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Dirigentes do PT discordam de aliança com PSDB em MS

30 janeiro 2013 - 15h00


O debate sobre as possíveis alianças eleitorais do PT (Partido dos Trabalhadores) nas eleições de 2014 já está causando polêmica na agremiação em MS, após a declaração pública do presidente da executiva regional, Marcus Garcia, sobre a possível aliança no estado com o PSDB. Membros da executiva regional discordam do acordo e consideram que seria uma regressão na política de alianças e que não haveria nenhuma vantagem para o PT eleger um senador tucano, no caso Reinaldo Azambuja, que hoje como deputado federal faz oposição cerrada ao governo e ao PT na Câmara dos Deputados.

“Estaríamos elegendo um senador que fará oposição ao governo Dilma, como faz hoje e como já fizeram no passado em relação ao governo Lula. Isso vai na contramão do projeto nacional do partido que é o de ampliar sua bancada na Câmara e no Senado, para garantir uma administração tranqüila para a presidenta Dilma no seu segundo mandato. Será que o Azambuja mudou o que pensa do PT...”, questiona Ronaldo Sandim, secretário de Mobilização da executiva estadual do partido.

Resolução nacional - Para a dirigente petista Kátia Guimarães, secretária de Mulheres do PT regional, existe uma resolução nacional proibindo alianças com o PSDB em função das diferenças programáticas, políticas e a postura intransigente do PSDB para com os governos do PT, seja de Lula ou de Dilma. “Eu respeito as instâncias partidárias e o quarto congresso do partido tem uma resolução clara contra as alianças com o PSDB, porquê são projetos antagônicos para o país”, afirma.

Diferenças programáticas – Outro argumento de Ronaldo Sandim são as diferenças programáticas entre o PT e o PSDB. “São duas políticas diferentes para o país. Uma privatizante, outra que defende o patrimônio público. Uma promove políticas públicas de inclusão social, outra defende o neoliberalismo. Existem muitos outros pontos, como reforma agrária, cotas, educação, combate às desigualdades, etc., em que o programa do PT é diferente do PSDB. Qual a base programática comum para que se justifique tal aliança? Ou é uma aliança meramente eleitoral? E depois da eleição? Vamos governar o estado com o programa do PT ou do PSDB?”

Já para Kelly Cristina da Costa, secretária de Finanças da executiva estadual, “é preciso sim nacionalizar o debate. Afinal o que se propõe é eleger um senador do PSDB com os votos dos petistas. Azambuja vai apoiar o governo Dilma? Ou continuará fazendo oposição intransigente, como atualmente faz na Câmara dos Deputados? Azambuja mudou o que pensa, e sempre deixou claro, a respeito do PT, de Lula e do governo Dilma? Está-se propondo eleger um senador que vai fazer oposição ao nosso governo. Isso é um contra-senso político”, afirma. Ela diz que essa possível aliança é tão “esdrúxula”, que foi inclusive desautorizada pela direção nacional do PSDB.

Os três dirigentes concordam que a disputa no estado em 2014 está sim atrelada à eleição nacional. “Não tem como dizer que a eleição de deputados federais e senadores não é uma questão nacional. Azambuja e o PSDB têm se oposto sistematicamente aos governos do PT, tanto de Lula como de Dilma”, afirma Kelly, com a concordância dos outros dirigentes.

Consenso rompido

Para Ronaldo Sandim, o atual presidente do PT no estado, Marcus Garcia, comete dois erros no debate. “Um político, ao propor uma aliança onde o PT vai eleger um senador tucano. Outro de método, pois ele foi eleito presidente regional do partido através do consenso de todas as correntes. Então devia ter uma postura mais de magistrado ao invés de tomar partido de um lado. Dessa forma nossa corrente, a Construindo um Novo Brasil (CNB) considera que as bases do consenso foram rompidas pelo presidente e sua corrente (Movimento PT) e, portanto, a partir dessa ruptura política e de método por parte do presidente, consideramos legítimo que lancemos tanto chapa própria para o diretório como para presidente do diretório regional. Não nos sentimos mais contemplados num falso “consenso” que está levando o partido para uma aliança com o PSDB. Não, isso não é consenso dentro do PT, queremos deixar isso claro para os filiados e simpatizantes do partido.”

“Por outro lado, afirma Sandim, essa aliança com o PSDB está sendo costurada por fora das instâncias partidárias, de fora para dentro. Nós queremos abrir esse debate nas bases entre os filiados do PT para que eles opinem e decidam sobre isso. Esse debate será salutar para o partido. Precisamos politizar o debate e mostrar que existem posturas diferentes em jogo hoje dentro do PT de Mato Grosso do Sul”.

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