O diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, disse que uma das estratégias do governo para lidar com uma possível falta de defensivos agrícolas em safras futuras é antecipar pedidos de registro de novos fornecedores na Anvisa. Segundo o que Reginaldo Minaré, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), afirmou aos deputados da Comissão de Agricultura da Câmara nesta sexta-feira (22), a falta de defensivos e de fertilizantes é inédita em 25 anos e deve perdurar.
De acordo com Carlos Goulart, não há perspectiva de carência de fertilizantes para a safra de verão, mas existe risco para as próximas safras. Ele explicou que existem problemas ligados à melhora dos números da pandemia de Covid-19 e o aumento global de consumo de energia, problemas políticos com grandes produtores como a Bielorrússia, e até o alagamento de minas de potássio no Canadá. O Brasil importa 85% do trio potássio, nitrogênio e fósforo, usados na composição dos fertilizantes denominados NPK.
Defensivos
No caso dos defensivos, além da aceleração de registros, o governo pretende conversar com as autoridades chinesas para que o país priorize as remessas de glifosato para o Brasil. Isso porque o Brasil precisa deste insumo para ter produtos agrícolas para exportar para a China. Por esse motivo, Carlos Goulart afirma que está em negociação uma cooperação técnica entre China e Brasil para a redução da nossa dependência em fertilizantes:
“A China tem interesse de que não falte também insumos para o Brasil porque é uma cadeia interdependente. Ela produz insumos que são trazidos para o Brasil e que são convertidos em produção agrícola. Isso é revertido para o Brasil, gerando excedente grande. Excedente que é majoritariamente destinado à própria China.”
O deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), autor do requerimento para a audiência, sugeriu que a comissão acompanhe de perto a negociação com a China:
“No curto prazo já é difícil. E se errarmos, o médio e o longo também não vão acontecer. Isso não é de agora. O Brasil tem uma característica. Não somos um país proativo, somos reativos. A gente corre atrás quando a coisa já está caindo. E a pandemia apurou uma série de processos que todos relataram aqui”, disse.
Para Reginaldo Minaré, da CNA, também é preciso estimular a produção de fertilizantes orgânicos baseados em excrementos de porco e até de algas.
A diretora do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal, Eliane Kay, disse que a situação de crise tende a continuar porque a China, maior produtora de fósforo amarelo, base de vários defensivos, se comprometeu a reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Esse compromisso levou a metas de redução de consumo de energia em algumas regiões de até 90%.
Deixe seu Comentário
Leia Também

Adepol/MS repudia fala de Lula sobre receio da população em procurar delegacias

Combate ao trabalho escravo e promoção do trabalho digno unem estados em encontro regional

Portugal decepciona e só empata com Congo pelo Grupo K

Neymar volta a treinar com a seleção brasileira

Empresário denuncia ameaças após suposta cobrança de dívida por grupo em Dourados

Professor da Unigran, Ewerton de Brito faz parte de lista tríplice para desembargador

Desenrola registra 17 mil operações em pouco mais de um mês

Comissão acata sugestão que proíbe obrigatoriedade de vacinação contra covid

Mato Grosso do Sul registra queda nos principais indicadores criminais entre janeiro e maio

Comissão debate falta de medicamentos para epilepsia no Brasil
Mais Lidas

Após 6 temporadas, Evandro não terminou: por que Impuros se tornou maior série criminal brasileira

Investidores denunciam calote de R$ 5 mi após fintech prometer altos rendimentos em Dourados

Moradora do Água Boa denuncia uso indevido de dados no SUS

