segunda, 11 de maio de 2026
Dourados
7ºC
Acompanhe-nos
(67) 99257-3397
CÂMARA FEDERAL

Conselho de Ética aprova suspensão de Pollon por dois meses

06 maio 2026 - 07h44Por Agência Câmara de Notícias

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5), após mais de nove horas de reunião, a suspensão dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por 60 dias. Os parlamentares ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A decisão final será do Plenário por maioria absoluta (257 deputados).

Foi aprovado o parecer do relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE). O texto do relator conclui que os três parlamentares adotaram condutas incompatíveis com o decoro parlamentar durante a ocupação da Mesa Diretora da Casa na sessão do Plenário de 5 de agosto de 2025.

Na ocasião, os deputados cobravam a inclusão na pauta do projeto de anistia (PL 216/23) aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), só conseguiu reocupar a cadeira da Presidência no dia 6 de agosto.

Rodrigues recomendou punição severa para sinalizar que a Câmara não tolera esse tipo de comportamento, aumentando para 60 dias de suspensão a pena inicialmente sugerida pela Mesa Diretora, que era de 30 dias.

Pollon respondeu por se sentar na cadeira da Presidência da Câmara, impedindo o retorno do presidente Hugo Motta; Van Hattem por ter ocupado outra cadeira da Mesa; e Zé Trovão por ter usado o corpo para barrar fisicamente o acesso do presidente à Mesa.

As condutas foram objeto das representações 24, 25 e 27, todas de 2025, e votadas separadamente. No caso de Pollon, foram 13 votos pela suspensão e 4 contrários, o mesmo placar de Van Hattem. Zé Trovão teve 15 votos pela suspensão e 4 contrários.

Defesa de Zé Trovão

Em sua defesa, Zé Trovão fez um desabafo emocionado logo no início da reunião, afirmando que a suspensão afeta diretamente seus assessores, “deixando cerca de 20 famílias sem sustento” por dois meses. "O que mais está me doendo hoje é olhar nos olhos dos meus funcionários e não saber o que falar.”

O deputado citou passagens bíblicas e fatos históricos, e classificou o momento político como de perseguição e inversão de valores. "Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu, assim o farei”, disse Zé Trovão.

O advogado Eduardo Moura, na defesa técnica, argumentou que vídeos da sessão não revelam irregularidades do deputado e destacou que testemunhas o descreveram como “alguém que tentava impedir conflitos físicos no Plenário”.

Defesa de Marcel van Hattem

Fazendo coro ao colega, Van Hattem chamou o processo de "perseguição política" e comparou sua situação à dos presos pelos atos de 8 de janeiro. O deputado também afirmou que, havendo necessidade, faria novamente. E acrescentou: “se essa injustiça vier, vamos enquadrar e colocar na parede como medalha de honra”.

Pela defesa do deputado, o advogado Jeffrey Chiquini definiu o julgamento como uma "punição política".

Defesa de Marcos Pollon

Pollon criticou duramente a recusa da Presidência da Câmara em pautar o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e classificou as prisões como "ilegais" e o cenário jurídico atual do Brasil como um "estado de exceção". “Não carregaremos a vergonha de termos nos acovardado ou omitido”, disse.

Na defesa técnica, o advogado Mariano lamentou a negativa de ouvir testemunhas sugerias pela defesa e também disse que as questões técnicas foram deixadas de lado em favor de um julgamento político.

Debate

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) lamentou as ofensas dirigidas ao relator e à Mesa Diretora durante o debate no Conselho de Ética e relacionou a ocupação física do Plenário a um processo histórico de golpismo. Para ele, o relatório do conselho separa "os golpistas dos democratas".

Em defesa dos acusados, o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) comparou o processo a uma tentativa de criminalizar a direita por atos que a esquerda já teria praticado no passado. Gonçalves questionou a escolha de apenas três deputados como "bode expiatório" em meio à participação de mais de 100 deputados nos atos de ocupação.

Deixe seu Comentário

Leia Também

PM desocupa estudantes da reitoria da USP
EDUCAÇÃO

PM desocupa estudantes da reitoria da USP

Funcionário de bar é agredido durante briga generalizada no Jardim Tropical
DOURADOS

Funcionário de bar é agredido durante briga generalizada no Jardim Tropical

Apocalipse nos Trópicos e O Agente Secreto vencem Prêmios Platinos
CULTURA

Apocalipse nos Trópicos e O Agente Secreto vencem Prêmios Platinos

Homem é preso após ameaçar companheira com espingarda em fazenda
POLÍCIA

Homem é preso após ameaçar companheira com espingarda em fazenda

TV Brasil Play exibe clássicos da filmografia de Rogério Sganzerla
CULTURA

TV Brasil Play exibe clássicos da filmografia de Rogério Sganzerla

EPIDEMIA

Dourados registra mais de 8 mil notificações de chikungunya e três mortes em investigação

ESPORTE

DAC e União ABC abrem semifinal da Seletiva Sub-20 com empate em Dourados

REGIÃO

Duas caminhonetes furtadas são recuperadas após fuga na região de Angélica

POLÍTICA

Desinformação sobre PL da Misoginia cresce nas redes, diz estudo

DOURADOS

Segundo veículo é encontrado batido em Dourados na manhã deste domingo

Mais Lidas

LOGÍSTICA

Começa obra que encurtará distância entre Capital e município do interior

EXPOAGRO

Provas de rodeio são canceladas hoje; finais acontecem amanhã

IVINHEMA

Prefeito é questionado pelo MPMS por viagens a show e também para fora do país

DOURADOS

Drones passam a ser utilizados para ampliar vigilância e segurança na PED