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Sobre a reitoria e a vice-reitoria da UFGD

22 setembro 2004 - 16h20

Jorge Eremites de Oliveira Ao que tudo indica, a criação e a implantação da UFGD, a Universidade Federal da Grande Dourados, estão muito próximas e esse fato vem gerando, no atual Campus de Dourados da UFMS, uma natural movimentação para se saber quem ocupará a reitoria e a vice-reitoria dessa nova universidade. Já existe até uma espécie de fábrica de boatos e especulações que segue a todo vapor, diuturnamente, mais com a contra-informação e menos com a informação, por vezes denotando o propósito de sabotar e inviabilizar o projeto da UFGD. Em minha opinião, a reitoria e a vice-reitoria da UFGD precisam permanecer, desde seu nascimento, com pessoas com conduta ética exemplar, curso de doutorado concluído, história de lutas em defesa de um ensino superior público, gratuito e de qualidade, sólida experiência em pesquisa, ensino e extensão, capacidade de articulação política e aglutinação de forças, além de competência administrativa. Isto porque o preenchimento dessas funções deveria pressupor algumas qualidades, dentre elas uma visão de universidade pública como instituição que deve ter autonomia administrativa, financeira e de conhecimento. Nesta perspectiva, seguindo algumas idéias da filósofa brasileira Marilena Chauí, penso que quem vier a ocupara esses cargos não deve se pautar pelo fetichismo da lei e da burocracia estatal, compreendida como uma forma de poder, antidemocrática por excelência, que opera com a hierarquia e não com a igualdade, com o segredo e não com o direito, a produção e veiculação de inf ormações, e com a rotina e não com a criação pelo trabalho dos conflitos. Pessoas com um perfil acadêmico e político-administrativo desse tipo logo de início terão de romper, pois, com certas estruturas arcaicas e retrógradas de compadrio, paroquialismo e confrarismo que ainda marcam a disputa pelo poder e pelo micropoder no interior da UFMS. Do contrário, velhas práticas mesquinhas acabarão deturpando e gradualmente destruindo um dos mais importantes projetos para nossa região, o da UFGD. Daí, o que é hoje um sonho amanhã será um terrível pesadelo. Dito isso, advogo a idéia de que se o ministro Tarso Genro indicar pessoas sérias, éticas e competentes para a reitoria e a vice-reitoria da UFGD, ainda que sejam de fora do atual quadro docente do Campus de Dourados da UFMS, desde que em caráter pró-tempore, que sejam bem-vindas. Entretanto, qualquer que seja sua indicação, muito provavelmente que ela incomodará os velhacos representantes do establishment local, aqueles que não desejam ver a UFGD como exemplo de uma jovem universidade pública, democrática, produtiva e engajada no processo de desenvolvimento local, regional e do país. Essas pessoas querem se manter no poder a todo custo, não importando os meios, pois o objetivo delas é seguir repetindo velhos e inaceitáveis erros. Eis alguns exemplos: (1) abertura de novos campi e cursos de graduação sem o devido planejamento, atendendo interesses alienígenas, sem a infra-estrutura e sem o corpo docente e técnico-administrativo necessários; (2) realização de polêmicos concur sos para professor titular, muitos deles denunciados publicamente sob suspeita de terem sido feitos para privilegiar indivíduos dos grupos ligados ao poder central; (3) desrespeito aos conselhos da instituição, perseguição política e outras práticas autoritárias ressuscitadas da época da ditadura. A lista é ainda maior e aqui não é o caso de relacionar tantas outras barbaridades que a comunidade universitária vem assistindo estarrecida e com enorme indignação, porém jamais de forma passiva ou inerte. Em suma, se for para repetir conhecidos desvios de conduta ética, sustentados por posturas arbitrárias, antidemocráticas e truculentas, é preferível, sinceramente, não ver a UFGD sendo criada, para em seguida não ter de assistir a frustração do ideal de milhares de cidadãs e cidadãos que acreditam na universidade pública. Por isso, nunca é demais lembrar Karl Marx, conhecido filósofo alemão do século XIX, quem disse que a história só repete se for como farsa. E de farsas todos nós já estamos fartos! Em todo caso, se o pior vier, talvez seja a hora de abanar o chapéu para os tiranos de plantão, subir em outro barco e ir embora para Passárgada.Talvez por aquelas bandas seja possível ser amigo do poeta, embora jamais aliado de um rei-thor autoritário, medíocre e com uma conduta antiética reprovável. (*) Arqueólogo e historiador. Licenciado em História pela UFMS, mestre e doutor em Arqueologia pela PUCRS. Professor e pesquisador do Campus de Dourados da UFMS, oxalá futura UFGD. E-mail: eremites@ceud.ufms.br.

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