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ELEIÇÕES 2014

Reinaldo Azambuja: PT e PMDB transformaram MS no menos desenvolvido do Centro-Oeste

28 agosto 2014 - 00h01

Encerrando o ciclo de entrevista com os candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul, o Dourados News apresenta Reinaldo Azambuja (PSDB), 51. Ele é empresário do setor rural e nasceu em Campo Grande. Aos 18 anos mudou-se para Maracaju e deu início na vida pública aos 33 anos, quando fui eleito prefeito por dois mandatos.

Depois, Azambuja ocupou cargo de presidente da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul, eleito deputado estadual e cumpre mandato de deputado federal, sempre pelo PSDB.
Nesta entrevista, ele critica o PMDB e o PT, que segundo ele, transformaram o Estado no menos desenvolvido da região Centro-Oeste.

“Quando houve a divisão do antigo Mato Grosso, tínhamos o maior PIB (Produto Interno Bruto), o maior número de municípios, boas colocações no ranking nacional de produção agropecuária. Hoje, depois de quase 30 anos de governos do PT e do PMDB, somos o Estado menos desenvolvido da região Centro-Oeste”, contou.

Confira a entrevista com o candidato:

Dourados News - Aponte uma razão para a qual pretende ser governador de MS?

Reinaldo Azambuja - Estamos oferecendo ao povo do Mato Grosso do Sul a possibilidade de mudança do que está aí – dois partidos se revezando no poder há pelo menos 28 anos, sem conseguir dar respostas aos anseios e sonhos da nossa gente. Sou candidato para fazer uma mudança de rumo: vamos fazer um governo transparente, ético, participativo, que gosta de cuidar de gente. Por isso nossa prioridade vai ser a vida das pessoas – acesso à saúde de qualidade em cada região; a segurança pública vai chegar onde hoje a mão do Estado não alcança – aos que menos podem e menos tem. Queremos uma educação que ensine, prepare bem para o trabalho e habilite uma nova cidadania – seja um verdadeiro passaporte para o futuro, para uma vida melhor. Precisamos crescer com responsabilidade ambiental e compromisso social, o que significa distribuir as oportunidades e os frutos do nosso crescimento com mais generosidade e Justiça. Queremos realizar aqueles sonhos acalentados pelos nossos desde a divisão, que se perderam infelizmente pela caminho, adiados pelas circunstâncias mas também pelas conveniências de quem teve a responsabilidade de governar.

DN - Resuma em poucas linhas o seu plano de governo.

RA - Ainda não temos um plano de governo fechado, porque o estamos construindo junto com a população. Em uma primeira etapa buscamos diretrizes de ações para as diversas áreas da administração pública com base no Pensando MS, que ouviu 220 mil pessoas em um ano e dois meses deste projeto e percorreu todo o Estado.

Saúde será nossa prioridade: vamos investir mais e ajudar os municípios a estruturar os serviços essenciais para a população, e assim levar atendimento para mais perto das pessoas. Vamos estruturar todos polos regionais com hospitais, médicos especializados, exames e remédios.

Na área de Educação, vamos implantar as escolas de Tempo Integral nas regiões mais carentes, priorizar o ensino profissional para qualificar mão de obra sul-mato-grossense e investir na qualificação dos professores, além de ajudar os municípios a reduzir a falta de vagas nas creches. Também vamos dar autonomia à Universidade de Estadual (Uems), afim de aumentar o número de cursos e vagas e ampliar a pesquisa científica.

Na área de Segurança, vamos aumentar o efetivo, investir em equipamentos e infraestrutura adequada e novas tecnologias de investigação, prevenção e combate à violência.

Vamos reduzir a carga tributária e acabar com o ICMS garantido para as micro e pequenas empresas, além de implantar política de incentivos fiscais diferenciados por região para aumentar a competitividade do Estado e desenvolver MS por inteiro.

Vamos inovar e modernizar a gestão pública, criar sistema de avaliação de desempenho e prêmios por produtividade para os servidores, além de auditorias setoriais para evitar corrupção.

DN - Como você avalia o MS hoje a nível de Brasil?

Eu acredito que o Mato Grosso do Sul é um Estado com um enorme potencial social e econômico, com gente trabalhadora, solo e clima bons. Poderíamos estar entre os mais desenvolvidos do País mas, infelizmente, por falta de planejamento eficiente, ficamos para trás. Quando houve a divisão do antigo Mato Grosso, tínhamos o maior PIB (Produto Interno Bruto), que é a soma das riquezas geradas pelo Estado, o maior número de municípios, boas colocações no ranking nacional de produção agropecuária e a esperança de nos tornar um Estado modelo para o resto do País. Hoje, depois de quase 30 anos de governos do PT e do PMDB, somos o Estado menos desenvolvido da região Centro-Oeste. Temos a pior qualidade da Educação, segundo os números do Ideb, e junto com o Rio de Janeiro somos o Estado que menos investe em saúde em todo o País, atrás inclusive de estados mais frágeis e pobres. Também temos uma altíssima carga tributária, o que trava o nosso crescimento econômico. Eu vou reverter este cenário e recolocar o Mato Grosso do Sul nos trilhos do desenvolvimento, com planejamento sério, bons projetos e inovações na administração pública.

