O revezamento da tocha olímpica pelo mundo continua rendendo polêmica. Na manhã de hoje, um grupo de manifestantes tentou abordar o ônibus que levava os selecionados para carregar o artefato e foi reprimido pela polícia inglesa. O incidente aconteceu pouco depois após o início do revezamento com o remador Steve Redgrave. Cinco vezes campeão olímpico, ele foi o primeiro no revezamento. O ataque ao ônibus não foi o único incidente do dia. Pouco depois, na região norte da cidade, outro grupo tentou agarrar a tocha durante a passagem. O revezamento teve de ser interrompido durante alguns minutos até que o homem responsável pelo ataque fosse preso. Ao mesmo tempo, outro manifestante tentou apagar a chama olímpica, mas não foi bem-sucedido. A confusão levou à prisão de dez manifestantes.
Apesar do tumulto generalizado houve quem manifestasse apoio à China, carregando bandeiras do país durante o trajeto. Mas os críticos do sistema eram em maior número ou, pelo menos, marcaram mais presença. Em outro ponto do trajeto, pessoas gritavam "Tibete livre". "Como cidadão inglês, eu tenho o direito de ficar onde eu quiser na rua", disse à Associated Press um dos manifestantes, Roger Moulland, 54 anos, pouco antes de ser retirado da área pelo policiamento. Os protestos têm marcado a viagem da tocha pelo mundo.
A principal razão é o impasse existente entre o governo chinês e o Tibete, ocupado pelo vizinho desde 1959. Há algumas semanas, conflitos violentos ocorreram na região de Lhasa, levando à prisão e morte de manifestantes. Cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2012, Londres preparou uma festa com muitos atletas, ex-atletas e celebridades para marcar a passagem da tocha. Apesar dos protestos, o primeiro-ministro Gordon Brown destacou que a competição conta com o apoio até mesmo de alguns críticos do sistema chinês. "É importante reconhecer, quando se pergunta sobre a questão da tocha olímpica, que o próprio Dalai Lama disse que não deseja ver um boicote às Olimpíadas", afirmou. Nesta segunda-feira, a tocha chega a Paris. Na capital francesa são esperadas mais manifestações de apoio ao Tibete e de crítica à situação dos direitos humanos na China.
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