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Quando planejar a próxima safra, não se esqueça da Física do Solo*

04 abril 2007 - 11h51

O bom desempenho de uma safra agrícola, além das condições climáticas, da cultivar utilizada, e do manejo, depende de boas condições do solo, envolvendo suas características químicas, biológicas e físicas. No entanto, apesar de sua importância, as características físicas do solo são freqüentemente ignoradas ou desconsideradas pelos agricultores. Tais características dizem respeito aos comportamentos mecânico, térmico e hidrológico propiciados a partir das interações físico-químicas entre os constituintes do solo, com implicações até mesmo sobre sua fertilidade e nutrição de plantas.

O solo é constituído por materiais orgânicos e minerais que interagem entre si, estes últimos divididos em classes de tamanho de partículas conhecidas como areia, silte e argila (as menores). As partículas orgânicas e as minerais do tamanho de argila são aquelas consideradas ativas, exibindo cargas elétricas e promovendo a união entre as demais, dando “liga” ao solo, mas essa atividade varia muito de acordo com o tipo de material orgânico ou mineral presente. O arranjo entre as partículas de diversos tamanhos constitui a estrutura do solo, que determina sua porosidade. A intensidade da interação entre as partículas do solo influencia a estabilidade de seus agregados, a consistência do solo, e a resistência mecânica à penetração.

A porosidade diz respeito aos espaços ocupados por água ou ar, relacionando-se, assim, com sua aeração e capacidade de conduzir e armazenar água. Os poros de um solo podem ser classificados em macroporos e microporos, sendo que os primeiros são responsáveis pela condução e os segundos pela retenção de água. A porosidade dos solos varia costumeiramente entre 40 a 60%. O manejo inadequado do solo, submetido a cargas mecânicas intensas quando sua umidade está elevada, causa o colapso de poros, diminuindo sua condutividade hidráulica e sua capacidade de armazenamento de água e aeração.

A densidade de um solo é facilmente determinada em laboratório e permite avaliar o grau de compactação do mesmo. Aumentos sucessivos da densidade de um determinado solo implicam na diminuição de sua porosidade e indicam problemas em seu manejo, como excesso de carga mecânica nas operações de preparo e plantio, ou a não observação da umidade máxima para tráfego. A correção dos problemas de adensamento do solo é feita por meio de práticas bastante custosas, como a subsolagem. Outras técnicas, como a mistura de materiais sintéticos porosos ao solo, ainda não são utilizadas no Brasil, devido seu custo altamente proibitivo.

Outra conseqüência do adensamento do solo é o aumento da resistência mecânica à penetração, dificultando o desenvolvimento de raízes, o que compromete a capacidade das plantas obterem água e nutrientes, limitando seu crescimento e desenvolvimento. Além disso, as raízes das plantas precisam respirar para manter suas funções metabólicas de absorção de água e nutrientes, consumindo oxigênio que, geralmente, deve ser conseguido no próprio solo. Solos pouco porosos são mais facilmente sujeitos ao encharcamento, ocasionando deficiência na aeração. Um caso clássico desse problema acontece na cultura do milho, que apresenta coloração amarelada quando em ambiente alagado, por ter a absorção de nitrogênio praticamente zerada enquanto essa condição perdurar.

Não são raros relatos de agricultores se referindo a solos “cansados”, que não respondem adequadamente à adubação fosfatada, ainda que as análises de fertilidade indiquem nível considerado bom ou ótimo de fósforo. Esse fato acontece porque a absorção de elementos pouco móveis no solo, como o fósforo e o zinco, é bastante prejudicada em solos compactados, agravando-se ainda mais quando se trata de solos muito argilosos.

Os agregados de um solo podem ser comparados aos tijolos que permitem a construção de sua estrutura. Assim, a estabilidade dos agregados se relaciona com sua capacidade de manter íntegra essa estrutura, o que é de fundamental importância para se evitar a erosão e o encrostamento superficial. Solos arenosos costumam apresentar baixa estabilidade de agregados e por isso são altamente susceptíveis à erosão, exibindo, com facilidade, uma fina camada de areia residual em sua superfície após chuvas intensas. Solos siltosos, além de susceptíveis à erosão, exibem tendência ao encrostamento superficial, o que diminui a infiltração de água e agrava, ainda mais, a erosão. Solos com agregados fracos tendem mais facilmente à compactação e redução da porosidade, o que também contribui para menor condução de água e aumento da erosão.

A estabilidade dos agregados depende muito da composição do solo e há pouca margem de interferência no tocante aos constituintes minerais. No entanto, aumentos da agregação de um solo podem ser conseguidos ao se aumentar os teores de matéria orgânica do mesmo, já que esses compostos conseguem ligar-se a várias partículas simultaneamente, atuando como uma rede que prende as partículas. Dessa forma, todas as práticas que possibilitem o aumento dos teores de matéria orgânica são favoráveis à agregação, incluindo a adubação orgânica e o plantio direto, com efeitos mais evidentes em solos arenosos.

A consistência dos solos pode ser avaliada com o solo seco (dureza), úmido (friabilidade) e molhado (plasticidade e pegajosidade). Operações de preparo do solo e plantio só devem ser realizadas com o solo úmido, evitando-se o estado seco, quando torna-se duro, e o estado molhado, quando tende a ser pegajoso e plástico. Solos argilosos tendem a apresentar comportamentos extremos quanto à consistência, sendo duros quando secos e plásticos e pegajosos quando molhados, havendo uma estreita faixa de umidade que permite as operações. Essa faixa de umidade pode ser ampliada com o aumento dos teores de matéria orgânica, que atua como um condicionador que diminui a dureza, a plasticidade e a pegajosidade.

Ações relativamente simples como não proceder as operações mecânicas em solos molhados, conjugadas com práticas que promovam aumentos dos teores de matéria orgânica podem garantir o bom estado físico dos mesmos, evitando problemas de compactação, erosão e queda de produtividade. É necessário que se conheça as características físicas e se faça um acompanhamento periódico das condições físicas do solo, possibilitando correções das práticas de manejo que eventualmente estejam inadequadas.



*Eng. Agrôn. Walder Antonio Gomes de Albuquerque Nunes
Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste
Gênese, Física e Classificação de Solos


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