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SAÚDE & BEM - ESTAR

Transtorno de ansiedade – o que te preocupa tanto?

24 outubro 2020 - 07h05Por Uisney Gomes Portella

Você já sentiu medo? Creio que 99% dos leitores desta matéria dirão que sim. O 1% restante mentirá. Brincadeiras à parte, o medo é uma das mais fantásticas formas de autopreservação. Imagine saltar de um alto penhasco, nadar com tubarões famintos ou caminhar pelas savanas repletas de predadores como se fosse uma atividade corriqueira e não nos despertasse um sentimento de perigo. Afinal, sem o medo já seríamos uma espécie extinta. Para isso serve o medo. Ele é a justa medida entre o que posso e o que não devo, que não nos ouçam os vencedores do Prêmio Darwin*.

*Prêmio atribuído de uma forma irônica e simbólica, àqueles que, cometendo erros altamente absurdos, morreram ou causaram a própria esterilização. Ou seja, não contribuíram para a preservação da espécie. O nome provém de Charles Darwin, o criador da teoria da evolução.

Créditos: https://www.medosefobias.com.br/2017/03/14/medo-de-altura/


 

Não há mal algum em sentir medo. Aliás, como vimos, ele nos protege de atitudes inconsequentes. O medo é uma reação a uma ameaça real ou percebida. O problema está na relação que estabelecemos com esse sentimento. Quando tendemos à antecipação de nossos medos, experimentamos uma condição conhecida como ansiedade. Isto é, passamos a “prever” uma ameaça futura que, muitas vezes, não se concretiza. A ansiedade é um dos grandes males da pós-modernidade, juntamente com a depressão. Você antecipa seus medos? Perde noites de sono imaginando como será o dia seguinte? A resposta que ainda não foi dada? Enfim, tantas buscas por antecipação que, literalmente, roubam nossas energias e prejudicam enormemente nossa saúde mental.

A ansiedade é como querer se apoderar do que ainda está por vir. Tenho plena certeza de que, embora os avanços científicos sejam consideráveis, o poder de trazer o amanhã para agora ainda não nos foi concedido. Viver ansioso é como querer construir uma ponte entre o agora e o amanhã. Deste lado conseguimos estruturar essa ponte, mas do outro lado não. Fica uma sensação de vazio, de impotência, por não conseguir “para já” o que só poderá ser vivido “no depois”. Em parte, somos vítimas nesse processo. Afinal, somos extremamente convidados a ocupar um lugar que não podemos. 

As incertezas cobram um preço muito alto. O cenário econômico mundial não oferece estabilidade econômica que garanta empregos. Os boletos vencem amanhã, mas hoje eu não tenho dinheiro. Agora estamos bem, no final da tarde a saúde pode não ser a mesma. Não há como desconsiderar preocupações como essas. É possível manter a saúde mental diante de tantas aflições? Felizmente sim. Nada está perdido. Para entender um pouco mais, te convido a prosseguir na leitura desta matéria.

Sintomas do transtorno de ansiedade

A manifestação recorrente da ansiedade, pode significar a presença de uma psicopatologia, conhecida como Transtorno de Ansiedade. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM 5), da Associação Americana de Psiquiatria, descreve com principais sintomas a preocupação persistente e excessiva, relacionada com o desempenho no trabalho, na escola e na vida social. Além disso, ocorrem os clássicos sintomas físicos como inquietação ou sensação de “nervos à flor da pele”, cansaço, dificuldade de concentração ou “ter brancos”; irritabilidade; tensão muscular; e perturbação do sono. A pessoa acometida por esse transtorno “perde” a capacidade de controlar a preocupação, que se torna cada vez maior, a ponto de produzir sintomas físicos incapacitantes.

Dentre as formas incapacitantes do Transtorno de Ansiedade temos as famosas Crises de Pânico ou, simplesmente, Ataques de Pânico. Nesses casos, a pessoa experimenta episódios abruptos de medo intenso ou desconforto intenso, numa escalada rápida que atinge seu ápice em poucos minutos. Não é só isso, essas crises vêm acompanhadas de sintomas físicos como descritos no quadro abaixo:

Cabe ressaltar que os ataques de pânico surgem nas situações esperadas, como em resposta a um evento entendido previamente como estressor ou, em situações inesperadas, quando ocorrem sem uma razão aparente. Em situações extremas, o ataque de pânico pode causar a paralisação momentânea da pessoa, ou seja, o indivíduo, literalmente, não sai do lugar enquanto a crise não for superada. É uma situação muito incômoda, temida por quem já vivenciou, e que deve ser respeitada pelos felizardos que nunca passaram por isso.

