Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, publicado na quarta-feira, dia 24 de agosto, investigou como o consumo de maconha impacta na motivação de adolescentes e adultos para atividades cotidianas.
Cientistas das áreas de neurociência, da psiquiatria e da psicologia afirmaram na pesquisa publicada na revista científica "International Journal of Neuropsychopharmacology" que, historicamente, o uso de cannabis é associado pejorativamente ao estereótipo de "maconheiro preguiçoso", em inglês, "lazy stoner".
De acordo com os cientistas, as respostas obtidas em questionários respondidos por fumantes de maconha e um grupo de controle que não fez uso da substância revelaram que não há diferença entre o comportamento de ambos os grupos quando avaliada a apatia ou a anedonia (perda do prazer e do interesse em realizar as atividades cotidianas).
“Há muita preocupação de que o uso de cannabis na adolescência possa levar a resultados piores do que o uso de cannabis na idade adulta. Nosso estudo, um dos primeiros a comparar diretamente adolescentes e adultos que usam cannabis, sugere que os adolescentes não são mais vulneráveis do que os adultos aos efeitos nocivos na motivação, na experiência de prazer ou na resposta do cérebro à recompensa", dizem Will Lawn, pesquisador e médico do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College London.
“Na verdade, parece que a cannabis pode não ter ligação – ou no máximo apenas associações fracas – com esses resultados. No entanto, precisamos de estudos que procurem essas associações por um longo período para confirmar esses achados”, complementa.
Metodologia
A pesquisa foi realizada com 274 participantes, sendo adultos entre 26 e 29 anos e adolescentes com 16 e 17 anos. Eles preencheram questionários para medir os níveis de anedonia e apatia, além de descrever o quanto eles gostam de estar com entes queridos e a probabilidade de concluir tarefas.
Os resultados sugerem que o uso de cannabis em uma frequência de três a quatro dias por semana não está associado a apatia, colocando em xeque o estigma de "preguiçoso" e desmotivado que recai sobre aqueles que a consomem, de acordo com os pesquisadores. O estudo não considerou outras frequências de uso além das quatro por semana.
“Suposições injustas podem ser estigmatizantes e podem atrapalhar as mensagens sobre redução de danos. Precisamos ser honestos e francos sobre quais são as consequências prejudiciais do uso de drogas”, comenta Martine Skumlien, a pesquisadora líder do estudo.
Em uma futura segunda etapa da pesquisa, a questão a ser investigada é a motivação, que pode (ou não) diminuir sob efeito da substância.
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