DN - Qual a sua proposta para setores bastante específicos e carentes como saúde e educação?

RA - Infelizmente hoje no Mato Grosso do Sul tem muitas pessoas morrendo por omissão do Estado e por omissão do Governo Federal, que tiraram dinheiro da Saúde. Aqui, segundo dados do Tribunal de Contas do Estado e da União, não se investiu nem o mínimo exigido pela lei e isso é uma vergonha. No plano federal, os investimentos vem sendo reduzidos nesses anos e os recursos que estão no orçamento muitas vezes nem acontecem.

Os polos regionais têm que estar suficientemente estruturados para fazer diagnóstico e atendimento de média complexidade, ou seja, aquele que demanda profissionais especializados e recursos tecnológicos, mas também ações de prevenção e tratamento. Como os polos regionais não funcionam, a estrutura de Campo Grande fica pressionada, superlotada. O Estado precisa aportar recursos para a contratação de médicos para a média complexidade e se estruturar para promover um bom atendimento. Além de ser parceiro dos municípios nos investimentos em Saúde, vamos conduzir a formação de consórcios municipais para que os municípios consigam comprar e contratar com custos menores. Vamos diminuir a fila de cirurgia, implantar o Centros de Diagnóstico para diminuir a fila de exames existentes hoje. Estas são apenas algumas de nossas propostas.

Em relação à Educação: essa é uma das nossas três prioridades porque é a base de tudo. Com educação de qualidade, podemos ter uma saúde melhor, pessoas melhor qualificadas para o trabalho, menos violência. Precisamos ter uma visão completamente diferente de educação. Educação vai além de kit escolar, vai além de uniforme e de computador. Claro que o governante que assumir vai distribuir material, uniforme, tênis, computador e merenda. Isso é o básico, não se discute mais. A discussão agora é a qualidade da educação. Para falar de qualidade em educação, temos que falar que educação é relação. O professor precisa estabelecer vínculos com o aluno, precisa conhecer o aluno para poder orientar e incentivar a vocação deste aluno. Hoje, para poder sobreviver, o professor é obrigado a trabalhar quase que em escala industrial. Dá aula em várias escolas por dia, não tem tempo para preparar as aulas como deveria, não tem tempo para estudar e se qualificar melhor e não tem tempo para dar ao aluno a atenção que ele precisa. Quando um pai matricula um filho na escola, ele está matriculando também os sonhos daquele filho. Por isso, temos que corresponder a essas expectativas. Entre os nossos compromissos, está a qualificação dos profissionais. Não se melhora a educação sem investir na formação continuada dos professores e no uso de tecnologia para tornar o ensino mais atrativo. Nós vamos ajudar esses municípios a atender essa demanda. Vamos, também, implantar as escolas de Tempo Integral nas regiões mais carentes, onde os níveis de violência são elevados, e priorizar o ensino técnico para qualificar mão de obra sul-mato-grossense, além de modernizar e equipar as escolas rurais. Também vamos fortalecer o papel da Universidade Estadual (UEMS), com o objetivo de aumentar o número de cursos e vagas e ampliar a pesquisa científica e tecnológica no Estado.

DN – Quais os fatores que elevariam o desenvolvimento da região da Grande Dourados contidos em seu plano de governo?

RA - A estrutura produtiva de Dourados é formada pela agropecuária e agroindústria. Em torno das duas cadeias econômicas prospera o forte setor de serviços da região, com atividades ligadas ao suporte, logística e fornecimento de insumos, além de serviços de saúde, educação e comércio. De uma forma geral, nós vamos reduzir as desigualdades. Na região da Grande Dourados, que compreende 11 municípios a produção de riquezas é desigual de uma cidade para outra. Enquanto os 11 municípios juntos representam 14% do PIB do Estado, o PIB de Dourados é o 2º de MS e o de Douradina é o 75º. Vamos aumentar a participação dos municípios nos projetos de desenvolvimento regional, inclusive na reformulação dos sistemas de arrecadação e distribuição de recursos. Vamos rever as leis de incentivos fiscais da região da Grande Dourados para atrair mais investimentos e desenvolvimento. Também vamos investir em infraestrutura para o escoamento da produção e promover o empreendedorismo.

DN - Um ponto bastante citado pela população de Dourados é a falta de efetivo policial e de segurança no município, qual o seu plano para essa questão?

