O deputado estadual Laerte Tetila (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, encontra-se hoje, em Brasília, onde entregará, no Ministério da Justiça, um dossiê contendo dados da violência contra povos indígenas e sobre o possível assassinato do líder indígena Nísio Gomes, ocorrido provavlemente na última sexta-feira, dia 17, numa área localizada entre Ponta Porã e Amambai. Também em Brasília, Tetila participa da criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Indígenas.
Segundo relatos de familiares da possível vítima de assassinato, Nísio Gomes, mais de 40 homens armados chegaram em caminhonetes e teriam matado o líder indígena e levaram o corpo com eles. Outras três pessoas, entre elas uma criança, também estariam desaparecidas e, acredita-se, que também possam ter sido mortas durante o ataque.
A imprensa nacional e internacional está chamando o caso de “Massacre de Guaiviray”. Jornais portugueses, ingleses e norte-americanos já noticiaram o fato. “É lamentável presenciarmos, mais uma vez, essa cena de barbárie e massacre contra os povos indígenas do nosso Estado sem que as autoridades tenham sequer encontrado indícios que levem à indicação dos culpados”, disse Tetila.
No dossiê, o deputado lembra, também, dos professores Rolindo e Genivaldo Verá, mortos em Paranhos, sendo que o corpo de Rolindo jamais foi encontrado e, ainda, do ataque com coquetel molotov a um ônibus que transportava estudantes em Miranda, quando vários indígenas ficaram feridos e Lucivone Pires, de 28 anos, mãe de quatro filhos, morreu.
Nesses dois casos, ninguém foi preso, nem sequer os acusado dos crimes. “É uma impunidade, uma covardia que cada vez ganha mais força. Mato Grosso do Sul não merece isso. Os indígenas não merecem esse tratamento, essa violência. No Ministério da Justiçca, defenderemos ações enérgicas para conter essa onda de desrespeitos à dignidade da pessoa humana, porque não dá mais para esperar”, argumenta o petista Tetila.
Dados do Cimi – Conselho Indigenista Missionário – mostram que o Estado é um local violento para as comunidades indígenas. Só em Dourados, por exemplo, o índice de assassinatos para cada grupo de 100 mil pessoas índias é de 145, enquanto no Iraque, ainda em guerra, é de 93 para toda a população.
A Reserva de Dourados está 495% acima da média de assassinatos em todo o Brasil, onde a taxa é de 24,5 pessoas para cada grupo de 100 mil brasileiros. Os números do Cimi referem-se a levantamentos feitos entre 2003 e 2010 e mostram, ainda, que dos 457 homicídios contra indígenas no Brasil, 250 foram em Mato Grosso do Sul.
Das 301 tentativas de homicídio, 190 foram no Estado e dos 99 atropelamentos, 50 ocorreram em rodovias sul-mato-grossenses. Esta é a segunda vez, só este ano, que Tetila vai a Brasília tratar da violência contra índios no Estado.
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