Foram presos no Paraguai ontem o peão de fazenda Pedro Júlio Ramos Orrego, de 28 anos, e Manoel Orrego, de 58 anos, acusados de matar o fazendeiro e advogado Benedito Celso Rodrigues Dias, 60 anos e seu capataz, Guinardi Martins, o ‘Dinarti’. O crime aconteceu na Fazenda das Nascentes, em São Gabriel do Oeste (MS), a 140 quilômetros da Capital, no dia 12 de janeiro deste ano. À polícia, Pedro disse que fez tudo sozinho e alegou legítima defesa.
Eles foram executados com golpes de machado e não de facão, como acreditava a polícia. Os detalhes do crime foram relatados durante oitiva no 1º Distrito Policial de Ponta Porá. Pedro Júlio Ramos Orrego foi preso em Puentecinho, distrito de Bella Vista Norte, no Paraguai em companhia do pai, Manoel Orrego, 58 anos.
No dia do crime, Pedro disse que recebeu R$ 730 referente a salários atrasados e teria ouvido o fazendeiro conversar com ‘Dinarti’ e dizer ‘será hoje’ e ‘não passa de hoje’. Todos estavam bebendo. “Fiquei mais moderado, porque eles traziam cachaça, mas eu desconfiei que queriam me embriagar, então jogava parte da pinga fora”, disse.
O acusado disse que fez a janta, convidou o patrão e o capataz para a mesa, mas os dois não quiseram comer e ficaram na área. “Eles disseram: ‘vamos comer daqui a pouco’. Acho que já estavam combinados, sei lá”, afirmou o peão. Ele revelou que terminou de jantar e foi para a varanda.
“Quando eu havia acabado de sentar, o ‘Dinarti’ se aproximou de mim com uma faca e tentou me atingir, mas a lâmina atingiu a mesa e quebrou; então eu passei a mão num machado que havia num canto e desferi um golpe na cabeça dele”, contou. Logo em seguida surgiu o fazendeiro “com alguma coisa na mão, que eu pensei que era uma arma”.
Ele disse que aplicou um novo golpe com o machado, desta vez contra o fazendeiro. “Daí para frente eu perdi a cabeça, peguei colchões e tudo o que havia na casa, joguei óleo diesel e meti fogo, deixei os corpos na área”. Em seguida, o homicida disse que pegou uma F-4000 da fazenda, placas ACX-3218 e fugiu para onde estava seu pai.
Ao chegar onde estava Manoel Orrego, na Fazenda Princesa, propriedade vizinha e que pertencia ao mesmo dono, o acusado contou o que havia ocorrido. “O pai decidiu ir comigo porque sabia que seria morto se ficasse e o ‘Neguinho’ foi também porque tinha mandado de prisão, era ‘pedido’ pela polícia”, confessou Pedro.
Com a F-4000, saíram alguns quilômetros da cidade, pararam num posto, encheram o tanque e partiram para Campo Grande. “Ninguém parou a gente na rodovia entre São Gabriel do Oeste e Campo Grande porque passamos de madrugada, os policiais estavam dormindo nessa hora”, explica.
Taxi
Em Campo Grande, por volta das 4h40min eles avisaram uma tia do rapaz (irmã de Manoel) sobre o que havia acontecido e depois atravessaram a cidade, abandonando o caminhão com o tanque cheio na outra extremidade. De lá, o trio voltou para o terminal rodoviário e fretou um táxi para levar os três até Bela Vista (MS) onde residem familiares de Manoel Orrego. “Paguei R$ 530 pela corrida”, afirmou Pedro Júlio.
Já na fronteira, os três acusados passaram para Bella Vista Norte, no Paraguai, e conseguiram emprego em carvoarias da região de Puentecinho. Circulando na cidade, foram abordados pela polícia paraguaia e como não tinham documentos acabaram detidos e tiveram os nomes checados do lado brasileiro. Esta madrugada eles foram transferidos para São Gabriel do Oeste.
Barbárie
A barbárie chocou quando a polícia chegou ao local e viu os corpos sendo devorados por uma matilha.
Há cerca de quatro anos, o capataz cumpriu pena no EPSM (Estabelecimento Penal de Segurança Máxima) por envolvimento com o narcotráfico. Foram pelo menos três anos na prisão. O advogado que o defendeu era Benedito Rodrigues, o atual patrão para quem trabalhava e que foi morto junto com ele numa execução que chocou os moradores da pequena cidade de 18,2 mil habitantes. Guinardi trabalhava com Rodrigues há três anos e não tinha a carteira de trabalho registrada. A investigação foi feita pelos policiais de São Gabriel do Oeste e da Delegacia de Homicídios, da Capital.
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