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SEXO PAGO

Sexo pago: "Travestis têm 2 opções: salão de beleza ou ponta de esquina", diz profissional

04 agosto 2015 - 06h40

Dando continuidade na série de três reportagens sobre sexo pago, o Dourados News relata a vida de uma travesti que veio do Paraná e trabalha como garota de programa em Dourados, confira:

Letícia tem 23 anos de idade, é uma morena de 1,7 metro de altura e que pesa 78 quilos. Formada em administração de empresas foi em busca de um trabalho na área. Mas, antes ou depois de concluir um curso superior, as empresas que procurou nunca abriram as portas. O motivo? Segundo ela porque nasceu mulher, aprisionada num corpo masculino. A alternativa que encontrou para garantir seu sustento foi se tornar uma profissional do sexo.

“A gente entrega o curriculum com o nosso nome de ‘menina’. Quando chega lá [na empresa] eles veem que é transexual. Sempre dizem que não tem preconceito e todas essas coisas. Dizem que vão ligar depois, mas essa ligação nunca acontece”, relatou a travesti que se considera uma transexual.

Ela aceitou e assumiu sua ‘transexualidade’ aos 16 anos. Com essa mesma idade se tornou uma profissional do sexo. “A gente não tem nenhum tipo de oportunidade na vida. Só tem duas saídas para a gente, ou estar num salão de beleza ou numa ponta de esquina”, afirmou.

No começo os pais não aceitavam que ela fosse uma travesti, mas depois compreenderam. “O que eles não entendem é a vida que eu levo” de profissional do sexo, disse ela. Como viaja bastante, quase não vê a família. Quando viaja para perto dos pais, vai direto à casa deles, fica um pouco e vai embora. O contato com outros parentes é pouco. “Minha mãe se preocupa muito comigo, falo com ela todos os dias. A relação é boa”, disse.

Letícia era de Curitiba (PR) e há pouco tempo está em Dourados. Seu ponto é numa das esquinas da avenida Joaquim Teixeira Alves, no Centro da cidade, e ‘famosa’ por ter profissionais do sexo aguardando ofertas dos clientes no período noturno.

Por um programa, ela cobra entre R$ 80 e R$ 180 reais, dependendo do que o cliente deseja. Tudo – o valor e o tipo de serviço – é combinado antes de Letícia entrar no veículo. O atendimento é em motel, na casa ou até no próprio carro do cliente. A maioria dos que atende são homens casados.

Nas esquinas, nem todas as profissionais já sofreram violência, mas todas convivem com os riscos. “Nunca aconteceu comigo, mas eu ouço muitas histórias”, disse. Apesar disso, Letícia diz que não tem medo. “Quem entra nessa vida já tem que estar preparada para tudo, porque na esquina não tem segurança alguma”, ressaltou.

Apesar dos obstáculos, Letícia viaja bastante e gosta da vida que tem. Mas, o sonho mesmo é deixar de ser uma garota de programa. “É o sonho de todas”, disse. Se tivesse a oportunidade de dar uma dica às travestis que pensam em entrar no mercado da prostituição, ela diz que não teria conselhos a dar. “Não tenho assim o que falar, elas têm que passar por isso e só passando para saber como é. Quem ainda não entrou nessa vida é porque a família ajudou muito, deu bastante apoio em primeiro lugar. Mas, essa não é a realidade de todas”.

Com o que ganha como profissional do sexo, ela paga as próprias contas e ainda viaja. Também é fruto do trabalho o dinheiro que ganha para realizar as intervenções cirúrgicas que faz para deixar o corpo mais feminino. Ela já colocou silicone nas nádegas e na perna. “Já estou juntando dinheiro e logo, logo poderei colocar os seios”, conta em tom de esperança.

Segundo ela, o preconceito tanto por ser uma travesti quanto pela profissão que escolheu é grande. “Hoje eu sofro mais preconceito por ser profissional do sexo do que por ser travesti”, conta.

Se pudesse dar um recado aos preconceituosos? A estes Letícia tem muito a dizer. “Todos nós somos cidadãos, pagamos impostos, água, luz, aluguel e temos que trabalhar para isso. A minha orientação sexual não define o meu caráter”, afirmou.

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