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Sinal de contradição

20 julho 2007 - 10h53


 

Já se afirmou que, queiramos ou não, somos todos cristãos, dada a guinada operada pelo cristianismo na história e na cultura da humanidade. De outro lado, porém, desde o seu nascimento, ele é uma pedra de tropeço para quantos, na opinião de São João, preferem as trevas à luz: «A luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a compreenderam. Ela veio junto aos seus, e os seus não a acolheram» (Jo 1, 5.11).
 
Não é por nada que Jesus nos advertiu: «O Reino de Deus sofre violência e os violentos é que o conquistam» (Mt 11, 12). Ele próprio, com poucos dias de vida, foi visto pelo velho Simeão como um «sinal de contradição» (Lc 1, 34), do qual, a fuga para o Egito foi o primeiro ato, e a morte na cruz, o seu desfecho.

Em seguida, ao longo de sua vida, a quem desejava segui-lo, jamais ocultou as conseqüências que a proeza comportaria: «Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vocês!» (Jo 15, 20). Isso porque é simplesmente impossível conciliar o projeto de Deus com o do “mundo”: «Ninguém pode se colocar a serviço de dois senhores!» (Mt 6, 24).

Se sempre foi assim, hoje não é diferente. Antes, pelo contrário! Ser cristão está ficando cada vez mais complicado. Normalmente, significa ser escarnecido, marginalizado e até mesmo perseguido. Crescem as profissões que não se conciliam com quem deseja seguir os ditames de uma consciência formada segundo a fé cristã.

Pelos que se julgam promotores do progresso e da cultura, a Igreja é vista como retrógrada e intolerante, por defender posições contrárias ao uso de células embrionárias, ao aborto, ao homossexualismo, ao casamento gay, etc., enfim ao que amplos setores da sociedade consideram avanço e conquista.

O Parlamento Europeu apresentou trinta reclamações contra a Igreja Católica, censurando-a por defender e pregar doutrinas vistas como arcaicas e desrespeitosas aos direitos humanos. Em várias partes do mundo, durante as manifestações gays, não faltaram críticas acerbas e ofensas de baixo calão contra o Papa e os Bispos.

Mas não são somente os católicos que passam por esse constrangimento. Até mesmo os evangélicos que, honrando o seu nome, guiam suas vidas pela Palavra de Deus, são silenciados e excluídos, como aconteceu no último dia 22 de junho, em Campina Grande, durante uma manifestação gay. A Justiça autorizou a passeata gay e proibiu a manifestação evangélica; liberou as faixas que pregavam o amor livre e vetou as que levavam a inscrição: «E Deus os fez homem e mulher, e viu que era bom».

Dois dias antes, alguns órgãos da imprensa – poucos na verdade, porque, nestes casos, os grandes meios de comunicação preferem silenciar – difundiram uma notícia que a ninguém pode deixar indiferente. Simone Veil, a ex-Ministra francesa da Saúde que introduziu a lei de descriminalização do aborto em 1975, veio a público para declarar que a ciência demonstra a existência de vida desde a concepção. «É cientificamente cada vez mais evidente que, desde a concepção, trata-se de um ser vivo», afirmou a primeira mulher a presidir o Parlamento Europeu de Estrasburgo, de 1979 a 1982.

 

Seus comentários aconteceram no contexto de uma reportagem difundida por um canal de televisão francês, revelando que na Espanha se realizam abortos até o oitavo mês de gravidez.
 

A investigação jornalística constatou também que, na França, está ficando difícil encontrar médicos dispostos a praticar abortos por “objeção de consciência”, no que são apoiados pela ex-Ministra: «Não se pode obrigar uma pessoa a ir contra suas convicções».
 


 

Enquanto isso, o Ministro da Saúde do Brasil, José Gomes Temporão, em várias entrevistas concedidas ultimamente, defende a descriminalização do aborto, por vê-lo como um «problema de saúde pública». Em sua opinião, os que se opõem, o fazem unicamente por motivos religiosos. Para ele, o feto tem direito à proteção jurídica somente a partir da 12ª semana de gestação, quando começa a formação do sistema nervoso central. «Antes, não há consciência nem dor». Por isso, a seu entender, o debate popular reflete um «processo de amadurecimento da sociedade».

 

Na verdade, quando não se tem a luz da verdade que brota da lei natural – e não de dogmas religiosos, como quer Temporão –, o que se vê é uma confusão total, onde se invertem os valores e a sociedade acaba à mercê da violência e da corrupção: «Pelos frutos se conhece a árvore» (Mt 7, 17).

 


 

Dom Redovino Rizzardo, cs
 

domredovino@terra.com.br
 


 


 

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