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Preso apresentador que disse ter matado parceiro com aids

17 fevereiro 2010 - 09h26

Um apresentador da BBC que revelou ter sufocado seu ex-parceiro que sofria de aids para poupá-lo de uma "dor terrível" foi preso nesta quarta-feira.

Ray Gosling, 70 anos, contou aos telespectadores do programa Inside Out que tinha um pacto com seu antigo parceiro - cujo nome não revelou - de pôr fim à vida dele caso a dor da doença se tornasse insuportável e não houvesse mais esperança de tratamento. O programa foi ao ar na segunda-feira.

Em seu programa, que abordou o tema da morte, o apresentador de Nottingham disse que o momento chegou quando médicos comunicaram que não havia mais opções para reverter a doença.

"Eu disse ao médico: 'Deixe-nos a sós apenas um momento', e ele nos deixou. Eu peguei o travesseiro e o sufoquei até a morte. Não tenho remorso. Fiz o certo", revelou Gosling.

Na manhã de terça-feira, após a exibição do programa, a polícia de Nottinghamshire tinha anunciado a instauração de um inquérito sobre o caso. Um porta-voz da BBC disse que a empresa não sabia da confissão até o momento de o programa ter ido ao ar.

Horas antes, em um programa matinal da BBC, o apresentador havia afirmado que estava consciente das implicações - inclusive criminais - da revelação.

"Quando você ama alguém, é difícil vê-lo sofrer. Minha impressão sobre a eutanásia é como gelatina - balança de um lado para o outro. Agora é o momento de compartilhar um segredo mantido sob sigilo por muito tempo", declarou Gosling.

O apresentador afirmou que alguns membros da família de seu ex-parceiro sabiam do episódio, mas não imaginou que sua confissão fosse ser transmitida em rede nacional e ganhar o mundo.

Gosling disse que decidiu contar seu segredo para o seu público da região de East Midlands porque tem uma "relação íntima" com os telespectadores.

Experiência
O editor do programa Inside Out em East Midlands, Tony Rowe, disse que a decisão de Gosling de revelar seu segredo veio a partir da experiência de fazer um programa sobre a morte, em que ele entrevistou, entre outras pessoas, uma mulher responsável pelo marido que sofre do mal de Alzheimer.

"Ele conversou com tanta gente sobre suas experiências ao longo da produção do programa que achou que seria desonesto não falar da sua própria", disse Rowe. "Fomos muito cuidadosos para garantir que ele estava ciente de quanto ele estava se expondo."

"Em 20 anos de documentário, foi provavelmente o filme mais forte em que já estive envolvido."

O suicídio assistido é crime na Grã-Bretanha, mas novas diretrizes publicadas em setembro pelas autoridades judiciais estabelecem fatores que influenciam a decisão de abrir ou não um processo em diferentes casos na Inglaterra e no País de Gales.

No mês passado, Kay Gilderdale, 55 anos, de Stonegate, em East Sussex, foi absolvida da acusação de tentar matar sua filha de 31 anos, que estava seriamente doente e já havia tentado pôr fim à sua vida antes.

Dias antes, outra mãe, Francês Inglis, 57 anos, de Londres, foi condenada a nove anos de prisão por assassinato por ter injetado uma dose letal de heroína em seu filho Thomas, que sofria de danos cerebrais.


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