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Ponta porã investe na educação especial

25 julho 2007 - 18h31

Matricular um aluno portador de necessidades especiais no ensino regular. Mantê-lo em sala de aula e, garantir sua inserção social com um bom rendimento escolar, podem parecer tarefas difíceis. Mas isto está sendo feito e ampliado a cada ano nas escolas públicas de Ponta Porã.
 
Hoje, são cerca de 700 crianças matriculadas desde a educação infantil até o ensino médio em toda a rede pública. Na Rede Municipal de Ensino, por exemplo, o crescimento no número de matrículas nos últimos anos cresceu mais de 100%. Isto se deve aos investimentos efetuados pela Secretaria Municipal de Educação que segue as diretrizes do prefeito Flávio Kayatt no sentido de que a Educação deve ser estendida a todas as crianças.
O mérito maior é da equipe de educação especial, composta por uma psicóloga, uma psicopedagoga, uma pedagoga, um neurologista e fonoaudióloga. “A escola tem que incluir e, por isso, deve aceitar qualquer pessoa em qualquer situação. Quem tem dificuldades de aprendizagem, merece um atendimento especial e é isto que estamos proporcionando”, afirma a professora Juraci Peloso Scarmagnani, pedagoga que compõe a equipe da Educação Especial.
Ela aponta um fator extremamente favorável: “As escolas municipais estão se preparando melhor para atender estas crianças. Hoje temos alunos que se encaixam neste perfil em todas as escolas da Rede Municipal de Ensino”, diz Juraci que acrescenta: “existe uma legislação que ampara o aluno com necessidades especiais ou aluno deficiente. É um direito dele e um dever nosso, enquanto escola, atendermos este aluno”.
A outra é o treinamento. Atendendo uma determinação da secretária municipal de Educação, Professora Maria Leny Antunes Klais, a equipe da educação especial promove constantemente uma série de atividades de capacitação do pessoal que trabalha nas escolas. Para isso, a Secretaria Municipal de Educação, promoveu recentemente o primeiro encontro de educação especial com o tema “dificuldades de aprendizagem”.
De acordo com a psicopedagoga, Rosinei Sandri, “estamos atendendo professores que atuam do primeiro ao quinto ano nas escolas municipais. É um trabalho de formação continuada. São profissionais que atuam com alunos portadores de necessidades educativas especiais ou alunos deficientes. Um trabalho que possa ajudar na sala de aula, proporcionando aos professores e demais agentes educadores, as condições necessárias para que o atendimento se torne adequado a estas crianças”, afirmou Rosinei.
Segundo a equipe da educação especial, as dificuldades mais comuns que prejudicam a alfabetização que podem ser detectadas pelos professores e coordenação são alunos com baixa visão, aqueles que precisam de um recurso para ler, um material especial que possa ajudar a ampliar os tamanhos das letras, por exemplo. Também existe o aluno surdo que necessita que o professor saiba trabalhar Libras – a Linguagem Brasileira de Sinais e alunos deficientes mentais. “Neste caso o professor tem que trabalhar um maior número de atividades porque a dificuldade de aprendizagem dele é maior. Precisa de exercícios diferenciados. Temos alunos com paralisia cerebral. Temos também alunos que apresentam duas deficiências, uma mental e outra física. Em todos os casos eles podem ser atendidos no ensino regular. Os casos mais complexos exigem uma escola diferenciada, por isso existe a APAE”, explica Juraci.
A capacitação constante permite que o professor tenha condições de observar melhor e, logo nos primeiros dias de aula, os alunos com características de portador. Assim que isso é feito, a equipe da educação especial é chamada. Cada profissional, dentro da sua especialidade, avalia a criança e elabora um parecer sobre a dificuldade dela. A partir daí a criança passa a receber uma atenção diferenciada. De acordo com a sua deficiência.
A equipe considera o trabalho extremamente importante. “Os resultados são animadores. Para o aluno percebemos melhor aprendizagem, lenta, não na mesma velocidade de outra criança, mas existe uma melhora significativa. Melhora sua auto-estima, ele se sente criança pertencente a um grupo, sente-se incluso. Até os outros alunos que não possuem as mesmas dificuldades acabam aprendendo muito, especialmente o respeito, a aceitação das diferenças”, garante Juraci.
Ela aponta outro benefício: “a família também é beneficiada após a intervenção da equipe de educação especial. Os pais sentem a diferença. Vêem que melhora o aprendizado do filho, a auto-estima e não se sentem tão sozinhos na educação dessa criança. Sentem, na equipe, que tem mais alguém preocupado e que faz um trabalho que se expande inclusive para outras áreas como o atendimento social, de saúde, para onde encaminhamos caso seja necessário. Os pais não se sentem sozinhos. Nos vêem como mais alguém ajudando –os”.
O momento mais marcante de todo o trabalho é quando existe uma sintonia entre todos os alunos em situações diferentes dentro da sala de aula. É muito interessante quando uma professora tem um aluno surdo. Ela, para se comunicar, utiliza a linguagem de sinais. Quando ela conversa com o aluno surdo, os outros alunos também vão aprendendo a fazer sinais em libras para a professora. Falam a letra, falam a palavra, mas começam a fazer sinais. “Isso é fantástico, especialmente para o aluno portador de deficiência, porque ele se sente incluído no meio. Quando os outros começam a falar sua linguagem, ele se sente pertencente ao grupo. Ocorre o rompimento das barreiras”, observa a coordenadora da equipe.
Por conta deste trabalho, em Ponta Porã já existe uma quantidade razoável de alunos sendo atendidos nas escolas mantidas pelo Município, seguindo uma tendência registrada em todo o território brasileiro.

De acordo com o Ministério da Educação, de 1998 até o ano passado ocorreu um aumento de 640% no número de matriculas de alunos portadores de deficiências no ensino regular em todo o Brasil. Em Mato Grosso do Sul, de 2002 a 2006, o crescimento foi de 120%. Em Ponta Porã ocorreu um aumento de mais de 100%. “Temos hoje nas escolas públicas cerca de 700 alunos matriculados no ensino regular, em todos os níveis, desde a pré-escola, ensino fundamental e ensino médio”, aponta Juraci.

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