Depois de quatro anos no papel de coadjuvante, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça tem a oportunidade de restabelecer a confiança da população no Judiciário ao conduzir o processo que investiga a maior fraude bancária da história do país. “Suas primeiras providências foram higienizadoras”, observou o repórter Eugênio Esber. Mendonça suspendeu sigilo máximo imposto pelo ministro Dias Toffoli e garantiu a autonomia da Polícia Federal (PF) na definição dos peritos responsáveis pela análise das provas. O comentarista político Augusto Nunes resumiu em uma frase a solução para o Brasil se livrar desses tempos sombrios: “André Mendonça só precisa respeitar a Constituição”.
A PARTIR DE JUNHO, Mendonça também assumirá a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que terá o ministro Kassio Nunes Marques no comando. Primeiro indicado por Bolsonaro ao STF, Nunes Marques assumiu em 5 de novembro de 2020 e se manteve até agora como uma figura discreta e menor. “Em condições normais, seria algo a ser enaltecido”, observou o jornalista Eliziário Rocha. “A juízes de quaisquer instâncias é recomendado seguir o exemplo do árbitro de futebol: quanto menos aparecer, melhor”. O problema é que a atual configuração do STF está nos holofotes. E Nunes Marques, fará um bom trabalho no TSE? Basta fazer o oposto do que fez Alexandre de Moraes em 2022.
Sinais de isolamento e crescente desconforto interno marcam os bastidores do Supremo em meio às polêmicas envolvendo os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no caso do Banco Master e de Daniel Vorcaro. Segundo avaliações de especialistas, ao contrário de outras crises institucionais recentes, os demais integrantes da Corte têm evitado manifestações públicas enfáticas em defesa dos colegas, buscando o distanciamento do escândalo. Para o constitucionalista Alessandro Chiarottino, esse silêncio indica um cenário de mal-estar interno.“Especialmente diante das pressões que também surgem dentro da própria comunidade jurídica para que o Supremo esclareça os fatos”. (Fonte: Gazeta do Povo)
O ESPECIALISTA André Marsiglia analisa que o silêncio público de ministros ocorre principalmente porque outros magistrados evitam se posicionar para não serem associados ao caso. “Os ministros não estão se manifestando porque não querem ser confundidos com o escândalo ou dar a impressão de que também fazem parte ou se relacionam com ele." Foi a escalada desse ambiente que levou, em fevereiro, à substituição da relatoria do caso, antes com Dias Toffoli e posteriormente assumida por André Mendonça. Agora, temos o vazamento das trocas de mensagens de Moraes com o ex-banqueiro preso pela segunda vez na semana passada; somado ao fato do contrato milionário com sua esposa.
No caso de Dias Toffoli, revelou-se a venda da participação de um resort de luxo no interior do Paraná. A negociação foi feita com um fundo de investimentos ligado ao Banco Master. Por essas e outras, muitos parlamentares e figuras públicas estão fazendo pressão e solicitando a abertura de investigação do caso. "Numa democracia ninguém deve estar acima da lei. Eu vim até aqui hoje como um brasileiro indignado. Nunca na história do Brasil um ministro do Supremo foi afastado do cargo. Dois presidentes da República já foram derrubados. Mas nunca um ministro do Supremo. Será que eles são intocáveis? Será que não têm que responder pelos seus erros como qualquer brasileiro?" (Romeu Zema)
QUALQUER PESSOA no país que comete um crime é, ou deveria ser, presa. Ainda mais no país do STF do inquérito das fake news, famoso inquérito do fim do mundo, feito para impedir que a Lava Jato continuasse prendendo bandidos, instaurando a censura no Brasil. Que começou pela reportagem “O amigo do amigo do meu pai”, que seria o próprio… Dias Toffoli, segundo a delação de Marcelo Odebrecht. Reportagem devidamente censurada, o próprio Amigo do Amigo do Meu Pai passou a fazer jus ao que dizia a reportagem e saiu tirando todo mundo da Lava Jato da cadeia!? Quer dizer que por aqui um "juiz supremo" pode tudo, pode fazer o que bem entender e nada acontece? (Flávio Morgenstern)
