O presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Marcelo Xavier, teve que se retirar de um evento que participava em Madri, na Espanha, nesta quinta-feira, dia 21 de julho, após ser chamado de miliciano e assassino por um indigenista brasileiro que estava no local.
Durante a assembleia geral do Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e Caribe (Filac), na capital espanhola, o brasileiro Ricardo Rao levantou de seu assento e, gritando, fez as acusações contra Xavier, que acabou deixando o local.
"Este homem não é digno de estar entre vocês. Marcelo Xavier é um assassino. Este homem é miliciano, é responsável pela morte do (indigenista) Bruno Pereira (...) e do (Dom) Phillips.
Em 2020, Rao foi exonerado do cargo de indigenista especializado da Funai pelo próprio Xavier. Ele era coordenação regional no Maranhão e, após ameaças, fugiu para a Europa, onde mora atualmente.
Após as acusações, que a plateia ouviu em silêncio, o presidente da Funai se levantou e deixou a sala onde acontecia o evento. Ele chega a falar algo para a plateia, segundo um vídeo que circula nas redes sociais, antes de se retirar do local.
A Funai, em nota, repudiou os ataques verbais e destacou que "tais atitudes são irresponsáveis, violentas e antidemocráticas, inviabilizando, assim, qualquer tipo de diálogo sadio e producente".
"O manifestante que proferiu de forma agressiva os ataques verbais foi funcionário da Funai até o ano de 2020, tendo sido exonerado na ocasião por não ter cumprido as condições de estágio probatório", explica a nota divulgada pela fundação.
Eles ressaltaram que o presidente de Funai optou por sair voluntariamente do local, por "motivos de segurança", e disse que legalmente Rao será "objeto de ação judicial por crime contra a honra e ação de indenização por danos morais".
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