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DISPUTA

Mourão contraria Bolsonaro e diz que governo comprará vacina chinesa

30 outubro 2020 - 18h05Por G 1

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse em entrevista à revista "Veja" que o governo federal vai comprar a vacina do laboratório chinês Sinovac, desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo.

"Lógico que vai", afirmou Mourão, contrariando o que o presidente Jair Bolsonaro tem dito sobre o tema. Na entrevista, o vice reduziu a polêmica sobre a "vacina chinesa" a uma briga política entre Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

"Essa questão da vacina é briga política com o Doria. O governo vai comprar a vacina, lógico que vai. Já colocamos os recursos no Butantan para produzir essa vacina. O governo não vai fugir disso aí", disse Mourão à "Veja".

As vacinas relacionadas à Covid-19 seguem em fase de estudos e, por isso, nenhuma delas tem aprovação para uso na população geral até agora. Na quarta-feira, dia 28 de outubro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a importação de matéria-prima para que o Instituto Butantan produza 40 milhões de doses da CoronaVac.

Na semana passada, a Anvisa já tinha liberado a importação de 6 milhões de doses da CoronaVac, que já virão envasadas e prontas para o uso. A aplicação, no entanto, só será autorizada depois que os estudos forem concluídos – e se as conclusões forem positivas.

Na entrevista à revista "Veja", Mourão afirmou não ter receio de tomar vacina que venha da China. "Desde que esteja certificada pela Anvisa. Não tem problema nenhum", afirmou.

Bolsonaro x Doria

No último dia 21, Bolsonaro publicou em rede social: "Não compraremos a vacina da China". No mesmo dia, disse que o governo estava em busca de uma "vacina confiável", e que o resto era "jogo político".

Horas antes, o Ministério da Saúde havia anunciado a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac. O ministério chegou a alterar um comunicado divulgado na internet, trocando a "aquisição das doses" pela "possível aquisição".

Doria, que estava em Brasília no dia das mensagens de Bolsonaro, afirmou: "A vacina é que vai nos salvar, que vai salvar a todos. Não é ideologia, não é política, não é processo eleitoral que salva, é a vacina".

O mesmo acordo para as 46 milhões de doses, anunciado e depois retificado pelo Ministério da Saúde, já havia sido assinado entre o governo de SP e o laboratório Sinovac.

O contrato previa que SP recebesse 6 milhões de doses já envasadas e material para fabricar outras 40 milhões em solo brasileiro. Ao rejeitar a "vacina chinesa", Bolsonaro não explicou a quais doses se referia. Doria tem dito que os acordos fechados em SP estão mantidos.

Combate à Covid 'nota oito'

Perguntado sobre a nota que atribuiria ao Brasil no combate à Covid-19, Hamilton Mourão respondeu à revista que daria "nota oito".

"O Brasil é um país desigual: não é a França, não é Alemanha, não é a Espanha. Não tivemos segunda onda aqui. Nós estamos na primeira onda e a doença vai morrer nessa onda. Nosso sistema de saúde suportou a crise. Diziam que as pessoas iriam morrer na rua", disse.

Sobre o fato de ter sido um dos integrantes do governo que não pegaram a doença, o vice-presidente disse que a fórmula foi ter usado máscara e álcool em gel.

Nesse ponto, Mourão também diverge de Bolsonaro. A apoiadores, o presidente da República já ignorou o conhecimento científico ao afirmar que a eficácia da máscara é "quase nenhuma". Bolsonaro nunca apresentou evidências para embasar essa desconfiança do equipamento de proteção.

Amazônia

Questionado sobre as queimadas na Amazônia e no Pantanal, Mourão – que comanda o Conselho Nacional da Amazônia Legal – afirmou que o governo não “está de braços cruzados”.

Na próxima semana, Mourão levará representantes diplomáticos de 10 países à região amazônica para defender "que a Amazônia brasileira continua preservada".

"Não é questão de que está tudo bem. Mas está sendo vendida para o restante do mundo e para parcela da sociedade brasileira a ideia de que o governo brasileiro está de braços cruzados e, vou usar o termo da moda, 'mandou passar a boiada'. Não é isso que está acontecendo", declarou Mourão.

O "termo da moda" sobre passar a boiada ganhou destaque ao ser usado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Em uma reunião ministerial que se tornou pública, Salles disse que o governo deveria aproveitar o foco da população na pandemia para "passar a boiada" com iniciativas para reduzir a regulamentação ambiental.

Perguntado pela "Veja" sobre possíveis erros do governo na condução das políticas ambientais na Amazônia, Mourão respondeu que o bioma tem 5,2 milhões de quilômetros quadrados, sendo que o fogo atinge 100 mil quilômetros quadrados dela.

"É pouco quando você olha para o tamanho da área, mas é muito para aquilo que a gente quer entregar", declarou.

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