Nesse cenário, o Congresso segue sob o domínio do Centrão, “um gelatinoso agrupamento de medíocres”, na definição da escritora Rachel Díaz. “Há muitos elogiáveis senadores e deputados que estão representando de fato os pleitos da população, mas há muitos malandros ou acovardados.” Eleito pelo Amapá com 196 mil votos, o presidente do Senado tem o poder de definir o que é prioridade num país com 220 milhões de habitantes? “Davi Alcolumbre tem feito exatamente o contrário do que exige a sua função”. Pedidos de impeachment contra ministros do STF, requerimentos para instalação de CPIs e análise de vetos presidenciais parados na gaveta? Por quê? Sabemos... (Revista Oeste)
PRESIDENTE DO SENADO jamais poderia sozinho ter o poder de "empacar" pedidos de grande relevância pública. “Ah, não estou com vontade.” Problema seu, parceiro. Paute ou vá preso junto. E também seria preciso que outras autoridades pudessem fiscalizar e punir nossas Sumidades Supremas. A polícia não poderia ficar sujeita aos arbítrios de juízes. Ela deveria punir o crime, mesmo o crime do juiz. Não há o menor sentido nesse arranjo esdrúxulo no qual os ministros nunca podem ser punidos nem investigados por nada. Aliás, também precisamos parar de chamar juízes de ministros, como se fossem parte do governo... Não são! Que loucura! Basta de ministros ditadores! (Flávio Morgenstern)
O editorial do Estadão falou de “Uma máfia no coração do poder”. De fato, a palavra que melhor descreve essa “turma” do Vorcaro é máfia. "Suas relações promíscuas chegam ao coração do sistema de Justiça. O ministro Dias Toffoli, que chegou a fazer negócios com as redes de Vorcaro, assumiu, em circunstâncias estranhíssimas, a relatoria do caso e emperrou o trabalho da polícia por meses. A mulher do ministro Alexandre de Moraes celebrou um contrato multimilionário mal explicado com o Master." A imprensa acordou!? O Globo, por sua vez, soltou nota de repúdio contra as ameaças descobertas ao jornalista Lauro Jardim, alegando que não vai se intimidar. Eis o conteúdo da nota:
O GLOBO REPUDIA veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava 'calar a voz da imprensa', pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa tram... criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público. A prisão de Vorcaro pode representar o início de uma investigação que finalmente ilumine essas conexões sombrias e puna os cúmplices de fraudes bilionárias...Seria a verdadeira Justiça!
"Ou será que vai ser apenas mais um episódio a se diluir no ciclo habitual de crises nacionais. O que se desenha é uma nova disputa: não entre este ou aquele grupo partidário, nem entre tal ou qual Poder ou instituição, mas entre a banda podre de Brasília (distribuída por todos os Poderes, partidos e instituições) e a banda republicana. O desfecho do caso Master revelará ao Brasil qual delas realmente predomina no coração do poder." De fato, não é uma disputa entre esquerda e direita, mas entre quem quer combater a corrupção e quem não quer, similar ao que ocorreu na Lava Jato. Tomara que a ala republicana possa vencer essa guerra, apesar do histórico favorável aos corruptos em nosso país...
CURIOSIDADE: Segundo especialistas, Viviane Barci, esposa de Moraes é (disparadamente) a advogada mais cara do planeta! A conta não fecha... Ou fecha? Fecha para quem? A própria Viviane afirmou que não foi ela quem recebeu as mensagens de Daniel Vorcaro no dia 17 de novembro de 2025, o dia em que o banqueiro seria preso. Mário Sabino, repórter da Globo, desmontou: “Se a advogada contratada a peso de ouro não foi consultada em momento tão crucial para o dono do Master, isso reforça a impressão de que o contratado por Vorcaro foi, na verdade, Moraes, não a advogada casada com ele.” Exatamente. Vorcaro não mandava mensagens para Viviane, sua suposta advogada, de R$ 129 milhões.
Daniel Vorcaro tinha relação próxima e trocava muitas mensagens com Alexandre de Moraes, o marido e, "por acaso", ministro do STF. Ao que tudo indica, discutia estratégias processuais, pedia ajuda para “bloquear” investigações e ainda recebia joinha como resposta!? Moraes tem direito à presunção de inocência, como qualquer cidadão. Mas, se a mesma régua que ele aplicou a tantos outros fosse aplicada a ele, já estaria afastado, investigado e até preso. Os indícios são mais robustos e os crimes são muito mais graves do que em muitos casos nos quais decretou prisões, bloqueios e censuras... Tem gente inocente presa ainda, por muito menos! E aí? Justiça? Pela verdadeira JUSTIÇA! Acorda, BRASIL! (Deltan Dallagnol)
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