A AGU (Advocacia-Geral da União) defendeu à Justiça Federal em Brasília a rejeição de uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público contra o presidente Jair Bolsonaro.
O caso envolve a contratação, à época em que ele era deputado, de Wal do Açaí, uma suposta funcionária fantasma.
A AGU usa a mudança na Lei de Improbidade aprovada pelo Congresso e assinada pelo próprio presidente para defender a rejeição da ação.
Segundo a AGU, o Ministério Público Federal não conseguiu comprovar qualquer ato ilegal do presidente e de Walderice Santos da Conceição, que foi secretária parlamentar do gabinete do então deputado Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados de 2003 a 2018.
Segundo o MP, em mais de 15 anos como contratada na Câmara ela nunca esteve em Brasília, embora tivesse que assinar ponto na capital federal.
A AGU assumiu a defesa tanto de Bolsonaro quanto de Wal do Açaí. Segundo a Advocacia, eles acionaram a AGU sob o argumento de que a lei prevê a medida porque os atos foram cometidos enquanto eram servidores.
A Advocacia-Geral da União é o órgão federal responsável por representar os três poderes na esfera judicial e prestar consultoria jurídica ao Poder Executivo.
Apuração começou em 2018
Em 2018, o Ministério Público começou a investigar a contratação da suposta funcionária fantasma. A TV Globo teve acesso a trechos de um depoimento dela a procuradores, em novembro do mesmo ano. É uma das provas usadas na ação de improbidade administrativa contra Bolsonaro.
Na época, Wal do Açaí recebia da Câmara dos Deputados um salário de R$ 1,4 mil. Ela deixou o cargo em 2018, após as primeiras denúncias.
A ex-assessora parlamentar mora em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, cidade onde a família Bolsonaro tem uma casa de veraneio.
Ganhou o apelido de Wal do Açaí, mesmo nome da loja em que trabalhava na vila histórica de Mambucaba, distrito de Angra, como mostram fotos anexadas à ação. A loja ficava na rua da casa de Bolsonaro.
A ex-assessora contou aos investigadores que ela e Bolsonaro se aproximaram e desenvolveram uma amizade.
Após o depoimento, os procuradores deram prazo para que a defesa de Wal do Açaí entregasse documentos capazes de comprovar a prestação de serviço, como o extrato de telefone, mas nenhum material foi entregue.
Em 2020, a quebra de sigilo bancário mostrou que Wal do Açaí sacou quase 84% do salário que recebeu ao longo dos 15 anos: mais de R$ 238 mil. Os saques eram fracionados, o que, segundo os procuradores, pode indicar uma tentativa de burlar órgãos de controle.
O Ministério Público afirma que, na prática, Wal do Açaí prestou serviços particulares para Bolsonaro, cuidando da casa e dos cachorros, com a ajuda do marido.
O Ministério Público Federal afirmou que Bolsonaro atestou falsamente, por meio de uma folha de ponto, a presença de Wal do Açaí em Brasília para possibilitar o pagamento de salários.
Segundo os procuradores, houve enriquecimento ilícito tanto de Bolsonaro como de Wal do Acaí. Agora, a Justiça vai notificar os dois para que se manifestem sobre a acusação de improbidade administrativa.
Argumentos da AGU
A AGU afirmou à Justiça que o Ministério Público Federal falhou em individualizar as condutas atribuídas ao presidente Walderice da Conceição.
A nova Lei de Improbidade, sancionada por Bolsonaro, passou a prever que é preciso comprovar a intenção de cometer as irregularidades para condenar pelo ato de improbidade.
“A rejeição [da ação de improbidade], portanto, é a única alternativa compatível com as regras atualmente vigentes no ordenamento jurídico brasileiro”, argumentou a Advocacia-Geral.
A AGU diz que as acusações do MPF “não passam de ilações feitas a partir de conhecimento do senso comum”.
“Isso acontece quando este tópico é abordado, pois o Parquet [Ministério Público] apenas se empenha em levantar supostos indícios em favor de suas teses quando fala do nível escolar da ré Walderice, dos seus conhecimentos para uso de computador etc”.
A Advocacia diz que o fato de Wal do Açaí nunca ter estado em Brasília não tem valor jurídico porque não passa de "indiferente jurídico", já que as regras vigentes expressamente autorizavam a prestação de serviços no estado de representação do deputado (no caso, o Rio de Janeiro).
Deixe seu Comentário
Leia Também

Após matar homem no Paraná, autor é preso em Mato Grosso do Sul

Bolsonaro está estável, consciente e não precisou ser entubado

Idosa de 79 anos morre três dias após sofrer acidente com ônibus

Assessor de Trump só entrar no Brasil se Padilha entrar nos EUA, diz Lula

Polícia Civil recupera móveis de alto padrão desviados de depósito

Vorcaro troca de advogado e abre caminho para delação premiada

Assaltante que torturou e roubou R$ 84 mil de idosa é preso em ônibus

MPF pede condenação de Ratinho e SBT por falas contra Erika Hilton

Vigilante morre a caminho do trabalho em acidente entre moto e carro

Gilmar leva para sessão presencial decisão sobre sigilo de 'Lulinha'
Mais Lidas

Ação conjunta apreende carga de pneus contrabandeados do Paraguai

Taxa de lixo pode ser dividida em até 10 vezes em Dourados

Funcionário que gravou fogo em usina é demitido por justa causa
