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Sequestro de empregos , por Fernando Pimentel

21 fevereiro 2011 - 16h12

Caso não se deseje intensificar a criação, em outros países, de milhares de postos de trabalho que seriam gerados no Brasil, colocando nossos trabalhadores e empreendedores como reféns de uma insólita incongruência, é urgente conter o déficit na balança comercial de manufaturados têxteis. Para isso, é crucial a adoção imediata de medidas que aumentem a competitividade sistêmica do Brasil. As prioridades, entre outras, são a redução dos encargos trabalhistas, isenção tributária dos investimentos e desoneração das exportações.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) já encaminhou propostas nesse sentido ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A entidade, que representa 30 mil empresas, empregadoras de 1,7 milhão de pessoas, ou oito milhões, se considerados os postos de trabalho indiretos e os criados pelo efeito renda, está preconizando uma estratégia de defesa comercial, conectada ao resgate de nossa competitividade, a partir da análise consciente do cenário mundial e suas consequências no setor.

As nações desenvolvidas, tradicionalmente grandes importadoras de vestuário, continuam com elevado desemprego e consumidores céticos. Com isto, o aquecido mercado brasileiro tornou-se alvo cobiçadíssimo. Portanto, o País não pode ficar passivo ante inequívoca concorrência desigual: nações de grande representatividade utilizam mecanismos desequilibradores do comércio, em especial a depreciação de suas moedas. Para mitigar as assimetrias, precisamos ser ágeis em aumentar nossa competitividade interna e estabelecer mecanismos defensivos mais ágeis eficientes.

Estão equivocados os que imaginam haver riscos de desabastecimento em decorrência das medidas preconizadas pelo governo brasileiro. O setor tem batido recordes de investimentos, que superaram US$ 2 bilhões em 2010. Assim, está apto a atender à demanda interna e exportações. Ademais, não se está defendendo um bloqueio às importações. As ações defensivas objetivam, respeitando as regras da Organização Mundial do Comércio, combater a competição desleal e irregular.

Os números históricos evidenciam sua pertinência. Em 2005, o Brasil importava vestuário por US$ 7 FOB o quilo. O valor não tinha paralelo em economias como a dos Estados Unidos e Argentina. Diziam que nossos preços de compra eram mais baixos porque, como país tropical, comprávamos mercadorias mais leves e de menor qualidade. São argumentos irreais. Ações sistemáticas fizeram com que, sem prejuízo do comércio, os preços atingissem hoje os patamares mundiais de US$ 16 FOB o quilo. As importações, contudo, aumentaram muito, chegando a US$ 5 bilhões em 2010, quando o déficit da balança comercial do setor atingiu US$ 3,5 bilhões, significando a não criação de 135 mil empregos diretos.

No contexto da questão cambial e dos problemas de competitividade sistêmica, não têm sido suficientes os nossos diferenciais competitivos civilizados e politicamente corretos, como qualidade, respeito ao meio ambiente, design, tecnologia e novos materiais. A indústria têxtil e de confecção de nosso país é a quinta maior do mundo, podendo chegar ao quarto lugar este ano. O setor não quer benefícios, nem artificialismos anacrônicos. Demanda, apenas, condições equânimes de competitividade, consentâneas com as leis de mercado e respeito ao consumidor.


*Fernando Pimentel é diretor-superintendente da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção).

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