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CONVENÇÃO

Com Aécio vaiado, PSDB elege Geraldo Alckmin presidente nacional do partido

09 dezembro 2017 - 17h38Por G 1

O PSDB elegeu neste sábado, dia 09 de dezembro, durante convenção nacional realizada em Brasília, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como presidente do partido pelos próximos dois anos.

A chapa encabeçada por Alckmin recebeu 470 votos a favor, 3 contra, e houve uma abstenção. O primeiro vice-presidente do partido será o governador de Goiás, Marconi Perillo; o segundo vice, o deputado Ricardo Tripoli (SP), líder da bancada do partido na Câmara.

Alckmin chegou à presidência do PSDB como uma tentativa de unificar o partido. Nas negociações que antecederam a convenção, o senador Tasso Jereissati (CE) e o governador Goiás, Marconi Perillo, desistiram de suas candidaturas à presidência da legenda.

Somente em 2017, quatro tucanos terão passado pelo comando do partido.

Em maio, o senador Aécio Neves (MG) se licenciou da presidência do PSDB após a divulgação de gravação na qual ele pede R$ 2 milhões ao executivo da JBS, Joesley Batista -- neste sábado, o senador foi vaiado por parte da militância ao chegar à convenção do PSDB.

O senador Tasso Jereissati (CE) ficou na presidência interina da sigla até o início de novembro, quando foi destituído por Aécio. Também provisoriamente, Alberto Goldman assumiu o cargo até a convenção nacional.

Aécio vaiado

O presidente licenciado do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) foi longamente vaiado pela militância do partido neste sábado (9) ao entrar no auditório em que foi realizada a convenção nacional do partido, em Brasília.

Na véspera do evento partidário, Aécio havia sido alertado de que havia risco de ele ser vaiado se decidisse comparecer à convenção que oficializou o governador Geraldo Alckmin como novo presidente da legenda.

Tucanos que compareceram à convenção disseram que grupos de diferentes alas do PSDB enviaram o alerta ao senador por mensagens no celular. Mesmo assim, segundo os dirigentes da sigla, Aécio ignorou os alertas e decidiu comparecer ao evento.

No entanto, aliados de Aécio disseram que se o senador se ausentasse do evento partidário, ele seria notícia da mesma forma, já que passaria a imagem de que estaria se "escondendo" após o escândalo da JBS. No caso específico, com o agravante de que estaria se escondendo "dentro de casa", por se tratar de um evento do seu partido.

DEBANDADA

Nos últimos meses, o PSDB, que integrou o governo Michel Temer com quatro ministérios, iniciou um movimento de afastamento, mas a convenção não deliberou sobre esse assunto.

Em novembro, o deputado Bruno Araújo (PE) já havia deixado o comando do Ministério das Cidades. Nesta sexta-feira (8), o deputado Antonio Imbassahy (BA) pediu demissão da Secretaria de Governo.
Ao chegar à convenção, na manhã deste sábado, o até então presidente interino do partido, Alberto Goldman, cobrou a saída de Luislinda Valois da pasta dos Direitos Humanos.

O senador Aloysio Nunes Ferreira disse que permanecerá pelo menos até abril (prazo limite de desincompatibilização para quem quer disputar a eleição) como ministro das Relações Exteriores.

Discursos

Após a divulgação do resultado da votação, Alckmin fez um discurso de pouco mais de 20 minutos. Logo no início, agradeceu a presença do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, que deseja ser candidato do partido à Presidência da República. “Sua pré-candidatura honra o partido, sua história de vida, um dos melhores prefeitos do país”, disse.

Grande parte da fala de Alckmin foi dedicada à defesa de reformas, como a política, a da Previdência e a tributária. “Já passou a hora de tirar o peso desse estado ineficiente das costas dos trabalhadores e dos empreendedores”, afirmou.

Em outra parte de sua fala, o novo presidente do PSDB fez críticas aos governos do PT, especialmente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Nós os derrotaremos nas urnas. Lula será condenado nas urnas pela maior recessão da história”, ressaltou.

Em sua fala, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou os políticos. "O povo está enojado, irritado com todos nós", disse. "O povo sente uma grande traição nacional. Temos que respeitar a percepção nacional. As pessoas querem coisas simples, querem educação, querem saúde, querem transporte e também querem segurança”, afirmou.