Os prejuízos funcionais causados pelo transtorno de ansiedade

Nosso cérebro, em seu constante aperfeiçoamento, desenvolveu uma ferramenta muito útil para o reino animal. Trata-se do mecanismo de fuga ou luta. Ou seja, diante de situações desconfortáveis, nosso cérebro se utiliza de neurotransmissores que aceleram os batimentos cardíacos, tonificam a musculatura, oxigenam ainda mais o sangue, dentre outras preparações, para que lutemos, enfrentando o desafio ou, fujamos, nas situações desvantajosas. Agora imaginem o que acontece com uma pessoa ansiosa, preocupada, constantemente se antecipando às situações difíceis (por vezes fantasiosas) por isso, não consegue “desarmar” o mecanismo fuga x luta? 

O resultado do questionamento acima é a degradação da saúde mental e física. Antes de atingir esse estágio de adoecimento, as pessoas com transtorno de ansiedade frequentemente limitam as atividades sociais, se esquivam de situações que podem trazer o “esperado desconforto”, apresentam prejuízos no desempenho sexual, sofrem consequências fisiológicas da privação ou insuficiência do sono, dentre outras manifestações nocivas ao contexto biopsicossocial. Contudo, a mais perigosa consequência é o risco aumentado para suicídio

Créditos: http://gatda.com.br/index.php/2016/03/21/tipos-de-ansiedade/


 

Outro grande fator, funcionalmente limitante, é o contato com a situação temida ou antecipada. Ou seja, quando tudo o que a pessoa temia realmente acontece. Nessas situações são constituídos os “gatilhos de ansiedade”. Por exemplo, em 2018 o Rio de Janeiro atravessou uma severa crise política e financeira. Os funcionários públicos daquele estado não receberam seus salários por três meses. Algumas pessoas desenvolveram transtorno de ansiedade por viverem a expectativa do depósito, ou não, de seus vencimentos. Por volta do dia 20 de cada mês os sintomas ficavam mais intensos, pois, coincidia com o período do pagamento do funcionalismo estadual. Os pagamentos foram normalizados no início de 2019, porém, até hoje, alguns funcionários públicos do Rio de Janeiro temem não receber seus pagamentos ao final do mês. Assim, nesse exemplo, semana do dia 20 se tornou um gatilho de ansiedade.

A pessoa com Transtorno de Ansiedade não consegue ser ela mesma. Conviver com o fantasma de suas preocupações, normalmente desproporcionais à probabilidade real ou ao impacto do evento antecipado, resulta na dificuldade de executar tarefas cotidianas. O rendimento no trabalho, nas atividades acadêmicas e nas interações familiares se deteriora. Com isso, é possível afirmar que a ansiedade é uma porta de entrada para outras psicopatologias mais graves, como a depressão, por exemplo.

A psicoterapia é fundamental para o tratamento do transtorno de ansiedade

Infelizmente o Transtorno de Ansiedade tem aumentado em nossa sociedade. Os dados da Organização Mundial da Saúde apontam que 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno (Fonte: https://exame.com/ciencia/brasil-e-o-pais-mais-ansioso-do-mundo-segundo-a-oms/). Isso nos dá a preocupante liderança mundial em número de casos. É uma verdadeira epidemia! Muito desse elevado número se deve ao pensamento de que “só maluco vai ao psicólogo”. Isso está muito longe de ser uma realidade! A saúde mental está ligada a fatores biopsicossociais. O bom funcionamento da mente depende da maneira pela qual conseguimos lidar com nossos problemas e, no caso da ansiedade, com as nossas preocupações. 

O primeiro passo em direção ao controle da ansiedade é admiti-la. A partir disso, a ajuda psicológica é fundamental. Os profissionais de saúde mental têm formação técnica para identificar e ajudar as pessoas ansiosas a lidarem com seus “gatilhos”. Gosto de ressaltar que não há mágica, ou seja, os problemas não somem com o toque da varinha de condão. O objetivo é outro e bem mais real. O psicólogo auxilia a pessoa a enxergar suas preocupações de outra forma, com mais funcionalidade e com menos prejuízos à saúde mental. Nesse ponto, enxergar novas perspectivas pode ser tudo o que se precisa no momento. Isso se constrói na terapia, com a escuta e intervenção psicoterapêutica. 

Reflita sobre isso! Busque ajuda profissional. A ansiedade ofusca e limita a visão. “Não pode chover o tempo todo!” Em algum momento o sol voltará a brilhar! Não há nada perdido! Lute por você. Lute por quem você ama. Viver é um dom! Viver bem é uma possibilidade mais próxima do que se imagina! Agende sua sessão de terapia. Estou disponibilizando condições diferenciadas nesse período conturbado para a sociedade douradense e das regiões próximas. Aguardo seu contato.

Telefone: (67) 99660-8147

Facebook: Uisney G. Portella Psicólogo

https://uisneypsico.com.br

Rua Toshinobu Katayama 1350, Sala 7, Galeria Planalto, Vila Planalto, Dourados - MS

 

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