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INTERNACIONAL

Oposição vence na Hungria e põe fim a 16 anos de Orbán

13 abril 2026 - 06h23Por G1

O partido de oposição Tisza venceu as eleições na Hungria neste domingo, dia 12 de abril e conquistou maioria no Parlamento, encerrando 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán, um dos principais nomes da extrema direita global.

Com 95,63% das urnas apuradas, o Tisza conquistou 137 cadeiras no Parlamento de 199 assentos. Liderada por Péter Magyar, de centro-direita, a legenda formará o próximo governo.

O partido Fidesz, liderado por Viktor Orbán, ficou com 55 cadeiras, enquanto o Mi Hazánk alcançou 7 assentos, segundo o órgão eleitoral nacional (NVI).

Veja como ficaram os resultados com 95,63% da apuração dos votos:

Tisza: 137 cadeiras
 

Fidesz: 55 cadeiras

Mi Hazánk: 7 cadeiras

Após a confirmação da vitória, Péter Magyar afirmou que vai representar todos os húngaros e que "aqueles que fraudaram" o país "serão responsabilizados". Ele também pediu a renúncia do presidente da Suprema Corte, do procurador-geral e dos chefes da mídia e do órgão de defesa da concorrência.

Ainda segundo o líder, a Hungria será uma forte aliada da União Europeia e da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

"A transição será pacífica e tranquila", afirmou, acrescentando que "as instituições independentes" do país "foram capturadas nos últimos 16 anos".

Magyar disse ainda que Orbán o parabenizou pelo resultado das eleições. O primeiro-ministro admitiu publicamente a derrota após o avanço da apuração.

“Os resultados ainda não são finais, mas a situação é compreensível e clara”, disse Orbán na sede de campanha do Fidesz, seu partido. “O resultado da eleição é doloroso para nós, mas claro.”

As urnas para as eleições na Hungria foram fechadas às 14h deste domingo, no horário de Brasília (19h no horário local). O pleito, considerado o mais importante da Europa neste ano, registrou uma participação recorde de 66% dos eleitores.

Quem é Orbán e o que mudou no cenário político do país

Orbán é um dos principais nomes da extrema direita global. Ele foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1998 e governou o país por quatro anos. Em 2010, retornou ao poder com uma vitória esmagadora e, desde então, permanece no cargo.

Até este ano, o partido de Orbán, Fidesz, tem ampla maioria no Parlamento. A legenda atuou para reescrever a Constituição e aprovar leis com o objetivo de criar uma "democracia cristã iliberal".

As políticas do premiê restringiram a liberdade de imprensa, enfraqueceram o Judiciário e limitaram direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+.

Por outro lado, medidas antimigração e uma postura nacionalista e conservadora ajudaram a manter o apoio popular.

A atuação de Orbán gerou atritos com a União Europeia, que chegou a suspender bilhões de euros em repasses à Hungria por violações de padrões democráticos.

Orbán venceu as quatro últimas eleições parlamentares com ampla vantagem. A oposição fragmentada, somada ao controle político do premiê, ajudou a consolidar esses resultados.

Neste ano, o cenário mudou. Com a economia estagnada há três anos e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo, Orbán perdeu força interna e viu o ex-aliado Péter Magyar ganhar espaço.

Magyar lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza.

O opositor afirmou ter se inspirado em Orbán no início da carreira política, mas se afastou do premiê, passou a acusar o governo de corrupção e mudou de partido.

Magyar ganhou espaço ao prometer reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais — postura combatida por Orbán nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele busca apoio conservador ao defender a manutenção das políticas de combate à imigração ilegal.

O opositor também aposta em discursos voltados às redes sociais e em comícios com estética patriótica. Ao criticar o atual governo, passou a ser visto por apoiadores como alguém que "enfrenta o sistema".

O resultado foi um salto nas pesquisas. Segundo a agência Reuters, levantamentos recentes de institutos independentes já indicavam o partido de Magyar muito à frente da legenda de Orbán.

Interferência estrangeira

Líder juvenil anticomunista na Guerra Fria, Orbán é o governante há mais tempo no poder na União Europeia. Para apoiadores, ele é um símbolo patriótico por ter liderado mobilizações pró-democracia no fim da década de 1980. Críticos, porém, afirmam que o premiê conduz o país para o autoritarismo.

Nos últimos anos, Orbán usou como um dos pilares de governo a construção de alianças com líderes globais, como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Trump, inclusive, atuou diretamente na campanha atual. O presidente norte-americano recebeu Orbán na Casa Branca em fevereiro e publicou uma mensagem de apoio à reeleição do premiê nas redes sociais.

"Espero continuar trabalhando em estreita colaboração com ele para que ambos os países possam avançar ainda mais nessa trajetória rumo ao sucesso e à cooperação", escreveu.

"Viktor Orbán é um verdadeiro amigo, lutador e vencedor, e tem meu apoio total e irrestrito para a reeleição."

Dias antes da eleição, Trump enviou o vice-presidente J.D. Vance à Hungria para participar de eventos ao lado do premiê. Em discurso, Vance acusou a União Europeia de tentar interferir no pleito e classificou a estratégia como "vergonhosa".

"O que aconteceu em meio a esta campanha eleitoral é um dos piores exemplos de interferência estrangeira em eleições que eu já vi ou mesmo li a respeito", disse.

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