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Pragas e doenças comprometem cultura da mandioca

14 junho 2004 - 14h37

A cultura da Mandioca em Mato Grosso do Sul sempre foi ampla e significativa para os agricultores. Como mostram os números, o Estado plantou em 2003 mais de 36 mil hectares de mandioca, o que significará uma produção superior a 720 mil toneladas. É verdade que os números são bem animadores, se não fossem algumas situações adversas que podem vir a causar uma quebra de aproximadamente 50% da produção. Os responsáveis por tamanho prejuízo são pragas bem conhecidas pelos mandiocultores: a mosca branca e a bacteriose. O motivo apontado para tamanha proliferação seria a insasionalidade climática.Os primeiros indícios registrados no Vale do Ivinhema datam de novembro do ano passado. Nada de tão grave, mas já era o começo. De acordo com a técnica extensionista rural do Instituto de Desenvolvimento Agrário e Assistência Técnica e Extensão Rural (Idaterra), de Ivinhema, Teonília Pereira da Silva, "o problema se tornou visível a partir de janeiro desse ano. Em boa parte das plantações, aos arredores do município, se notava a presença da mosca branca e posteriormente da bacteriose".  Mas o problema mesmo só foi apresentado a Câmara Setorial da Mandioca no primeiro dia do mês de junho. Como articulador da cadeia produtiva, o coordenador da Câmara, vinculado a Secretaria de Estado da Produção e do Turismo (Seprotur), Carlos Gonçalves convocou um corpo técnico para averiguar de perto a situação. "Considerando a importância social e econômica da cultura naquela região, onde se cultivam 43% da área plantada com mandioca - 15,5 mil hectares com uma produção aproximada de 246,4 toneladas - e 32% do crédito rural aplicado em Mato Grosso do Sul - aproximadamente R$ 6,3 milhões - as providências não poderiam tardar", comenta Carlos.Visando identificar a praga e/ou doença, Carlos Gonçalves e demais parceiros - Sebrae/MS, Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Banco do Brasil, Secretaria de Desenvolvimento Agrário (DAS)/Idaterra, Seprotur, Embrapa e Prefeitura Municipal de Ivinhema - realizaram um encontro técnico, no último dia oito, como modo de propor medidas de controle. O agricultor Valdir Rames foi um dos que participaram da reunião. Em sua propriedade 12 hectares foram destinadas a cultura da mandioca e segundo ele a mesma extensão também está toda comprometida. "No meu caso a solução está na colheita. Ao invés de 18 meses vou começar a colher a minha plantação hoje, com apenas 10 meses", afirma. Assim como Rames, boa parte dos agricultores estão efetuando a colheita antes do tempo, mas essa é a melhor parte, pois a pior está no preço. Nas duas fecularias locais, há 15 dias atrás a tonelada estava saindo por R$ 260,00. Com todo esse problema o preço caiu para R$ 160,00 a tonelada.Durante visitas as propriedades rurais foram identificadas, com grande ocorrência, a praga mosca branca e a doença bacteriose. No primeiro caso as infestações são mais ocasionais e, normalmente, atuam em grandes populações - de 300 a 500 moscas por folha. Tantos os adultos quanto às ninfas (fase jovem do inseto), se alimentam da seiva das folhas acabando por secá-las e conseqüentemente causando percas no rendimento da planta. Por possuir várias espécies hospedeiras o seu controle é muito difícil. Já no segundo caso, a doença está hospedada na mandioca por contaminação das manivas - e se desenvolve conforme condições favoráveis. Comumente, nesse caso, a doença ataca no sentido da folha para a raiz acabando por interferir na circulação da água. Dessa característica, resulta a murcha (seca e morte descendente dos ramos mais novos), principal sintoma da doença. Segundo o pesquisador da Embrapa mandioca, Chigeru Fukuda em ambos os casos o clima é apontado como o principal responsável. "É bem provável que essa alta incidência, tanto da mosca branca como da bacteriose, esteja relacionado ao período seco ocorrido no início do ano, associado às chuvas abundantes dos últimos meses", explica.No caso da mosca branca a pulverização de inseticidas seria inviável. "Esse tipo de praga é muito resistente, por isso a pulverização não compensa", argumenta Fukuda. Segundo ele a solução pode estar no próprio clima. "Com a chegada do inverno às plantas perderão as folhas, o que diminuirá a quantidade de alimentos disponíveis refletindo na queda da população de insetos", completa.Como medida de controle da bacteriose Fukuda recomenda que os caules sejam todos podados na parte inferior ao contaminado. Para evitar futuros aborrecimento o pesquisador também recomenda as seguintes práticas: seleção rigorosa das manivas para plantio, adequação do espaçamento utilizado e principalmente a utilização de variedades mais resistentes. Conforme o pesquisador da Embrapa Dourados, Auro Otsubo em Mato Grosso do Sul apenas quatro espécies são exploradas: a fécula branca, espeto, olho junto e a IAC 90. "Temos mais de quatro mil variedades disponíveis para serem cultivas. Caso isso acontecesse não haveria tão cedo situações como a que estamos vendo aqui em Ivinhema", conclui. 

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