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Sem-Terra invadem laticínio

07 novembro 2001 - 10h16

Pelo menos 150 pequenos agricultores e trabalhadores sem-terra ligados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) invadiram anteontem o Laticínio Campestre, no município de Japorã, distante 467 km ao sul de Campo Grande, na fronteira com o Paraguai. Segundo líderes do movimento, a ocupação é em protesto ao assassinato do assentado Marcelino Pereira da Silva, ocorrido no dia 23 de outubro deste ano.
Ele foi morto no perímetro urbano de Japorã. O gerente do laticínio, José Martins, conhecido como Zezão, é acusado de cometer o crime. Ele está foragido.
Os colonos estão acampados no pátio da empresa, que fica a cerca de 1 km da cidade. As atividades da indústria foram suspensas e outros produtores do município estão impedidos de entrar no laticínio para entregar o leite.
Edilson Sarate, da coordenação estadual do MST, informou ontem que os trabalhadores são de Japorã e de acampamentos de outros municípios da região.
Segundo ele, a dívida de R$ 55 mil que a empresa tem com os agricultores do assentamento, referente ao fornecimento de leite, seria o motivo do assassinato de Marcelino da Silva. Sarate disse que o assentado foi morto quando tentava receber a dívida de José Martins.
O líder do MST explicou que houve um acordo entre o laticínio e os produtores e Marcelino foi escolhido para buscar o dinheiro no dia marcado. "Quando ele chegou ao local, o gerente disse que ia pegar o dinheiro e o matou", conta Sarate.
Ana Carla Ferrari, que faz parte da liderança da ocupação, disse que até ontem à tarde ninguém havia tentado uma negociação. Ela garantiu que os trabalhadores rurais só deixarão o local após a garantia do pagamento da dívida e a prisão de José Martins. "Queremos que ele se entregue à Justiça", declarou.
Líderes do MST na região sul do Estado e funcionários do laticínio estão tentando localizar o proprietário da indústria, que mora no Paraná.
De acordo com o cabo Eugênio, comandante do destacamento da Polícia Militar em Japorã, os produtores suspenderam a entrega de leite ao laticínio devido à falta de pagamento. A indústria estaria devendo R$ 55 mil aos assentados referentes a quatro meses de fornecimento de leite.
Na tarde de 23 de outubro, José Martins e Marcelino da Silva teriam se encontrado na rua e iniciado uma discussão por causa da dívida.
O policial conta que o gerente do laticínio disparou um tiro de pistola calibre 9mm no peito do trabalhador e fugiu, possivelmente para o Paraguai. A fronteira fica a 1 km de Japorã.

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