O diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, rebateu nesta quinta-feira, dia 16 de dezembro, uma afirmação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
O ministro declarou que o governo irá ouvir especialistas e a sociedade civil antes de decidir se vai adotar a vacinação para crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19, como recomendou a Anvisa. Queiroga não deu um prazo para a decisão.
A autorização da Anvisa para aplicar a vacina em crianças foi também relativizada pelo presidente Jair Bolsonaro durante transmissão ao vivo nas redes sociais. Bolsonaro cobrou que os nomes dos responsáveis pela autorização sejam divulgados, além de dizer que cabe aos pais decidirem se os filhos serão imunizados ou não.
Em entrevista à GloboNews, Barra Torres ressaltou a agilidade da agência na análise dos dados e pontuou que o processo foi completo, inclusive com a participação de uma série de entidades médicas.
"Não trata-se apenas de uma decisão dos comitês técnicos da agência com seus mais de 20 anos de experiência. (...) As sociedades médicas (também) nos deram a segurança para promulgar a decisão que fizemos com base técnica, nada de política, nada de outras influências", declarou Barra Torres.
"E o que esperamos agora é uma análise o mais rápida possível (por parte do ministério)", disse Barra Torres.
"Eu tenho certeza que o senhor ministro de estado, ao contatar essas entidades, terá logicamente os mesmos pareceres que nós tivemos e hoje foram colocados em público", disse o presidente da Anvisa.
Queiroga defende ampla discussão
Nesta noite, Queiroga disse que vai fazer uma "ampla" discussão com a sociedade civil sobre o tema, citando de forma geral a "comunidade científica" e nominalmente o Conselho do Ministério Público Federal e o Conselho Nacional de Justiça.
"A aplicação de dose da vacina em criança depende de momento epidemiológico, tem uma série de avaliações", disse o ministro.
Em seu histórico de ações na pandemia, o ministro Queiroga tem como um dos marcos negativos a decisão de suspender a vacinação de adolescentes. À época, a medida foi entendida como uma resposta à pressão das redes sociais bolsonaristas. Poucos dias depois, a decisão foi revertida diante da comprovação de que um evento adverso em uma adolescente não tinha relação com a vacina.
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Agora, a aplicação da vacina em crianças se torna um novo capítulo na série de embates entre a Anvisa e a cúpula do governo federal, como recentemente já tinha ocorrido com o passaporte da vacina.
De acordo com a colunista Andréia Sadi (veja vídeo do Jornal Hoje abaixo), o presidente Bolsonaro está insatisfeito com Barra Torres e quer uma atuação mais radical de Queiroga na condução do ministério.
Bolsonaro pede nomes de responsáveis
Nesta noite, o presidente Jair Bolsonaro - que declara não ter se vacinado - levantou dúvidas sobre a decisão da Anvisa em uma transmissão ao vivo nas redes sociais. O presidente cobrou a divulgação do nome dos responsáveis pela autorização e disse que os pais devem avaliar se darão ou não o imunizante.
"Não sei se são os os diretores e o presidente que chegaram a essa conclusão ou é o tal do corpo técnico, mas, seja qual for, você tem o direito de saber o nome das pessoas que aprovaram aqui a vacina a partir dos cinco anos para o seu filho. (...) Agora mexe com as crianças. Então quem é responsável é você pai. Tenho uma filha de 11 anos. Vou estudar com a minha esposa qual decisão tomar", disse Bolsonaro.
Conselho cobra Ministério da Saúde
Após a decisão da Anvisa, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) manifestou o seu apoio à imunização de crianças e cobrou que o Ministério providencie as doses necessárias.
"Tendo em vista que para dar início à vacinação nesta faixa etária será necessária formulação específica desta vacina com um terço da fórmula “padrão” (10 microgramas por dose), o Conass aguarda posicionamento do Ministério da Saúde quanto à sua aquisição, o que é de sua competência", afirmou o Conass.
O uso da vacina é necessário para combater o avanço da doença, principalmente frente a nova variante do coronavírus, a ômicron, que segundo evidências é mais transmissível que as demais cepas do vírus.
De acordo com o infectologista Renato Kfouri, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações e que participou da avaliação da Pfizer junto à Anvisa, a Covid matou mais crianças do que coqueluche, diarreia, sarampo, gripe e meningite somadas.
“A gente fala que só 0,4% das mortes ocorrem nos menores de 20 anos, mas 0,4% de 600 mil mortes são mais de 2.500 crianças e adolescentes que perderam a vida para a Covid. Em dois anos, esse total de mortes é maior do que todo o calendário infantil. Se somarmos todas as mortes por coqueluche, diarreia, sarampo, gripe, meningite, elas não somam 1.500 por ano. A Covid-19 é uma doença prevenível por vacina que mais mata nossas crianças”, diz Kfouri.
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