Segundo o ex-presidente da República, o PSDB errou por omissão e deve corrigir os próprios erros. Para isso, afirmou, "é preciso escutar o povo". “Não dá para fazer programas abstratos. Tem que ser uma coisa que reflita o sentimento das pessoas”, declarou.

Ele se referiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dizer que prefere não vê-lo na prisão (Lula recorre de uma condenação judicial). "Eu venci o Lula duas vezes. Prefiro combatê-lo na urna a vê-lo na cadeia", declarou.

Alckmin afirma que eventual disputa com Lula nas eleições de 2018 seria 'bom tira-teima'

Ao final da convenção, Alckmin foi questionado por repórteres sobre sua possível candidatura à Presidência da República pelo PSDB. Ao responder, o governador de São Paulo disse que essa decisão será tomada pelo partido em outro momento.

Ele, contudo, reconheceu que, para seguir a legislação, terá que se desincompatibilizar do governo paulista até abril para ingressar na corrida presidencial, caso obtenha o aval da legenda.

“Vamos trabalhar o Brasil inteiro. Eu pretendo, a partir de janeiro, percorrer o Brasil, estar mais perto das pessoas, ouvir o sentimento”, destacou Alckmin, reconhecendo que está “entusiasmado” com uma possível candidatura.

Questionado se está pronto para uma eventual disputa com Lula, o tucano respondeu: “Mas é claro, superpreparado, é um bom tira-teima.”

Mais cedo, em seu discurso, o prefeito de São Paulo, João Doria, havia manifestado apoio "incondicional" à eventual candidatura de Alckmin ao Palácio do Planalto.

“Quero reafirmar o meu apoio incondicional a Geraldo Alckmin não só como presidente do partido, mas também juntos termos a liderança de Geraldo Alckmin para caminhar para a Presidência do Brasil”, afirmou Doria.

Na entrevista coletiva, indagado pelo comentário de Doria, o governador paulista afirmou que fica "muito honrado" com o apoio do afilhado político e destacou que o prefeito de São Paulo também tem todas as condições para disputar o Planalto.

Alckmin diz que Doria tem todas as condições para ser candidato à Presidência

Porém, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, advertiu em seu discurso que quer disputar a indicação do PSDB para candidato à Presidência da República, ainda que numa disputa com Alckmin.

“Vai haver prévia geral e irrestrita”, disse, ressaltando que vai viajar pelo país em busca de apoio à candidatura.

Alckmin diz que não vê nenhum problema em disputar prévias com Arthur Virgilio

Tumulto

Durante o discurso do senador Tasso Jereissati (CE), um tumulto tomou conta da área central do auditório da convenção. Segundo relatos dos participantes, um grupo apoiador do deputado Izalci Lucas (DF) entrou em confronto com pessoas que gritavam “fora, Izalci”.

Militantes do PSDB brigam durante convenção nacional do partido

Militantes trocaram agressões e jogaram cadeiras de metal uns nos outros, o que gerou correria no local. A briga foi apartada por seguranças e também por militantes.

Reforma da Previdência

A convenção do PSDB não discutiu um possível fechamento de questão em apoio à reforma da Previdência, que o governo Temer tenta aprovar na Câmara antes do recesso legislativo do final do ano.

Em uma entrevista coletiva concedida ao final da convenção, Geraldo Alckmin afirmou que vai convocar, para a próxima semana, uma reunião da executiva nacional do PSDB a fim de discutir a reforma da Previdência com a bancada do partido na Câmara.

A bancada do partido no Congresso está dividida, o que dificulta uma decisão sobre fechamento de questão em apoio à reforma previdenciária.

“Eu, pessoalmente, sou favorável à reforma da Previdência, já a fiz em 2011 em São Paulo. A minha posição pessoal é pelo fechamento de questão, mas essa não é uma decisão só da executiva, é também da bancada. O caminho agora é o do convencimento.”

O deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA), que pediu demissão do cargo de ministro da articulação política, disse que o presidente Michel Temer fará, no final da tarde deste sábado, mais uma reunião no Palácio do Jaburu para tentar articular a votação da Proposta de Emenda à Constituição.

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