A PolÃcia Federal quer ouvir o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) sobre a negociação de emissários petistas para a compra do dossiê contra tucanos montado pelos empresários Darci e Luiz Antonio Vedoin.Conforme depoimentos já tomados pela PF, os papéis seriam entregues a Hamilton Lacerda, ex-coordenador-geral da campanha de Mercadante para o governo de São Paulo, na qual tinha como adversário o hoje governador eleito, José Serra. Ontem à noite, Mercadante divulgou nota em que diz que "desde o inÃcio das denúncias tem manifestado seu interesse em esclarecer este episódio do dossiê e, por isto, esteve, e está, sempre à disposição para colaborar com as investigações". Na nota, Mercadante "reitera que não teve nenhuma participação neste lamentável episódio e que não foi informado sobre sua execução. E jamais se associaria a esta prática que sempre condenou em seus 30 anos de vida pública". Também estão agendados para terça, em São Paulo, os depoimentos do empresário de Piracicaba Abel Pereira e do deputado Ricardo Berzoini (PT-SP). Segundo os Vedoin, Pereira, ligado aos tucanos, seria um intermediário para liberação de emendas destinadas à compra de ambulâncias no final de 2002, quando o Ministério da Saúde estava sob o comando do tucano Barjas Negri, hoje prefeito de Piracicaba (SP). Por conta do episódio, Berzoini deixou o cargo de coordenador da campanha de Lula para a reeleição e, pressionado pela cúpula do PT, licenciou-se da presidência do partido. A assessoria de Berzoini confirmou que ele irá depor na terça. Ainda não há uma data definida para o depoimento de Mercadante. Avalia-se, do ponto de vista da investigação, qual o melhor momento para isso, pois não há provas do envolvimento do senador na negociação do dossiê: até agora, seu nome se destaca apenas pelo vÃnculo com Hamilton Lacerda. Como senador, Mercadante tem a prerrogativa de escolher dia e hora para ser ouvido. O calendário eleitoral é um problema para os investigadores que tentam blindar a PF e a própria investigação de explorações polÃtico-partidárias. Mas, na cúpula do órgão, existe a consciência de que, seja qual for o desfecho do caso, a instituição será condenada --ou pelo governo ou pela oposição. O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, participaram ontem em Cuiabá da solenidade de posse do novo superintendente da PF em Mato Grosso, delegado Daniel Lorenz de Azevedo. Tanto Barreto quanto Lacerda ressaltaram que a PF tem atuação independente de pressões polÃticas."O inquérito [relativo ao dossiê] segue o ritmo de investigação a que deve obedecer todo processo [...] Não há nenhuma orientação do Ministério da Justiça no sentido de retardar, acelerar ou conduzir as investigações. O calendário de uma investigação não segue o calendário eleitoral", afirmou Barreto. Para Lacerda, "há que se reconhecer o surgimento de uma nova cultura no Brasil, [de investigar], que está a se sobrepor à velha impunidade". A PF ainda não rastreou a origem do R$ 1,75 milhão destinado à compra do dossiê.
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