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Secretário atribui mortes de moradores de rua ao tráfico

16 setembro 2004 - 21h35

O secretário da Segurança de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, atribuiu as mortes de moradores de rua ao tráfico de crack na região central da cidade. A Justiça decretou nesta quinta-feira a prisão temporária por 30 dias de dois soldados da Polícia Militar e por 10 dias de um segurança particular suspeitos de envolvimento nos ataques ocorridos nas madrugadas dos dias 19 e 22 de agosto. Sete moradores de rua morreram. Os soldados Jayner Aurélio Porfírio, da 5ª Cia do 2º Batalhão, e Marcos Martins Garcia, da 5ª Cia do 7º Batalhão, seriam comandantes de um esquema de segurança clandestina na região central da cidade. Eles teriam envolvimento, ainda, com tráfico de crack. "O viés do crime está muito mais ligado à questão do crack do que à questão de vigilância, de limpeza étnica ou de comerciantes", disse o secretário. Suspeitas iniciais apontavam a participação no crime de grupos de intolerância ou de comerciantes insatisfeitos com a presença dos moradores de rua. Segundo o secretário, dias antes da primeira série de ataques, a mãe e a irmã do soldado Porfírio foram presas com 185 "trouxinhas" de cocaína e autuadas por tráfico de drogas. Alvos A polícia suspeita que o objetivo dos criminosos era matar "alguns" dos moradores de rua da região central, que sabiam do envolvimento dos PMs com o tráfico. No entanto, para atrasar as investigações, outros moradores de rua também foram agredidos. "Algumas das vítimas tinham envolvimento com isto [o tráfico]. Passavam a pedra de crack para frente e eram também usuários", afirmou. De acordo com ele, nem todas as vítimas tinham envolvimento com o tráfico, mas foram agredidas ou morreram para ocultar a ação dos criminosos e dificultar a investigação da polícia. Testemunhas Para pedir a prisão dos suspeitos, a polícia usou como base depoimentos de testemunhas oculares, que viram os PMs --que não estariam fardados-- em alguma situação suspeita. Segundo o secretário da Segurança, Saulo de Castro Abreu Filho, as testemunhas não são sobreviventes das agressões. "Temos testemunhas oculares, que não são moradores de rua, que viram os PMs de algum modo envolvidos [no caso]. Ou cobrando dívidas, ou agredindo. Enfim, têm várias ações, em vários momentos", disse. Abreu Filho informou ainda que a polícia já conseguiu identificar a arma utilizada para as agressões. "O tal instrumento contundente parece com um martelo de borracheiro. Tem uma ponta arredondada, não metálica, porque não causa perfuração. Lembra a tonfa [um tipo de cassetete]. No centro [da cidade] tanto a PM quanto a Guarda Civil usam muito a tonfa. Ela é de plástico e muito dura", explicou. Além disso, a polícia localizou três opalas --um preto, um vinho e um prata-- que podem ter ligações com os três suspeitos. No porta-malas do veículo preto, segundo o secretário, foi encontrado um cassetete.

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