O presidente do Sindicato Rural de Iguatemi, Márcio Margotto Nunes e o prefeito da cidade, José Roberto Felippe Arcoverde (PSDB), estão sendo acusados pelo Conselho Indigenista Missionário – Cimi, da Igreja Católica, de intimidar um grupo de indígenas que acompanhava dirigentes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), representantes de entidades de apoio, entre as quais o Cimi, funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da comitiva do Governo Federal que realiza visita oficial ao estado.
A tentativa de intimidação teria ocorrido na tarde do último domingo na frente de agente da Força Nacional de Segurança. Segundo o Cimi havia fazendeiros junto com o presidente do Sindicato Rural e eles estavam com máquinas fotográficas e uma “caneta espiã”. “[Eles] passaram a filmar e fotografar ostensivamente as lideranças indígenas, apoiadores e mesmo os integrantes da comitiva oficial. Além disso, o presidente do Sindicato Rural, portando-se como uma autoridade policial, passou a exigir a identificação do coordenador da comitiva, o secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, ao que se seguiu uma intensa discussão entre ambos”, diz o Cimi.
No comunicado da entidade há relato que após alguns telefonemas do presidente do Sindicato Rural, o prefeito da cidade (que é ex-presidente do Sindicato), José Roberto Felippe Arcoverde, apareceu no local.
De imediato foi “questionado sobre os motivos pelos quais nenhum membro da prefeitura fora designado para acompanhar a visita à comunidade de Pyelito Kue”, relatam os missionários.
O prefeito teria dito que era por conta de ser domingo e, portanto, não possuir servidores para executar essa tarefa. Já quando perguntado sobre o porquê dele estar ali, “o prefeito reagiu com grande agressividade verbal contra um dos apoiadores dos indígenas. O prefeito precisou ser contido pelos agentes da Força Nacional de Segurança”, contam os religiosos.
Os agentes da Força Nacional identificaram os fazendeiros e o presidente do sindicato rural e obrigaram que os produtores pagassem as fotos que já tinham tirado. “No entanto, as filmagens feitas pelo presidente do sindicato rural não foram deletadas, uma vez que o mesmo repassou a “caneta espiã” que portava a pessoas que passaram pelo local numa camionete cor prata”, denuncia o Cimi.
Novas denúncias
O episódio foi registrado em uma rua da cidade que passa ao lado da rodovia estadual MS-386, entre os municípios de Iguatemi e Tacuru. “Lideranças dessa comunidade [Pyelito Kue] relataram que têm sofrido ataques sistemáticos de fazendeiros e seus jagunços. Os mais graves foram realizados no último mês de agosto. No entanto, segundo os indígenas, todos os dias são disparados tiros sobre o acampamento”, afirma o pessoal do Cimi.
“Os Kaiowá Guarani que foram filmados pelo presidente do Sindicato Rural de Iguatemi estão muito apreensivos, uma vez que são lideranças de outros acampamentos e muitos deles têm sido ameaçados na região. O fato ocorrido demonstra a total inexistência de limites por parte desse setor anti-indígena no estado do Mato Grosso do Sul. Se essas pessoas não se intimidam, em plena luz do dia, nem mesmo diante de agentes armados da Força Nacional de Segurança, o que são capazes de fazer, à noite, a indígenas desarmados que vivem em acampamentos e barracos sem o mínimo de proteção e segurança?”, questionam os agentes do Cimi.
A redação tentou contato por duas vezes na Assessoria de Imprensa da prefeitura na tarde de ontem e hoje pela manhã pelo telefone 67 3471-1130 (número que está no site do Município), porém ninguém atendeu. No Sindicato rural a secretária disse que retornaria assim que conseguisse localizar o presidente, mas, também não houve resposta.
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