O Governo de Mato Grosso do Sul deu um passo histórico na consolidação das políticas públicas de igualdade racial com o lançamento do Plano Estadual de Metas Antirracistas, apresentado na última segunda-feira, dia 03 de novembro, durante a abertura oficial do Novembro Negro 2025, na Secretaria de Estado da Cidadania. A iniciativa estabelece diretrizes, metas e estratégias de ação que nortearão o trabalho do Estado e dos 79 municípios na construção de um MS sem racismo.
O plano é um desdobramento do Programa MS Sem Racismo, instituído por decreto em abril deste ano, e foi elaborado de forma coletiva, com a participação de gestores, movimentos sociais e representantes de diferentes segmentos da sociedade civil. A proposta é padronizar e fortalecer políticas públicas que já vêm sendo implementadas, garantindo que elas cheguem de forma efetiva às comunidades negras, quilombolas, ciganas e de matriz africana.
Duas mulheres no palco, uma de blusa branca e outra de casaco caqui segurando um microfone, falam em frente a um telão com o título "Abertura do Novembro Negro".
Noite também foi de reconhecimento ao legado deixado pela ex-subsecretária de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, Vânia Lúcia Baptista Duarte. (Foto: Matheus Carvalho/SEC)
“Cada meta foi pensada com esse centro: a cidadania. Porque não existe cidadania sem igualdade racial. O que lançamos hoje é fruto de um trabalho coletivo, que reconhece as lutas históricas e o legado de tantas pessoas que abriram caminho para que este momento acontecesse”, destacou a secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza.
Eixos
Dividido em quatro pilares estratégicos, o Plano Estadual de Metas Antirracistas organiza as ações do Governo em torno de eixos que se complementam:
Governança antirracista e institucionalidade — voltado à estruturação da coordenação estadual e ao estímulo à criação de conselhos e planos municipais de igualdade racial;
Educação, formação e rede de atendimento antirracista — com foco na qualificação continuada de gestores e servidores públicos e no enfrentamento ao racismo institucional;
Equidade, inclusão e garantia de direitos — para fortalecer o empreendedorismo negro e quilombola, promover o acesso a oportunidades e apoiar comunidades tradicionais;
Monitoramento, avaliação e comunicação estratégica — que prevê a integração de dados e resultados em articulação com o Observatório da Cidadania, garantindo transparência e acompanhamento permanente das políticas antirracistas.
De acordo com o subsecretário de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, Deividson Deus da Silva, o documento consolida um compromisso assumido pelo Governo do Estado desde 2023 e simboliza uma nova fase na política de enfrentamento ao racismo em Mato Grosso do Sul.
“As políticas públicas só se tornam reais quando chegam onde o cidadão está — nos bairros, nos quilombos, nos terreiros, nas escolas. É lá que a luta antirracista se concretiza. E é isso que o Plano de Metas propõe: sair da zona de conforto e construir, juntos, um futuro em que todos sejam respeitados”, afirmou.
Um homem de camisa branca e colares fala ao microfone, em frente a um telão colorido com o tema "Abertura do Novembro Negro" e a arte da campanha "MS Sem Racismo".
Subsecretário Deividson Silva trouxe os pontos do plano de metas e como municípios podem aderir. (Foto: Matheus Carvalho/SEC)
O lançamento foi seguido pelo painel “MS Sem Racismo: Por Reparação e Bem Viver”, mediado pelo subsecretário Deividson Silva, com a participação do promotor de Justiça do Ministério Público Estadual, Marcos André Sant’Ana Cardoso, da conselheira do Cointa (Consórcio Intermunicipal do Estado de MS), Mackeit Nery, e da professora e sacerdotisa Mãe Adriana Kis Faludy, representante das religiões de matriz africana.
Marcos André destacou a importância da Rede FortaleSer, grupo de articulação interinstitucional criado pela Subsecretaria de Igualdade Racial e integrado por órgãos públicos e entidades civis que atuam na promoção da equidade racial.
“O decreto que instituiu o MS Sem Racismo fala de racismo estrutural e institucional que são conceitos fundamentais para compreendermos o papel do Estado no enfrentamento à discriminação. Trabalhar em rede é o que nos dá força. O racismo não se combate isoladamente, e sim com articulação, diálogo e senso de comunidade. É isso que nos permite resistir e transformar”, pontuou.
Uma mulher sorrindo, usando turbante branco, vestido de renda e longos colares coloridos, falando ao microfone com um painel de tecido afro-brasileiro ao fundo.
Mãe de santo, Adriana fala dos preconceitos e que hoje não abaixa a cabeça para mais ninguém. (Foto: Matheus Carvalho/SEC)
Representando as religiões de matriz africana, Mãe Adriana Kis Faludy emocionou o público ao compartilhar sua trajetória e reafirmar o papel das comunidades de terreiro como espaços de acolhimento e resistência.
“Dentro do nosso terreiro não há espaço para racismo ou discriminação. Somos uma família. Eu sou uma mulher negra, sacerdotisa de umbanda, e existo. Não abaixo mais a cabeça. Tenho orgulho da minha história e dos meus ancestrais. O que estamos fazendo aqui é reafirmar esse orgulho, e dizer que o sagrado também é resistência”, declarou, sob aplausos.
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