RA - A segurança é um dos três temas prioritários do nosso plano de governo. Recentemente, promovemos um seminário sobre este tema e eu apresentei uma Carta de Compromisso com a Segurança Pública, com propostas para modernizar a estrutura das forças policias do Estado. Vamos criar um gabinete para integrar as ações das polícias Militar, Civil e do Corpo de Bombeiros, vamos estabelecer metas de produtividade e premiação por mérito e adotar um sistema de inteligência para combater a criminalidade, que passa pelo diagnóstico de cada área e pela formulação de estratégias direcionadas e mais efetivas, além da qualificação e do uso intensivo de informações policiais. Vamos aumentar o efetivo policial, por meio de concurso público, e investir em equipamentos, viaturas e novas tecnologias, como o projeto Olho Vivo, de monitoramento com câmeras.

DN - Falando de Estado, qual medida seria necessária para difundir mais a cultura regional local para o restante do País?

RA - Entendemos que é necessário identificar, estimular e depois exportar nossos valores culturais para todo o País. Por sermos um estado muito jovem, nossas raízes musicais, por exemplo, precisam de um diagnóstico detalhado para que possamos definir a linha mestra de uma nova política de incentivos culturais. E nós vamos fazer esse estudo. E fazer esse estudo com quem faz cultura. É preciso valorizar e estimular os artistas locais e promover eventos para divulgar nossos potenciais. Defendemos um percentual mínimo de 1,5% do orçamento estadual para a Cultura. Também vamos encurtar as fronteiras culturais dentro do próprio Estado, promovendo um intercâmbio das diversas artes entre as cidades.

DN - E para o esporte?

RA - É preciso investir mais para desenvolver o esporte em nosso Estado. Mato Grosso do Sul já foi o terceiro colocado no Campeonato Brasileiro de Futebol. Mas não é apenas o futebol que deve ser incentivado. Um esporte que representa muito bem o nosso Estado é o Laço Comprido, que é oficialmente um Esporte Regional e, como tal, um rico instrumento de valorização e divulgação da nossa cultura. Mas, infelizmente não tem recebido incentivos necessários. Este é apenas um exemplo, mas existem inúmeros esportes, coletivos, individuais, para desporto, que requerem apoio para que sua prática seja difundida e solidificada, como canoagem, atletismo, ciclismo, artes marciais, esportes equestres e outros que tem conquistado o sul-mato-grossense, como o baseball e futebol americano. Não podemos nos esquecer, ainda, do esporte de rendimento, aquele que é praticado por atletas profissionais e deve ser executado de acordo com as regras internacionais. Essa é uma vertente esportiva que está muito aquém do cenário nacional no nosso Estado. Isso por causa da falta de investimentos. Precisamos resgatar o esporte aqui no Estado como ferramenta de inclusão social, prevenção à saúde e para contribuir com a redução da violência e fortalecimento de valores como respeito ao próximo, disciplina e trabalho em equipe.

DN – Em relação à questão indígena, como você avalia atualmente?

RA - Nós temos que respeitar os indígenas, respeitar a sua cultura e seus direitos. O grave problema que nós estamos vivenciando hoje é a invasão de terras escrituradas e quem estimula este conflito é o Governo Federal, porque se omite e não apresenta soluções. Todos perdem com essa disputa. Perde o indígena, perde o produtor, o Estado e os Municípios do Mato Grosso do Sul, porque cria-se uma sensação de insegurança jurídica. Eu quero contribuir com a preservação da cultura indígena. Vamos trabalhar com os povos indígenas e oferecer uma presença do Estado que hoje não existe, nas áreas de saúde, educação, tecnologia e equipamento para produzir. No nosso governo nós vamos estabelecer um novo diálogo e resolver por definitivo essa questão, contando com o apoio e a sensibilidade de um novo presidente da República, o Aécio Neves, que eu não tenho dúvida vai acabar com essa história de empurrar com a barriga e resolver essa questão por definitivo aqui no Mato Grosso do Sul. O nosso governo também vai ter um assento para discussão e inclusive uma fundação, uma autarquia, que vai tratar diretamente com os indígenas, tendo esse elo com a comunidade indígena, que é muito importante para o nosso Estado.

DN- – Qual seria a maneira de acabar com o conflito envolvendo produtores rurais e índios?

RA - Os governos federal e estadual têm as ferramentas para resolver isso. Quem titulou essas terras aos produtores foi o Estado de Mato Grosso e a União e se essas terras não pertenciam ao Estado, pertenciam aos indígenas, quem tem que indenizar é o Estado e nós precisamos resolver por definitivo essa questão.

DN – Para finalizar, qual será a primeira medida tomada ao assumir o governo, caso vença o pleito eleitoral deste ano?

RA - Vamos governar ouvindo a população, discutindo os problemas e compartilhando responsabilidades. Vamos pensar no desenvolvimento e cuidar das pessoas, colocando foco, por exemplo, no nosso maior problema, a Saúde. O Estado precisa aportar recursos no setor. Não adianta dizer que isso é responsabilidade só dos municípios. O Estado tem que ser parceiro dos municípios e fazer a regionalização dos serviços de saúde funcionarem. Minha primeira medida será esta: investir na Saúde, para tornar Mato Grosso do Sul referência em atendimento de saúde pública no País.

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