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VENEZUELA

Trump recua sobre acusação de que Maduro chefiava cartel

06 janeiro 2026 - 21h20Por G1

O governo Trump deixou de acusar o ditador deposto da Venezuela Nicolás Maduro de liderar o Cartel de Los Soles e recuou também sobre a existência do grupo em uma versão reescrita da acusação judicial que o Departamento de Justiça norte-americano move contra Maduro.

O movimento representa uma mudança na linguagem usada pelo governo Trump contra Maduro e sobre o suposto cartel de drogas venezuelano em relação à acusação feita pelo Departamento de Justiça em 2020, segundo uma análise do jornal norte-americano "The New York Times".

Os Estados Unidos afirmaram ao longo de 2025 que o Cartel de Los Soles é um cartel de drogas liderado por Maduro em meio à escalada de tensões e militar que protagonizou contra o regime venezuelano. A escalada culminou em uma operação militar em Caracas para a prisão de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no último sábado (3). A ação foi sem precedentes nas últimas décadas na América Latina e repudiada pela comunidade internacional.

Maduro, que antes era acusado de ser "chefe de uma organização terrorista narcotraficante", passou a ser culpado de "participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção de enriquecimento a partir do tráfico de drogas" e de lucrar com isso, segundo o novo documento do Departamento de Justiça, divulgado ainda no sábado. Mesmo assim, ele responderá a quatro acusações relacionadas ao narcoterrorismo (leia mais abaixo).

Já o Cartel de Los Soles, que foi designado como organização terrorista internacional pelo Departamento de Estado em novembro, foi mencionado apenas duas vezes no novo documento e passou a ser caracterizado como um termo guarda-chuva para o narcotráfico regido pela elite venezuelana.

"O réu, Nicolás Maduro Moros — assim como o ex-presidente Chávez antes dele — participa, perpetua e protege uma cultura de corrupção na qual as elites poderosas da Venezuela se enriquecem por meio do tráfico de drogas e da proteção de seus parceiros traficantes. Os lucros dessa atividade ilegal fluem para oficiais civis, militares e de inteligência corruptos de diferentes níveis, que operam em um sistema de clientelismo comandado pelos que estão no topo — conhecido como Cartel de Los Soles ou Cartel do Sol, em referência ao símbolo do sol afixado nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alta patente", afirmou o Departamento de Justiça.

A existência do Cartel de Los Soles já era questionada por especialistas por não ter hierarquia definida e se tratar de uma “rede de redes” que facilita o tráfico de drogas e lucra a partir dele, composta de membros das mais diversas patentes militares e estratos políticos da Venezuela. 

Maduro foi formalmente acusado de narcoterrorismo em audiência em Nova York na segunda-feira, na qual ele se declarou inocente e disse ser um "prisioneiro de guerra". Ele responderá pelos seguintes quatro crimes nos EUA, que foram descritos pela nova acusação do Departamento de Justiça:

Conspiração para o narcoterrorismo;

Conspiração para o tráfico de cocaína;

Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;

Conspiração para posse de metralhadores para uso pelo narcotráfico.

Cartel de Los Soles

O Cartel de Los Soles é um nome dado pela imprensa venezuelana a uma rede difusa de tráfico de drogas que Maduro ajudou a instalar e a qual ele usa para se manter no poder, segundo Jeremy McDermott, cofundador e codiretor do InSight Crime, uma fundação que estuda o crime organizado nas Américas.

O esquema vêm de muito antes de Hugo Chávez, antecessor de Maduro, assumir o poder, afirmou McDermott, que já teve seu trabalho validado por jornais como "The New York Times", o "The Washington Post" e "The Guardian".

Para o pesquisador, o Cartel de Los Soles não é uma organização centralizada como por exemplo o Cartel de Sinaloa, de “El Chapo” Guzmán, ou o Cartel de Medellín, de Pablo Escobar.

Mesmo assim, há indícios de que Maduro, mesmo não sendo o líder do Cartel de Los Soles, é um dos principais beneficiários de uma “governança criminal híbrida” que ele ajudou a instalar no país. Isso porque o então presidente venezuelano e os chavistas não controlam o tráfico e se beneficiam da compra e venda de cocaína, mas distribuem concessões a militares e aliados, em troca de sua manutenção no poder, segundo McDermott.

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