro", afirmou Edmar. Sobre as lesões e hematomas apresentados pelo adolescente, a ACS acredita que podem ser consequência de queda de moto durante a fuga.

Exemplares

Ainda segundo o corregedor-adjunto, o comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar da capital, ao qual pertence a equipe suspeita de agressões, também foi ouvido pela Corregedoria e informou que os policiais suspeitos são "excelentes policiais, reconhecidos pela tropa e considerados policiais de destaque" e que nunca tiveram conduta duvidosa.

Ele também informou que a equipe policial foi ouvida na presença dos advogados e que os policiais negaram as agressões e a abordagem descrita na denúncia. "Eles falam que viram um veículo, moto, com duas pessoas, que chamou a atenção da viatura e que a abordagem foi de forma preventiva, mas chegou-se a conclusão, durante oitivas na Corregedoria, de que realmente caracterizava o fato cometido", explicou.

Em uma página no Facebook, que posta e compartilha notícias da área policial, carreira, concursos de Mato Grosso do Sul, um texto foi postado em apoio aos militares presos. A publicação diz que o perfil se solidariza com os militares da Guarnição do Tático do 1º BPM/MS", lamenta o fato e diz que os policiais presos são "profissionais exemplares que sempre prestaram com honestidade, responsabilidade e competência, serviço à população".

Em outro trecho, a publicação ressalta que os PMs presos "têm respeito de praticamente toda a tropa da Polícia Militar, pois sempre foram honestos e trabalharam por amor à profissão".

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