A suspensão da votação do Código Florestal explicitou, na madrugada de ontem, a dissonância interna do PT e expôs uma crise com o PMDB, principal aliado do governo Dilma Rousseff.
Em descompasso com o Planalto, a base ameaça emperrar a votação da medida provisória que agiliza a contratação de obras destinadas à realização da Copa e da Olimpíada no Brasil.
Sob o risco de derrota, o governo interrompeu a votação do Código Florestal em plena discussão. Para evitar que o fracasso se consumasse, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), se comprometeu a não votar mais nada antes da conclusão do Código.
"Vou tentar ganhar esses dias não para mudar o plenário. Mas para mudar a posição do governo, que tem de respeitar o que esta Casa quer num dos momentos mais legítimos", discursou.
Ele queixou-se da resistência do governo a fixar, em lei, casos em que o plantio em áreas de proteção já esteja consolidado.
PARALISAÇÃO
Mantida a ameaça do PMDB, a Câmara ficará paralisada ao longo da próxima semana, pois o presidente da Casa, Marco Maia (RS), e o líder do PT, Paulo Teixeira (SP), viajaram ontem para a Coreia do Sul, de onde só voltam no dia 20.
Eduardo Alves acompanhará o vice-presidente Michel Temer em viagem à Rússia até a quarta-feira. Sem os principais líderes na Casa, restariam ao governo as MPs.
Ontem, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), disse que as medidas provisórias serão votadas e aposta que a promessa do PMDB não será mantida.
Já o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, atribuiu o discurso a um momento de "desgaste físico e emocional".
Só que Eduardo Alves reiterou a ameaça feita anteontem: "Se tentasse votar a 521 [MP que inclui as obras da Copa] antes de um entendimento, a Casa não vai querer votar, nem o PMDB. Nesse clima de frustração, poderia ter uma reação de não votar".
A interrupção em plenário evidenciou a desarmonia do PT. Na noite de quarta, Paulo Teixeira recebeu um texto mais duro com os ruralistas.
Horas depois, apoiou o projeto apresentado pelo relator Aldo Rebelo (PC do B-SP) sem saber que fora flexibilizado. No plenário, protestou contra as mudanças: "O acordo do PT é com o texto que recebemos às 21h", reafirmou ontem.
Hoje, 11 medidas provisórias trancam a pauta da Câmara. Sete delas só têm validade até o dia 1º de junho.
A mais sensível ao governo é a 521, que dribla parte das regras da Lei das Licitações para as obras da Copa e nas Olimpíadas.
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